A Nord abraçou o modelo fee based. Agora vê condições de chegar a R$ 22 bi até 2027

Bloomberg Línea — Fundada como casa de análise em 2018, a Nord Investimentos tem apostado em outra avenida para crescer nos últimos anos: sua frente de wealth management.

O negócio no modelo fee based, com cobrança de uma taxa sobre o patrimônio assessorado, foi estruturado há quatro anos. Desde então, a companhia acumulou R$ 8 bilhões em ativos sob consultoria.

Agora, a meta é acelerar a expansão e alcançar quase o triplo desse valor em pouco mais de dois anos. “Queremos chegar a R$ 10 bilhões até o final deste ano, R$ 16 bilhões em 2016 e R$ 22 bilhões no fim de 2027″, afirmou Marilia Fontes, uma das sócias-fundadoras da Nord, em entrevista à Bloomberg Línea.

Fontes disse que a expectativa de crescimento responde ao momento de mercado, que começa a enxergar os benefícios no modelo fee based em contraposição às operações realizadas em geral por assessores de investimento.

O segundo caso, no qual a remuneração dos profissionais está atrelada à venda dos produtos financeiros, abre espaço para recomendações que não necessariamente são as mais adequadas para o cliente mas que pagam melhor o assessor.

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Um dos incentivos para o mercado fee based veio com a resolução 179 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que entrou em vigor em novembro de 2024.

A norma exige que corretoras, assessores de investimento e demais intermediários divulguem, a cada trimestre, relatórios que explicitem e detalhem taxas e comissões recebidas, o que aumenta a transparência do mercado.

“No modelo de comissionamento o que importa é o produto: é preciso vender aquele produto. Na consultoria, por outro lado, é preciso análise. Acreditamos que há conflito na assessoria, por isso optamos pela consultoria”, disse a analista.

Em sua meta de patrimônio para os próximos, a Nord estima que 60% deve vir da frente de wealth voltada ao cliente final, em modelo B2C.

Os outros 40% são da frente B2B: uma infraestrutura montada para atender assessores e escritórios que querem migrar da assessoria para o modelo fee based. Os parceiros são normalmente escritórios pequenos e médios, muitos deles com atuação fora dos grandes centros urbanos.

“Estamos investindo pesado em tecnologia para atender essa frente B2C, com inteligência artificial, gestão de dados, interligação entre as recomendações e a carteira do cliente. O objetivo é oferecer uma solução personalizada, mas que traga potencial de escala”, contou.

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Análise no centro

Ainda que o wealth management ganhe cada vez mais protagonismo, a análise “será sempre o coração de todo o ecossistema” da Nord, segundo Fontes.

“Quem acessa o investidor, no final das contas, é o research. É a pessoa que nos segue [nas redes sociais] para pegar informações sobre como investir melhor. É como conhecemos o cliente pela primeira vez”, afirmou.

A analista montou a casa há sete anos ao lado dos sócios Renato Bréia e Bruce Barbosa, os três vindos da Empiricus.

O negócio ganhou força em um momento de juros baixos – a Selic estava em 6,50% ao ano – que levava a atenção dos investidores para outras opções de investimento, em particular a renda variável.

Mais tarde, foi a única das maiores casas de research que se manteve independente – em uma lista que incluía a própria Empiricus, adquirida pelo BTG Pactual; a Suno, a Eleven e a Levante, que acabaram com a XP como sócia.

A Nord aloca patrimônio dos clientes em produtos financeiros tanto do BTG Pactual como da XP – entre outras instituições do mercado -, tendo sido apontada como uma casa com performance destacada pelos dois players.

Para Fontes, o research ainda é a forma mais eficiente de gerir o próprio patrimônio para pessoas que estão dispostas a dedicar o tempo necessário para colocar em prática as recomendações de alocação – entre os benefícios está uma taxa baixa em relação ao patrimônio.

Com o fim da pandemia, no entanto, a disponibilidade de dedicação da pessoa física para leitura e compreensão dos relatórios diminuiu, e a área de wealth foi criada para ocupar um espaço relevante na estratégia de negócios da Nord.

Essa divisão é voltada para clientes com patrimônio acima de R$ 1 milhão, dentro do ticket médio da casa, que ronda os R$ 4 milhões.

“Nosso cliente é uma pessoa física mais qualificada, mas que estava desassistida no wealth dos bancos. Se você tem menos de R$ 20 milhões, os grandes bancos não olham para você. Esse grupo entre R$ 1 milhão e R$ 20 milhões é o nosso público-alvo”, afirmou.

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O wealth garante um grau de proximidade e controle: o investidor confia em quem passa as recomendações, mas é ele mesmo que dá o aceite para permitir que as operações sejam realizadas.

E, para quem prefere terceirizar as decisões, a Nord criou uma gestora, também em 2020, para gerir carteiras administradas e replicar as carteiras recomendadas da casa de análise.

É uma opção também para o cliente com ticket abaixo de R$ 1 milhão. Fontes estima que a frente represente hoje de 5% a 10% do patrimônio da Nord.

Fontes disse que vê o modelo de consultoria também como uma alternativa para fundos multimercados, que perderam apelo entre investidores nos últimos anos em razão de retornos baixos em geral e do modelo de cobrança conhecido como “2 com 20″, ou seja, de 2% de taxa de administração mais 20% do que exceder o benchmark.

“[Nesse modelo de carteiras administradas], com uma taxa muito mais baixa e acesso direto aos produtos, o investidor consegue manter a gestão profissionalizada. O preço é muito mais baixo”, disse.

As taxas podem variar em geral de 0,35% a 1%, de acordo com o volume investido.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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