Ação em foco: Aura Minerals supera o próprio ouro e dispara na bolsa; há espaço para mais?

O ouro não para de subir – e a Aura Minerals, mineradora canadense, também não. Desde a estreia na bolsa de Nova York, em julho deste ano, os papéis da empresa deslancharam e já sobem 49%; no Brasil, o recibo lastreado na ação (BDR), 52%. Enquanto isso, nesse mesmo período, o metal amarelo avançou 28%. Ou seja: a empresa está sob o efeito de um “combo” de fatores positivos, que vai além da valorização do ouro – e deve continuar atraindo a atenção dos investidores.

A ação da Aura é hoje um bom instrumento para o investidor tirar proveito da valorização do ouro. Mas é também um caminho de diversificação: o papel tende a ter um bom desempenho em períodos que podem ser negativos para a maioria das empresas e, portanto, pode servir de contrapeso para a carteira.

Momento dourado

Dos nove analistas que fazem o acompanhamento regular das ações da Aura, todos têm recomendação de compra para a empresa, fruto da confiança de que os resultados financeiros vão continuar fortes.

Uma das razões para esse otimismo, claro, tem a ver com o cenário favorável para o ouro. Com o ambiente geopolítico tenso e o enfraquecimento do dólar no mundo, a commodity vem ocupando o posto de “ativo de segurança”, o que explica a valorização recente. Ao que tudo indica, essa dinâmica deve prosseguir. E a Aura Minerals é uma das companhias que se beneficiam desse quadro.

Uma prévia desse desempenho já se viu na mais recente divulgação de dados operacionais da companhia: no terceiro trimestre deste ano, a Aura teve recorde de produção, com 74,2 mil onças equivalentes de ouro (GEO, em inglês). É um aumento de 16% em relação ao segundo trimestre e de 9% frente o terceiro trimestre de 2024. Números alinhados à meta da companhia de atingir uma produção entre 266 mil a 300 mil onças em 2025.

Os analistas do Itaú BBA classificaram a performance operacional como “levemente positiva”. E destacaram o retorno acima do esperado das minas de Apoena (MT) e Minosa (Honduras) e com aceleração da exploração na mina de Borborema (RN). A produção até setembro deste ano já equivale a 70% da projeção da companhia.

O ponto é que existe entre investidores a percepção de que a mineradora está bem preparada para tirar proveito desse cenário forte para a commodity. E o resultado da companhia já traz essa visão. No segundo trimestre, a mineradora reverteu o prejuízo que havia contabilizado em igual período do ano anterior e mostrou um lucro de US$ 8,1 milhões. A receita líquida, US$ 190,4 milhões, e o lucro operacional ajustado, de US$ 106 milhões, foram recordes.

“Com preços fortes do ouro e performance operacional estável, amparados por um controle forte de custos, esperamos que a Aura entregue resultados fortes no terceiro trimestre”, atestam os analistas do BTG Pactual, em relatório. A recomendação do banco para o papel negociado em NY é de compra.

O horizonte positivo para a mineradora vem também como resultado de projetos que devem acelerar os volumes produzidos. Em 2 de junho, Aura anunciou a compra da mina Serra Grande, em Goiás, por US$ 76 milhões. É uma planta que produziu perto de 80 mil onças em 2024. A nova mina e o aumento da extração em Borborema devem ter impacto total na produção da Aura em 2026, mas as expectativas devem já direcionar o interesse dos investidores ao longo dos próximos meses.

Canadá x Brasil

A Aura Minerals ainda não tem o tamanho de gigantes do setor, caso das canadenses Barrick e Agnico Eagle e da americana Newmont, mas nasce como uma importante produtora de ouro e cobre com operações nas Américas a partir da também canadense Canadian Baldwin Holdings, fundada em 1946.

