Não desprezemos as pesquisas eleitorais

O ano de 2018 foi péssimo para a reputação dos institutos de pesquisa. Também pudera, a um mês das eleições, logo depois do infame episódio da facada, Datafolha, Ibope e PoderData atribuíam ao então candidato Jair Bolsonaro de 24 a 26% das intenções de voto. Contrariando essas tímidas projeções, as urnas revelaram uma realidade muito distinta: com 49 milhões de votos (ou 46% dos votos válidos), o capitão reformado quase levou a eleição no primeiro turno. As pesquisas falharam em antecipar cerca de duas dezenas de milhões de votos — uma margem de erro considerável.

Tampouco os levantamentos referentes ao segundo turno ajudaram a ampliar o grau de confiança do público nas pesquisas. No fim de setembro de 2018, antes de serem conhecidos os candidatos que avançariam na disputa, o Datafolha simulou diversos cenários, cujo denominador comum era a derrota de Jair Bolsonaro para todos os contendores, inclusive seu adversário de fato, Fernando Haddad. Segundo o instituto, o poste petista contava com 45% da preferência do eleitorado, contra 39% do candidato efetivamente eleito… com 55% dos votos válidos — uma variação de 16 pontos porcentuais.

O conjunto das pesquisas raramente erra em relação a tendências

Diante de uma discrepância tão acentuada entre a realidade observada e as projeções divulgadas, muitos desacreditaram completamente as pesquisas eleitorais. Contudo, a despeito dessa disparidade e de tantas estimativas equivocadas, cumpre ressaltar que o conjunto das pesquisas raramente erra em relação a tendências — essa é a leitura mais correta desses levantamentos: observar os vieses, as inclinações e as convergências, sem maior apego aos números do momento.

Fiquemos no mesmo exemplo das eleições de 2018, quando os institutos projetaram Bolsonaro com apenas metade dos votos efetivamente conquistados semanas depois. Analisando a sequência de pesquisas do Datafolha, é evidente a tendência de alta do candidato, que, em menos de um mês, se isola na liderança, saltando de 24% para 36% das intenções de voto às vésperas da eleição — ainda são 10 pontos abaixo do resultado verificado nas urnas, mas o movimento de crescimento do candidato foi detectado pelas pesquisas.

Fazendo o advogado do diabo, se repararmos nos números do segundo colocado, Fernando Haddad, detectaremos um fenômeno similar: a menos de um mês das eleições, ele estava com 9% das intenções de voto, apenas um terço da sua votação real; e, às vésperas das eleições, Haddad pontuou 22% nas pesquisas, sendo que, nas urnas, ele alcançou 29% dos votos válidos — também uma diferença significativa, de 7 pontos.

Mesmo diante de um caso tão emblemático como o fiasco dos institutos nas eleições de 2018, a tese se sustenta: é a diferença entre olhar para uma fotografia, os números isolados de uma pesquisa, e assistir a um filme, as tendências observáveis em um conjunto de levantamentos. Aliás, o que é um filme se não uma série de imagens estáticas em movimento, um conjunto de instantes capturados em sequência que nos proporciona mais elementos para interpretar a realidade presente e antecipar cenários futuros.

Se olharmos apenas a fotografia mais recente das eleições de 2022 — a última pesquisa PoderData —, veremos um candidato com sua liderança consolidada. Mas o filme conta uma história bem diferente: só neste ano, sua vantagem já caiu 9 pontos no primeiro turno e 13 pontos no segundo turno; entre o público evangélico, o líder das pesquisas perde por 29 pontos, um abismo estatístico; ele também está atrás entre os eleitores com renda mensal acima de dois salários mínimos, o que o faz perder terreno nas regiões Sul e Sudeste, onde está em empate técnico com o segundo colocado; até no Nordeste e entre os mais pobres ele vem, paulatinamente, perdendo sua vantagem… Esse é o filme e essas são as tendências, segundo as pesquisas.


Caio Coppolla é comentarista político e apresentador do Boletim Coppolla, na Jovem Pan

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Fonte: Caio Copolla – Revista Oeste

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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