Por que “demitir tecnologia” é essencial para a sustentabilidade hospitalar? 

A tecnologia da informação nas instituições de saúde deixou de ser apenas suporte operacional. Hoje, o CIO (Chief Information Officer) é chamado a assumir um papel de Chief Impact Officer, liderando mudanças que vão muito além da infraestrutura digital. Essa foi a provocação central da palestra “Líder de TI: Você está liderando a mudança ou obedecendo a pressão?”, que reuniu executivos de grandes hospitais brasileiros no HIS 2025 para discutir o reposicionamento da TI no setor. 

“Cada vez mais precisamos entender o negócio e cada vez menos apenas entregar tecnologia”, afirmou Lilian Hoffmann, CIO da Hospital Care. Para ela, o diferencial competitivo está em usar bem a tecnologia, e não apenas em acumular soluções. 

“Quem está na vanguarda hoje é quem coloca a tecnologia onde ela realmente precisa estar”, completou. 

Tecnologia com propósito: ROI e eficiência operacional 

A pressão por inovação sem clareza de retorno sobre investimento (ROI) foi um dos pontos críticos abordados. Lilian relembrou que, por muito tempo, a TI foi pressionada a investir sem medir resultados. 

“Aprendemos a duras penas que o investimento é só um capítulo. O uso e a entrega de valor são o que realmente importam”, disse. 

Alex Julian, CIO do Hospital Sírio-Libanês, reforçou essa visão ao propor uma abordagem provocativa: 

“A saúde está pelo menos 10 anos atrás do mercado financeiro. Mas isso é uma oportunidade. Podemos copiar o que deu certo e adaptar”, afirmou. 

Ele também introduziu o conceito de “demitir tecnologia”, defendendo a eliminação de sistemas redundantes para liberar recursos e reinvestir em inovação. “Quem não tem três ou quatro sistemas que fazem a mesma coisa? Demita essa tecnologia e invista em sistemas que vão ajudar o negócio a properar”. 

A TI como ponte entre estratégia e operação 

Milton Vicente Vieira Junior, diretor de TI da AFIP, destacou o papel da TI como orquestradora entre áreas de negócio e cliente final. “Não basta conhecer tecnologia. É preciso viver o negócio e ouvir o cliente”, disse. 

Ele defendeu que a TI deve estar presente nas discussões estratégicas, inclusive nas reuniões com clientes, para entender dores e propor soluções que agreguem valor. 

Essa aproximação também exige uma mudança de mentalidade dentro das equipes. “A provocação deve partir do nosso time. A gente está lá para colocar coisas que façam diferença no dia a dia do hospital”, reforçou Alex. 

Governança e legado: o desafio da vigilância contínua 

A gestão de sistemas legados e contratos foi outro ponto sensível. Lilian compartilhou sua experiência ao assumir uma nova instituição: “Quando olhei para o portfólio, percebi muitas aplicações redundantes, sem uso. Foi preciso destratar contratos e estabelecer indicadores de uso contínuo”, contou. 

Milton complementou com a importância de manter um inventário atualizado e cruzar com a audiência real dos sistemas. “O que posso desligar amanhã sem impacto? O que é essencial? Esse olhar é fundamental para garantir eficiência e sustentabilidade”. 

Ambos concordaram que o caminho é estar sempre atento ao que a tecnologia agrega de valor ao negócio. Se não agrega, demita essa tecnologia.  

Plano estratégico como bússola da TI 

A conexão entre o plano diretor de tecnologia e o plano estratégico institucional foi apontada como essencial. 

“O plano estratégico é a bússola. Não importa o que você acha, ele é a verdade. Crie seu plano diretor baseado nele”, afirmou Lilian. 

Ela também destacou a diferença entre instituições filantrópicas e empresas de capital privado. “Na filantropia, o plano é de perenidade. Já em empresas de fundo, o foco é resolver rápido. Não significa fazer mal feito, mas é outro modelo”, explicou. 

CIO como protagonista da saúde digital 

A palestra mostrou que o CIO moderno precisa ser mais do que um gestor de sistemas. Ele deve ser um líder estratégico, capaz de provocar mudanças, eliminar ineficiências e garantir que a tecnologia esteja a serviço da saúde, da experiência do paciente e da sustentabilidade institucional. 

“Se a TI não estiver alinhada à estratégia, ela não entrega. E se não entrega, não sustenta o negócio”, concluiu Alex. 

O próximo Healthcare Innovation Show – HIS já tem data marcada, 16 e 17 de setembro de 2026, no São Paulo Expo.

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Fonte: Saúde Business

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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