LWSA integra Temu ao seu ecossistema e reforça posição no e-commerce brasileiro

Bloomberg Línea — A LWSA fechou um acordo para integrar a Temu ao seu ecossistema de plataformas de soluções de tecnologia, movimento que coloca a empresa brasileira entre as escolhidas pela gigante chinesa para a abertura a vendedores brasileiros. O primeiro grupo de parceiros conta ainda com a paranaense Olist e a Base.

Com 200 mil sellers ativos, a LWSA (ex-Locaweb) calcula que mais de 20% de todo o valor movimentado no e-commerce brasileiro passe por suas plataformas, a plataforma de gestão Tray e a ferramenta de e-commerce Bling.

O novo acordo é o mais recente de uma série de integrações com companhias de origem asiática, como TikTok, Shein e Shopee.

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“Quando a Temu nos procura, tem como objetivo se associar com a relevância que temos em número de sellers e clientes que já vendem de verdade”, afirmou Willians Marques, VP de E-Commerce e fundador da Tray, que foi primeira aquisição da LWSA (LWSA3) em 2012.

“A Temu quer acelerar a entrada dela no país e alcançar sellers que já estão vendendo em site próprio ou em outros marketplaces.”

A chegada das plataformas tem gerado um efeito positivo para o e-commerce e contribuído para novas dinâmicas no mercado local, após um período de digitalização forçada nos anos da pandemia de covid.

“Esses players trazem muito cliente novo para o e-commerce, não é só uma troca de consumidores”, disse Marques. “Fazem muita mídia na TV, criam datas promocionais. Isso é um efeito positivo para todo o e-commerce.”

É o caso da Shopee, que estabeleceu o “11 do 11” como data mais relevante que a própria Black Friday em sua plataforma – neste ano, acertou uma parceria com o Nubank para descontos associados ao uso de cartão de crédito.

Para sellers integrados à LWSA, por sua vez, cada novo marketplace representa um canal adicional automaticamente disponível. A integração permite que os varejistas gerenciem vendas na Temu diretamente pelas plataformas, com gestão centralizada, automação e integração logística.

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Novo ciclo na LWSA

Fundada por Gilberto Mautner e Claudio Gora há 27 anos com foco na digitalização pequenos e médios varejistas com o nome Locaweb, a LWSA funciona como um ecossistema de softwares de gestão integrada. Desde o começo de 2020, quando abriu o capital na B3, a companhia passou por três ciclos.

O primeiro foi de expansão agressiva – e, por vezes, exagerada, na visão de analistas – por meio M&As (fusões e aquisições) entre 2020 e 2022. Com a estratégia, a empresa ganhou escala, mas viu as margens serem “corroídas”.

O segundo ciclo foi marcado pela busca por sinergias até 2024, em busca de rentabilidade.

Os números mais recentes divulgados em agosto, referente ao trimestre entre abril e junho, apontaram o novo momento da companhia – os dados do terceiro trimestre serão divulgados no próximo dia 13 de novembro.

“No segundo trimestre, divulgamos o melhor crescimento dos últimos dois anos. No core da nossa operação para crescimento, que é o e-commerce, crescemos 15,4% – acima da expansão do mercado”, afirmou Rafael Chamas, CEO desde janeiro deste ano, depois de ter ocupado a posição de CFO por quase nove anos.

A receita consolidada chegou a R$ 370,8 milhões, uma alta de 10,4%. O lucro líquido ficou em R$ 15,8 milhões, queda de 13,7%, na comparação na base anual. O caixa livre fechou o período em R$ 102,7 milhões.

“Nós voltamos a crescer muito bem, a rentabilidade se recuperou e, principalmente, transformamos rentabilidade em geração de caixa. Estamos muito animados com o aumento da empresa”, disse Chammas.

A retração no lucro líquido esteve associada a eventos como o pagamento de earnouts de companhias adquiridas.

O novo momento acompanha um processo de simplificação da organização.

A empresa, por exemplo, acaba de vender por R$ 45 milhões a Wake Creators, uma divisão de marketing de influência – composta por empresas como All In, Tray Corp, Samurai Experts, Ideris, Síntese e Squid – que não conseguiu tração entre os clientes PMEs (pequenas e médias empresas).

O CEO disse que a reorganização contribuiu para destravar sinergias de custo e, ao mesmo tempo, acelerar as capturas de sinergias entre os produtos.

A estratégia incluiu a expansão de serviços financeiros – a operação processa mais de R$ 1 bilhão em TPV (volume total de pagamentos) mensal – e logísticos, além do lançamento da Wake, plataforma voltada para clientes maiores como a varejista de moda Shoulder.

Os próximos passos passam pelo crescimento orgânico da companhia, em busca de eficiência operacional entre as marcas, segundo o CEO.

“O foco é totalmente dentro de casa. É o momento em que conseguimos alavancar muito ainda a performance da empresa, seja em receita ou rentabilidade, com os ativos em que investimos no ciclo de 2021 e 2022. E buscamos capturas de sinergias para ampliar o retorno sobre o capital alocado.”

O efeito dessas ações, até aqui, tem apresentado impacto limitado sobre o valor das ações, negociadas em torno de R$ 3,80. Desde o começo do ano, os papéis avançam pouco mais de 17%. Desde a data do IPO, houve perda de mais de 24%.

Com dinheiro em caixa, a LWSA tem feito rodadas de recompras de ações, com o desembolso de quase R$ 170 milhões até o momento.

“Sem sombra de dúvidas, nós iremos nos beneficiar da melhora esperada do cenário macro. O que temos feito é entregado cada vez um resultado mais consistente”, afirmou o CEO.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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