CEO da Americanas vê fim de recuperação judicial em 2026 e retoma aposta em crédito

Bloomberg Línea — Dois anos e meio após revelar um rombo contábil de cerca de R$ 25 bilhões que a levou a pedir recuperação judicial e derrubou suas ações em mais de 90%, a Americanas (AMER3) reportou seu primeiro Ebitda positivo desde o começo da crise: R$ 94 milhões no segundo trimestre.

A varejista agora espera concluir o processo que a levará a sair da recuperação judicial no primeiro semestre de 2026.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO Leonardo Coelho, a CFO Camille Faria e o COO Fernando Soares apresentaram as estratégias de retomada da empresa e as perspectivas.

Entre elas estão a reativação do plano de venda de ativos como a rede Hortifruti e Natural da Terra (HNT), a otimização da base de lojas com fechamentos pontuais, o relançamento do cartão de crédito e a introdução de crédito direto ao consumidor, além da descontinuação de operações como a da fintech Ame, para que o foco fique no varejo físico.

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“A boa notícia que comemoramos bastante, apesar dos pesares, foi registrar o primeiro trimestre com Ebitda positivo desde a crise de 2023”, disse a CFO.

O resultado foi impulsionado pelas vendas da Páscoa (R$ 1,2 bilhão, o equivalente a 17% da receita do semestre) e por um acordo com a Receita Federal para um desconto de mais de R$ 500 milhões em uma dívida de R$ 865 milhões.

“O trâmite normal de uma recuperação judicial é de dois anos [a contar da execução do plano]. Obviamente, esse processo tem um monte de ‘senões’. Se tudo funcionar bem, a nossa RJ acabaria no primeiro semestre de 2026″, disse Coelho.

O plano de recuperação judicial (PRJ) foi aprovado e homologado com a execução iniciada em fevereiro de 2024.

A engenharia financeira executada fez a dívida bruta ser renegociada de um total de R$ 40 bilhões para R$ 1,9 bilhão, enquanto o caixa líquido alcançou R$ 2 bilhões.

“Na recuperação judicial, fizemos uma desalavancagem”, disse o CEO.

Com 1.521 lojas, a empresa fechou unidades deficitárias e reduziu áreas, o que gerou um crescimento de 14% nas vendas por metro quadrado.

“Nas lojas em que fizemos a redução de área do segundo piso, elas tiveram crescimento de venda”, disse o COO, Fernando Soares.

O foco agora está em sair de centros antigos com baixo movimento comercial e realocar para locais com maior potencial de vendas. “O número razoável para a Americanas é algo na ordem de 1.450, 1.500 lojas”, afirmou Coelho.

Venda de HNT, Imaginarium e Puket

A Americanas retomou a busca por compradores da rede varejista HNT (Hortifruti Natural da Terra), adquirida por R$ 2,1 bilhões em 2021. As marcas Imaginarium e Puket também podem ser vendidas.

“O plano prevê uma obrigação de conduzir um processo competitivo de venda, mas não de vender a qualquer preço. Se as propostas vierem ruins, [os ativos] não serão vendidos”, disse Faria.

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O Citi segue como assessor financeiro para a condução do processo de busca de potenciais interessados. Em 2023, a Americanas suspendeu a prospecção após receber ofertas com valores abaixo do esperado.

A CFO não revelou o percentual da HNT na receita total.

“O que posso dizer é que não é significativo. No plano, não existe um valuation mínimo. Ao receber propostas, vamos sentar e avaliar se os valores são justos para o momento de mercado e para a qualidade do ativo”, reiterou.

Concessão de crédito aos clientes

A empresa relançou o cartão de crédito em parceria com a Brasil Card e planeja lançar a modalidade de crédito direto ao consumidor (CDC). A fintech AME foi descontinuada – mantendo apenas a licença de pagamento.

“Há planos de lançar no segundo semestre o CDC com funding próprio, em volumes pequenos no primeiro momento para aprender sobre o interesse do cliente”, disse a CFO (Chief Financial Officer).

O mercado continua a reagir com cautela ao avanço do plano de retomada.

As ações se desvalorizaram em cerca de 8% em 2025 e ainda acumulam queda de 87% em 12 meses.

Mas investidores institucionais voltaram a monitorar a situação financeira e operacional da companhia, segundo a CFO.

“Agora sentimos que a Americanas começou a despertar novamente o interesse ou pelo menos a curiosidade dos investidores institucionais”, afirmou Faria.

Sem revelar nomes, ela complementou que, a cada trimestre, há uma predisposição crescente dos investidores de montar posição com as ações da companhia.

“Houve um período em que a companhia foi abandonada pelo investidor institucional, naquele momento turbulento do pedido de recuperação judicial e de muita especulação”, afirmou a CFO.

O trio de acionistas controladores – os bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira – segue no comando da Americanas.

“Eles têm a obrigação de manter uma posição de pelo menos 50% da companhia conjuntamente durante três anos, a contar da homologação do plano de recuperação judicial, em fevereiro de 2024″, confirmou a CFO.

A companhia fundada em 1929 em Niterói, no Rio de Janeiro, também tenta reconstruir sua reputação após a revelação de um esquema de maquiagem de balanços que envolvia contratos fictícios que permitiu reportar lucros inexistentes por anos, o que abalou em parte a imagem dos seus principais acionistas.

O pedido de recuperação judicial tornou-se inevitável, enquanto a empresa, que chegou a valer R$ 60 bilhões em 2021, viu sua ação derreter mais de 95%, o que gerou perdas a milhares de investidores e motivou investigações.

Na B3, a Americanas é avaliada hoje em R$ 1,1 bilhão.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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