Depois de investimentos bilionários, Seara reforça ingrediente de sua estratégia

A Seara tem sido um dos pratos principais nos investimentos feitos pela JBS em seu extenso menu de operações. Em uma amostra mais recente desse apetite, o grupo de alimentos aportou R$ 8 bilhões na marca nos últimos cinco anos.

Uma parcela considerável desses recursos foi aplicada em fábricas no Brasil e no exterior. Mas agora, outro ingrediente, não menos importante, está ganhando mais visibilidade na receita formulada pela companhia: a inovação.

“Nós investimos muito na modernização e na expansão da capacidade de produção”, afirma João Campos, presidente da Seara, ao NeoFeed. “Agora, estamos em um momento de trazer tudo o que desenvolvemos nos últimos anos para o mercado. E a inovação tem um papel preponderante nisso.”

Quem está protagonizando esse roteiro é o Hub de Inovação Seara. Implantada há cinco anos, a área está por trás do desenvolvimento dos 140 lançamentos programados pela marca para 2024. Desse total, mais de 80 já estão disponíveis nas prateleiras. O restante está no forno para o segundo semestre.

O pacote amplia um mix global que já conta com 1,5 mil SKUs – sendo 700 no Brasil – em categorias como aves e suínos in natura, alimentos preparados, embutidos e margarinas. E reforça a tese da marca de aliar questões como conveniência e variedade com produtos de maior valor agregado.

“Estamos em um movimento bem forte de pratos congelados, prontos, empanados e salsichas”, diz Campos. “A estratégia é olhar de perto as demandas do consumidor para trazer novidades em categorias já mais consolidadas e estáveis.”

Um exemplo é uma linha da Seara Gourmet, inspirada em tendências do exterior e que traz salames com queijo, alho negro e vinho. Outro é a Panelinhas Seara, com sete opções – de caldos a escondidinhos – de receitas caseiras e condicionadas em panelas prontas para ir ao micro-ondas.

O Brasil será o destino de 43% dessas novidades, com destaque ainda para o Oriente Médio, em categorias como empanados. Outro mercado é o Chile, onde a Seara tem avançado com marcas como a Seara Gourmet e em segmentos como margarinas, salsichas e cortes resfriados de suínos e de frango.

Na Europa, a companhia está mais centrada no fornecimento de matéria-prima e produtos para o food service e indústrias. Mas há espaço para o varejo, em países como a Inglaterra, em que a empresa já opera com suas marcas.

Apetite por dados

Responsável por abastecer o portfólio da Seara com essas novidades, o Hub de Inovação é formado por cerca de 80 pessoas de P&D e inclui um “cardápio” bem diverso de profissionais. De engenheiros e cientistas a chefs de cozinha e especialistas em análises sensoriais de alimentos.

Esse time está distribuído em todo o Brasil, majoritariamente onde a marca mantém fábricas. E, além de estruturas centradas em produtos, conta com um laboratório de embalagens, que desenvolve desde opções mais sustentáveis até designs que tenham maior apelo nos pontos-de-venda.

“Nosso grande objetivo é antecipar as tendências de alimentação e as necessidades e desejos do consumidor”, diz Luciara Rech Peil, diretora-executiva de inovação e P&D da Seara. “Seja em produto, criando novas categorias e ocasiões de consumo, seja em embalagens.”

Um arsenal de dados, de diferentes fontes, alimenta o trabalho do Hub para mapear tendências e comportamentos do consumidor em frentes como forma de preparo, sabores, aromas, ingredientes, texturas e gramaturas.

Além de dados de mercado e de insights fornecidos por fornecedores e pelo food service, a principal fonte são os estudos em campo, junto aos consumidores. Esses processos envolvem, em média, de 500 a 700 pesquisas mensais, inclusive fora do Brasil.

Foi com essa pegada que a Seara desenvolveu e lançou, por exemplo, a linha Levíssimo, no fim de 2021. A oferta consolidou uma nova categoria de frios, combinando o sabor do presunto com os baixos teores de gordura e de sódio do peito de peru.

Antes de chegarem à mesa dos consumidores, os produtos passam, porém, por baterias de testes em plantas-piloto. Elas funcionam como minifábricas para validar a fabricação desses itens, ao identificar e ajustar os equipamentos e tecnologias necessárias para a produção em larga escala.

Hoje, são seis plantas-piloto e há outras duas em construção, anexas a dois grandes projetos recentes da Seara: a fábrica de Rolândia (PR), de empanados de frango e salsichas, e a ampliação da unidade em Dourados (MS), de preparados suínos.

Com investimentos, respectivamente, de R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão, essas duas fábricas – que compõem a base total de 62 unidades de produção da Seara – são mais um exemplo da influência crescente do time de P&D e de inovação nos rumos da marca.

“Em todos os investimentos que a Seara faz em expansões de capacidade, a área de P&D, com o Hub, trabalha junto definindo as linhas de produção e as tecnologias necessárias”, diz Peil. Isso vale, inclusive, para investimentos em outras fronteiras.

Esse é o caso da fábrica de empanados de frango que a Seara prevê inaugurar em novembro em Jeddah, na Arábia Saudita. Com um investimento de US$ 50 milhões, essa é a terceira planta da marca no Oriente Médio, e vai quadruplicar sua capacidade produtiva no país, para 40 mil toneladas por ano.

“A empresa sempre tem que tomar a decisão se produz no Brasil e exporta ou se fabrica localmente nesses países”, afirma a diretora. “E, nesse processo, nós temos um lugar na mesa, de aconselhamento, pois conseguimos dizer as vantagens de cada opção.”

No balanço

Nos últimos cinco anos, a Seara ampliou seus investimentos em inovação em 230%. A empresa não revela, porém, como as ondas de lançamentos têm contribuído em sua receita e na disputa por market share. No Brasil, em diferentes categorias, a principal rival é a BRF, com as marcas Sadia e Perdigão.

“O que nós focamos é trazer inovação para desenvolver novas categorias ou crescer categorias já maduras”, diz Campos. “O market share é consequência.” O fato é que, nos limites da JBS, a Seara vem avançando.

A empresa foi uma das operações cujos resultados vieram acima das projeções no balanço do primeiro trimestre de 2024 da JBS. No período, apesar da queda de 0,1% na receita líquida, para R$ 10,3 bilhões, um dos pontos ressaltados por analistas foi o salto de 711% no Ebitda ajustado, para R$ 1,2 bilhão.

“A lucratividade da Seara foi um destaque, com uma recuperação de margem Ebitda ajustada de 510 base points, para 11,6%”, escreveram os analistas Thiago Duarte e Henrique Brustolin, do BTG Pactual, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 35 para a ação da JBS.

As ações da JBS fecharam o pregão da última sexta-feira, 9 de agosto, com alta de 1,74%, cotadas a R$ 33,31. No ano, os papéis têm uma valorização de 33,7%. O grupo está avaliado em R$ 73,8 bilhões.



Fonte: Neo Feed

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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