Inteligência artificial redefine prioridades de investimento na saúde 

A inteligência artificial deixou de ser promessa para se tornar protagonista nos investimentos em saúde. Esse foi o diagnóstico de Everton Santos, vice-presidente Internacional da KLAS Research, ao apresentar, no segundo dia do Healthcare Innovation Show (HIS), uma radiografia global sobre a transformação digital do setor. 

Na palestra “Do PEP à Inteligência Artificial: Como as novas apostas em TI estão redefinindo a saúde global”, o executivo mostrou que o setor vive uma mudança de paradigma. Depois de anos em que o prontuário eletrônico do paciente (PEP) era prioridade de investimento, a inteligência artificial (IA) e o analytics assumiram a dianteira. 

O movimento é claro: em 2023, apenas 29% das instituições projetavam algum investimento em IA, em grande parte ainda em fase piloto, segundo dados globais levantados pela KLAS. Em 2025, Santos explicou que esse percentual saltou para 54%, já com projetos comerciais em larga escala — uma curva de crescimento que deve se intensificar nos próximos anos. 

O que está acelerando a adoção da IA 

Everton destacou três forças principais que explicam a rápida adesão à IA: a escassez de mão de obra; a pressão orçamentária sobre os gestores e o burnout das equipes médicas. Nesse contexto, a inteligência artificial surge como aliada para aliviar gargalos de produtividade, automatizar processos e apoiar decisões clínicas. 

Entre os casos de uso mais promissores apresentados, estão: 

  • Transcrição inteligente de consultas (ambient speech) – automatiza o registro clínico e devolve tempo ao médico, o que aumenta a produtividade e reduz o risco de esgotamento;  
  • Triagem de imagens radiológicas – uma das aplicações mais avançadas e com impacto direto na precisão diagnóstica;  
  • Otimização do ciclo de receitas – algoritmos ajudam a reduzir glosas e perdas financeiras em hospitais privados. 

A base da transformação

Apesar do entusiasmo, Santos reforçou que não há IA eficaz sem dados limpos e estruturados. O PEP continua sendo o “coração” da transformação digital, fornecendo a base para análises preditivas e suporte clínico. 

Para que isso seja viável, três frentes precisam avançar em paralelo de acordo:  

  • Modernização da infraestrutura hospitalar – ainda defasada em muitas regiões; 
  • Cibersegurança – frente ao aumento de ataques que colocam vidas e operações em risco; 
  • Interoperabilidade – para garantir integração de dados entre sistemas distintos e potencializar os projetos de IA. 

Outro ponto de atenção é a adoção de soluções em nuvem, que cresce de forma gradual, apesar das resistências ligadas à segurança da informação. 

Os desafios do Brasil e da América Latina 

Na América Latina, o PEP ainda concentra boa parte dos investimentos, mas a expectativa é que a IA ultrapasse esse patamar em dois a três anos. No Brasil, a fragmentação entre operadoras, hospitais públicos e privados torna mais difícil a consolidação de dados e o avanço da maturidade digital. 

Iniciativas como o padrão FHIR e o programa federal ARNDS ajudam a reduzir barreiras de interoperabilidade, mas ainda há um longo caminho a percorrer até alcançar a maturidade digital plena. 

Equidade e capacitação como próximos passos 

Everton alertou ainda para o risco da exclusão digital. Enquanto hospitais de ponta nas capitais avançam rapidamente, instituições do interior seguem limitadas por infraestrutura precária e orçamentos reduzidos. Para garantir equidade, governos e gestores precisarão pensar em políticas que levem inovação também a cidades menores. 

Outro desafio é a literacia digital. Médicos e enfermeiros precisam ser capacitados para usar plenamente os recursos da IA, sob risco de a tecnologia não entregar todo o valor esperado. “A inteligência artificial já deixou de ser tendência, é uma realidade. Mas para gerar impacto real, precisa ser compreendida e utilizada pelo corpo clínico”, destacou o executivo. 

Colaboração para seguir

Santos reforçou o chamado à colaboração: “A saúde precisa ser tratada como um ecossistema. Não podemos avançar isoladamente. IA, interoperabilidade e governança só farão sentido se houver colaboração ampla.” 

Colaboração é a palavra de ordem do setor, inclusive ecoou na palestra de Marcelo Tás, keynote do primeiro dia do HIS 2025. 

O próximo Healthcare Innovation Show já tem data marcada, 16 e 17 de setembro de 2026, no São Paulo Expo. 

Fonte: Saúde Business

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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