Fogo de Chão redefine o conceito de “churrascaria brasileira” e mira um novo IPO

A última década foi agitada na Fogo de Chão. Em abril de 2015, sob controle do fundo Thomas H. Lee Partners, a companhia abriu capital na Nasdaq. Três anos depois, porém, a rede de churrascarias saiu da bolsa americana, ao ser comprada por outro private equity, o Rhône Capital. Mais sete anos e agora, administrada pela Bain Capital, a Fogo de Chão não descarta a possibilidade de um novo IPO.

Voltar a ser uma empresa pública em Nova York na segunda maior bolsa de valores do mundo seria sustentada pela expansão global dos negócios nos últimos anos. Desde a retomada pós-pandemia, a Fogo de Chão vem registrando um crescimento médio anual de cerca de 15%. Em número de unidades, de 2023 para cá, foram mais 28, em todos os cantos do planeta. Para 2025, a expectativa é acrescentar outras 30 a 35 ao portfólio, tanto próprias quanto franqueadas. Em cada nova loja, a companhia investe de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões.

Por enquanto, o tarifaço do presidente Donald Trump não deve interferir nos planos da companhia. “A princípio, nós não mudamos nada no nosso plano de expansão, já que é muito cedo para avaliar qualquer impacto”, diz Paulo Antunes, country manager Brasil da Fogo de Chão, em entrevista ao NeoFeed.

Se tudo correr conforme o previsto, a marca chega ao final de 2025 com um faturamento em torno de US$ 1 bilhão, o que representa de 45% a 50% a mais do que os valores registrados no ano passado.

Nascida há 46 anos, em Porto Alegre, a Fogo de Chão hoje de brasileira só tem o nome e a tradição do churrasco. De seus 104 restaurantes espalhados pelo mundo, 72 estão nos Estados Unidos — o primeiro foi aberto em 1997, no Texas. Quinze inaugurações em território americano estão previstas até o final de 2025.

No Brasil, o ritmo de expansão será mais lento. Em fevereiro, foi lançado um restaurante em Alphaville, na Grande São Paulo, o nono da rede por aqui. E, para 2026, o Rio de Janeiro também deve receber uma nova unidade. Brasília, mercado forte da churrascaria, também está nos planos. Todas as unidades brasileiras e americanas são próprias.

Nos outros países, a marca opera por franchising. Até o fim do ano, a Fogo de Chão deve levar de 15 a 20 lojas para países nunca explorados, como Filipinas, Turquia, Honduras, Costa Rica, El Salvador, Peru e Chile. Atualmente, a empresa está na Bolívia, México, Equador, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

A expansão da marca não é apenas geográfica, mas também filosófica. Para manter os clientes mais antigos e conquistar novos consumidores, a Fogo de Chão tirou o foco do tradicional rodízio e está redefinindo o conceito de “churrascaria brasileira”.

“É uma bênção ter essa tradição tão forte, mas ela também pode ser um peso para a companhia”, diz Antunes. “Nos últimos cinco anos, nós mudamos de estratégia e passamos a oferecer outras experiências dentro dos restaurantes, onde antes existia apenas a opção do rodízio.

Das 104 lojas da churrascaria no mundo, 104 estão nos Estados Unidos, como essa de Nova York (Foto: Divulgação)

“É uma bênção ter essa tradição [de rodízio] tão forte, mas ela também pode ser um peso para a companhia”, diz Paulo Antunes (foto: Divulgação)

Entre as carnes nobres oferecidas pela Fogo de Chão, está o tomahawk, corte da costela e do bife ancho (Foto: Divulgação)

No novo modelo de operação, a opção de apenas drinques e petiscos (Foto: Divulgação)

No menu da Fogo de Chão, agora, entra hambúrguer (Foto: Divulgação)

Entre as tais novas experiências estão o serviço à la carte, com opções que vão de hambúrgueres a carnes mais requintadas, como o wagyu e o tomahawk. Se a ideia for tomar apenas um coquetel e beliscar uns petiscos, também é possível.

Para além do espaço das churrascarias, a empresa começou a realizar eventos privados por meio de sua vertical de catering e também está no iFood, cujo movimento representa cerca de 6% de seu faturamento no Brasil.

“Essas mudanças fizeram com que a frequência dos clientes aumentasse e os levaram para as unidades em momentos diferentes, coisa que não ocorria antes”, diz Antunes. “Hoje, os novos modelos de consumo são utilizados por 20% dos nossos clientes e esse número continua a crescer.”

Mudança é uma constante na história da Fogo de Chão. Os fundadores da marca, os irmãos Arri e Jair Coser, começaram a se afastar do comando quando a GP Investiments, em dois movimentos, um em 2006 e o outro em 2011, comprou a empresa por US$ 159 milhões.

No momento em que o fundo Thomas H. Lee chegou, no ano seguinte, a marca valia US$ 400 milhões. E, no IPO, captou US$ 88 milhões.

Em fevereiro de 2018, o Rhône Capital pagou US$ 560 milhões para tirar a companhia da Nasdaq. No fim de 2021, a gestora chegou a pensar na possibilidade de levar a rede de churrascarias de volta para a bolsa, mas o projeto não foi à frente em virtude da piora das condições no mercado de capitais.

Agora, depois de assumir o controle da Fogo de Chão, em 2023, em um negócio avaliado em US$ 1,1 bilhão, incluindo dívidas, a Bain Capital está de olho em Nova York.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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