SumUp estreia no México e quer maior contribuição de LatAm na receita global, diz CFO

Bloomberg Línea — A SumUp, empresa britânica que opera maquininhas de cartão e soluções de pagamentos, decidiu apostar no mercado mexicano em uma estratégia para crescer na América Latina e elevar a participação da região em suas receitas globais.

A fintech, que tem o Goldman Sachs entre seus investidores, anuncia nesta terça-feira (21) a sua entrada no México, um mercado cada vez mais disputado por empresas financeiras e de meios de pagamento.

Segundo Mariana Lazaro, CFO da SumUp para as Américas, a empresa deve se concentrar inicialmente em oferecer maquininhas de pagamento para pequenos comerciantes, de olho em um movimento de bancarização como o que já ocorreu em outros países na região.

“O México é a segunda maior economia da América Latina e um mercado muito fértil. Vemos o México hoje como o Brasil estava há cinco ou dez anos atrás, com uma economia informal muito grande e esse lojista não sendo servido com produtos de qualidade”, disse a executiva em entrevista à Bloomberg Línea.

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A companhia espera que o mercado mexicano decole rapidamente e se torne o terceiro maior da SumUp nas Américas em 24 meses, atrás apenas de Brasil e Estados Unidos.

“O Brasil hoje é o nosso mercado mais forte na região, seguido pelos Estados Unidos. Temos uma expectativa que o México chegue em terceiro lugar”, disse Lazaro.

Atualmente, a região das Américas representa cerca de 25% do resultado global da SumUp, que está presente em 37 países e atende mais de 4 milhões de comerciantes. Com a entrada no México, a meta é elevar essa participação para 30% em dois anos, segundo a executiva.

A fintech de origem inglesa chegou à América Latina há 13 anos, onde mantém operações no Brasil, Chile, Colômbia e Peru. A empresa foi avaliada em US$ 8,9 bilhões em uma rodada de investimentos em 2019, e, mais recentemente, levantou € 1,5 bilhão em um aporte liderado pelo Goldman Sachs em 2024.

A empresa também tem entre seus investidores fundos como Apollo Global Management, Fortress Investment Group, Temasek, Oaktree Capital Management, entre outros.

Bancarização

Com um grau elevado de transações em espécie, o México tem atraído diversas fintechs, incluindo empresas como o Nubank, que recebeu licença bancária neste ano, e Revolut, recém-autorizada a operar no país.

No mercado mexicano, a SumUp ainda vai competir com negócios locais, como a Clip, startup de pagamentos para pequenos negócios avaliada em US$ 2 bilhões e que recebeu US$ 100 milhões no ano passado em uma rodada Série D.

As empresas, incluindo a SumUp, veem no mercado mexicano uma oportunidade de crescer, aproveitando um movimento de bancarização.

No país, apenas um quarto das transações são realizadas por cartão. Além disso, mais da metade da população adulta ainda não possui conta bancária, de acordo com dados do Banco Mundial, mas a expectativa é de que esse quadro mude nos próximos anos.

A aceitação de pagamentos com cartão no comércio do país aumentou principalmente graças às maquininhas de instituições financeiras não bancárias, que operam e administram 78% dos mais de 6,3 milhões de leitores de cartão em uso nos estabelecimentos até o fim de 2024, segundo o Banco Central do México.

O publico-alvo da SumUp são as cerca de 4,5 milhões de pequenas e médias empresas mexicanas, sendo 94% microempresas segundo o Banco Mundial e a OCDE.

A estratégia de entrada é focada na SumUp Go, uma maquininha compacta com conectividade 4G, sem custos fixos mensais e taxa de transação competitiva. O equipamento custa 4.000 pesos mexicanos (aproximadamente US$ 200).

“Um dos diferenciais que trouxemos aqui no Brasil e vamos fazer no México é o suporte, com pessoas que auxiliam pelo telefone, e as taxas competitivas”, disse a executiva.

Em um primeiro momento, a operação será gerenciada a partir dos Estados Unidos, a SumUp já está estabelecida. De acordo com a CFO, de acordo com o andamento dos negócios, a empresa deve reavaliar os planso.

Há um entendimento também que o México pode funcionar como um polo tecnológico, não apenas servindo a operação local, mas outros países da região.

Plano de produtos e expansão acelerada

Embora o lançamento inicial seja focado na maquininha, a SumUp planeja expandir rapidamente seu portfólio no México. O Tap to Pay deve chegar até o final de 2024, seguido de link de pagamento e conta digital.

“Pretendemos ter esses produtos disponíveis nesse mercado em 12 meses. A conta digital pode levar de 12 a 18 meses devido às licenças específicas”, diz.

A executiva compara a trajetória mexicana com o que aconteceu no Brasil, onde a empresa está presente desde 2013.

“A SumUp evolui de uma maquininha pareada com celular para stand-alone, depois link de pagamento e migrando para um banco digital. É como se fosse uma receitinha de bolo que usamos em cada mercado”, afirma.

Crédito como próxima fronteira

Além da expansão geográfica, a SumUp está investindo em soluções de crédito. No Brasil, a empresa já emprestou R$ 100 milhões e oferece crédito para metade de sua base de clientes. Na Europa, especialmente Itália e Inglaterra, os valores são ainda maiores.

“No Brasil, eu acredito que o grande jogo vai ser crédito nos próximos quatro anos”, afirma Lazaro, que enxerga no produto um caminho para acelerar o crescimento no país. “Hoje, a frente de pagamentos continua sendo a principal, mas vem diminuindo – no bom sentido. Nós tínhamos 100% dos resultados da SumUp vindo de pagamento e hoje 30% tem origem em outros negócios, sendo crédito e banco”.

Após obter a licença do Banco Central brasileiro para operar como Sociedade de Crédito Direto (SCD), a fintech de origem inglesa aguarda por uma nova autorização: Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI), que garante o status de financeira e permitir ofertar outros produtos de crédito. A empresa projeta que pode receber a permissão até dezembro de 2026.

“Com o open finance, você consegue fazer a leitura da história daquele lojista e oferecer um crédito justo. Ainda tem muito que avançar nesse lado de crédito aqui no Brasil, até porque o spread ainda é muito alto, e nós vemos um mar azul”, afirma a executiva, quando questionada a crescente competição no mercado.

Planos para a Argentina

Além da expansão para o México, a SumUp também está de olho em outro potencial mercado na região: a Argentina, o país vizinho que ainda enfrenta uma série de desafios econômicos.

“Apesar do Mercado Pago ser muito forte lá, nós vemos como uma oportunidade. Tem muito vendedor que ainda precisa [da solução]”, diz a CFO.

A executiva também disse que a empresa mantém ativamente uma estratégia de crescimento por meio de fusões e aquisições, seguindo os passos da aquisição da Fivestars nos Estados Unidos, em 2021, e da PayLeven no Brasil, em 2016.

“Estamos no mercado olhando propostas e possíveis aquisições locais. Isso é uma constante nossa aqui nas Américas e Europa.”

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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