Parte 2′ é um completo desastre

Quando a trama finalmente parece se mover para algum lugar, “Wicked: Parte 2” expõe, por fim, seu calcanhar de Aquiles: o emparelhamento da trama com “O Mágico de Oz”. A chegada de Dorothy, quando sua casa é trazida em um ciclone, apimenta a trama ao sugerir alguma rivalidade entre Glinda e Elphaba – a primeira descobre que seu amor está caído por outra, a segunda quer os sapatos de sua mãe de volta. Ao longo do caminho, o filme também revela as origens do Leão Covarde, do Homem de Lata e do Espantalho. Até aí, tudo bem.

O problema é que absolutamente nada disso tem qualquer relação com o conflito principal de “Wicked” ou com a fricção entre suas protagonistas. É um ruído incômodo, uma artimanha que insiste na comparação das histórias, ao mesmo tempo em que relega toda a trama de “O Mágico de Oz” para as sombras. Cenas supostamente cruciais para a história ocorrem fora de nosso campo de visão. Personagens que são parte do zeitgeist há quase 90 anos se comportam como estranhos – aqui, o Homem de Lata é um sujeito movido pelo ódio. Canhestro, para dizer o mínimo.

Este mal-estar narrativo, sejamos honestos, já fazia parte da estrutura de “Wicked” como livro e, depois, como musical. Nos palcos, contudo, a natureza lúdica do espetáculo, e a força das canções executadas ao vivo, mitigavam a estranheza em ter duas histórias que supostamente seriam as mesmas conduzidas como se estivessem em planetas diferentes. Em vez de adaptar a trama de verdade e contornar o abacaxi narrativo com soluções mais espertas, mesmo que desviassem das engrenagens do musical, Jon M. Chu preferiu fazer um copy/paste e insistir no erro.

Elphaba (Cynthia Erivo) observa a destruição causada pela chegada de Dorothy a Oz Imagem: Universal

Não que Chu seja lá um grande cineasta. “Wicked: Parte 2” é conduzido com desleixo. Cenas de suposto impacto emocional são apresentadas com a profundidade de um vazamento no banheiro. Como a derrocada de Nessa (Marissa Bode), irmã invejosa de Elphaba. Ou a virada dramática experimentada por Fiyero (Jonathan Bailey) entre um filme e outro que fica por conta da imaginação do público. Sem falar no casting de Michelle Yeoh como a poderosa Madame Morrible, um equívoco que “Parte 2” deixa mais evidente.

Talvez as derrapadas fossem freadas se “Wicked” fosse traduzido para o cinema como um único filme. Seria uma forma de ressaltar seus pontos fortes – o encontro entre Glinda e Elphaba e o trabalho brilhante de suas intérpretes – e não dar holofote a seus infortúnios. Na sanha em ouvir o tilintar das caixas registradoras, contudo, a produção estica em um seminário o que poderia ter sido um tweet. Ao celebrar o excesso, “Wicked: Parte 2” se mostra incapaz de desafiar a gravidade, espatifando-se desajeitadamente no chão.

Fonte: UOL

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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