Desinvestimentos em hospitais gerais devem fazer Oncoclínicas economizar mais de R$ 1 bi

A Oncoclínicas apertou o comando de stop loss. A empresa especializada no tratamento de câncer anunciou na última semana o distrato de um contrato para a construção de um complexo oncológico em São Paulo. Além desse, a companhia estuda formas de romper os contratos de outros dois hospitais em construção: em Goiás e Minas Gerais. Tudo isso, alinhado a um aumento de capital que pode chegar a R$ 2 bilhões, ajudará a rede oncológica a reduzir seu pesado endividamento de R$ 3,9 bilhões.

A Oncoclínicas também negocia a venda de um hospital em Belo Horizonte. Hoje, há três interessados na operação. Segundo uma fonte próxima às negociações, as conversas estão avançadas, mas ainda não está definido o modelo a ser seguido. Um dos possíveis compradores pretende adquirir o ativo inteiro, enquanto os demais estudam um investimento menor, mantendo a Oncoclínicas como parceira na atuação de prevenção e tratamento ao câncer.

A ideia é que ao final deste processo a empresa saia totalmente do modelo conhecido como built to suit (BTS, na sigla em inglês), um modelo de locação a longo prazo no qual o imóvel é construído de acordo com as demandas do locatário. 

As contas de pessoas próximas à empresa indicam que no futuro, após o redesenho do modelo de atuação, a Oncoclínicas irá economizar cerca de R$ 1 bilhão em capital de investimento que seria usado para concretizar os projetos e fazer a manutenção dos complexos já existentes.

Soma-se a isso a redução do consumo de caixa dos três hospitais desinvestidos (dois já vendidos e um que ainda está em processo de venda): as três unidades demandavam um caixa médio de R$ 100 milhões anuais e tinham uma geração de caixa negativo nessa mesma faixa.

Paciente instável

O estado geral da Oncoclínicas hoje em nada se parece com o diagnóstico feito por analistas em 2021, quando a estreia da empresa na B3 entusiasmou investidores. Na operação, a empresa levantou R$ 3,6 bilhões. E a tese que convenceu o mercado que tratava-se de um bom negócio tem a ver com o envelhecimento da população e a evolução dos métodos oncológicos no país: as pessoas vão viver mais, portanto a incidência de casos oncológicos vai aumentar, e existe tratamento a ser oferecido para esses pacientes.

Desde então, a empresa viu sua ação despencar mais de 80% e o endividamento disparar com a aposta em hospitais gerais, o que demandava maior contato com as operadoras de planos de saúde. Um duro golpe, nesse sentido, veio por meio da Unimed Ferj, que ficou devendo cerca de R$ 790 milhões para a rede oncológica. Hoje, a Oncoclínicas pretende manter o atendimento de apenas uma pequena parcela de casos considerados graves: “cerca de 100 ou 200 pacientes em universo de mais de 6 mil”, diz uma fonte.

Na busca para passar mais confiança aos acionistas, a empresa corre contra o tempo para fazer caixa e evitar o descumprimento de um covenant, um compromisso que define que a alavancagem esteja em 3,5 vezes o Ebitda no quarto trimestre deste ano, 0,9 ponto abaixo do nível atual. Em meio a isso, desenhou-se um aumento de capital e uma paralisação dos desembolsos da companhia.

Congelamento na Arábia Saudita

Além da revisão da operação pelo modelo de BTS, a Oncoclínicas também congelou repasses para um centro oncológico na Arábia Saudita. O cancer center, tocado em parceria com o grupo local Al Faisaliah, está prestes a iniciar sua operação e conta com diretores e conselheiros da companhia brasileira. Antes, o projeto previa um repasse de US$ 20 milhões por parte da Oncoclínicas. A empresa desembolsou cerca de US$ 17 milhões até o momento, mas já avisou aos sauditas que não fará mais repasses.

Com a paralisação dos repasses por parte da brasileira, a ideia é que a participação da Oncoclínicas na joint venture caía de 51% para cerca de 40% nas próximas fases de investimento.

O projeto surgiu diante de uma necessidade do país situado no Oriente Médio em desenvolver projetos voltados à área da oncologia, já que boa parte da população acometida de câncer acaba priorizando o tratamento em outros países devido à falta de opções locais.

Aumento de capital

O futuro da empresa será decidido em assembleia convocada para a próxima quarta-feira (8). A Oncoclínicas busca um aumento de capital de cerca de R$ 2 bilhões em um modelo que contará com a conversão de títulos de dívidas em equity e new money.

É certo que o Banco Master, detentor de 15% da companhia, será diluído no processo. Ainda não há clareza, no entanto, se o fundo Centaurus e o Goldman Sachs participarão da rodada. O InvestNews apurou que até a última sexta-feira, dia 3, ambos não haviam se manifestado, mas fontes ligadas à companhia não descartam uma investida de última hora. Hoje, os dois players somam cerca de 37% do capital da empresa.

Fonte: Invest News

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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