Em 2006 teve o nome alterado para Aura Gold para focar exploração aurífera no Brasil e, mais tarde, foi reorganizada como Aura Minerals, após concluir em 2018 a fusão com a Rio Novo Gold (BVI). A chegada efetiva ao Brasil veio do redirecionamento estratégico de 2006, com a aquisição do complexo EPP (Ernesto/Pau-a-Pique), conjunto de minas de ouro no Mato Grosso, anunciada em 2015 e concluída em 2016, quando o novo controle acionário foi estabelecido.

O atual CEO da empresa, Rodrigo Barbosa, ocupa o cargo desde 2017. Hoje, a companhia opera com minas em Honduras e no México, além das plantas em Apoena (MT), Almas (TO) e Borborema (RN) e dos projetos de exploração em Carajás (PA) e na Colômbia.

Fundamentos para o ouro

No mercado internacional, o ouro fechou a semana com o maior ganho acumulado desde o colapso do Lehaman Brothers em setembro de 2008. Os contratos para dezembro da matéria-prima, o mais negociado no mercado, avançaram 6,75% em cinco dias. No ano, o ouro sobe 62%.

O metal vem marcando recorde após de recorde, acima de US$ 4.300 por onça, com os investidores na corrida por ativos de proteção para fugir dos impactos das tensões geopolíticas e comerciais, sobretudo com o vaivém nos atritos entre EUA e China. Um dólar mais fraco também ajuda a commodity, barateando o ouro para quem compra em outras moedas e ampliando a demanda global.

Os cortes de juros nos EUA também reduzem o custo de carregar um ativo que não paga cupom. Em outras palavras: o ouro não paga juros e nem dividendos; por isso, quem tem o metal como investimento “deixa de ganhar” o que receberia em aplicações seguras, como títulos do Tesouro dos EUA. Se o juro cai, melhor para o metal.

Um outro efeito que leva o ouro a perseguir novas marcas históricas são as compras pelos bancos centrais no mundo: depois de um pico histórico em 2024, as compras permanecem elevadas, com acréscimo líquido de 19 toneladas só em agosto, segundo dados compilados pelo World Gold Council a partir de relatórios ao FMI. O Banco Popular da China, por exemplo, reportou aumento de reservas por 11 meses seguidos até setembro.

Para a frente, há razões para a alta continuar, ainda que com volatilidade. Casas como HSBC e UBS apontam que o recuo dos juros reais e a provável continuidade da fraqueza do dólar mantêm o suporte ao ouro, enquanto a XP cita uma “visão construtiva” sobre os preços tanto pela continuidade das compras por bancos centrais, quanto pela “tendência contínua de desdolarização”.

Incentivo à liquidez

A Aura já era negociada em NY antes de realizar a oferta de ações (IPO, em inglês) que levantou US$ 200 milhões para o caixa, mas os papéis estavam no mercado chamado “over-the-counter” (OTC), um ambiente fora de bolsa em que empresas, sobretudo estrangeiras, podem ter seus papéis negociados sem fazer listagem tradicional. Para entrar no segmento, são precisos padrões rígidos de divulgação de informações e governança, mas a liquidez e a cobertura dos analistas são reduzidas.

Com o IPO na Nasdaq, a empresa ganhou visibilidade e aumentou a sua base de investidores. Quem apostou na empresa desde então recebeu outras boas notícias, como o pagamento de dividendos de US$ 0,33 por ação (US$ 0,11 por BDR). Para “destravar” mais valor aos papéis, a companhia também anunciou neste mês um programa de incentivo para converter BDRs (AURA33) em ações (AUGO) com isenção de taxas do banco depositário por 32 dias — medida que tende a reduzir eventuais desalinhamentos de preço entre Brasil e EUA.

Se considerado na conta o desempenho no acumulado apenas deste ano das ações da Aura, antes da migração para a bolsa de NY, o avanço é ainda mais estrondoso: AUGO subiu 230%, enquanto AURA33 teve ganho de 187%; o ouro avançou 62,5%. A diferença entre o desempenho no exterior e no mercado brasileiro tem a ver com a desvalorização do dólar frente ao real.

Fonte: Invest News

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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