Produção de mirtilo do Cerrado impulsiona turismo rural no DF | ASN Distrito Federal

Aos 40 anos, Leandra Alvarenga tomou uma decisão que mudaria radicalmente os rumos da sua vida e de sua família. Moradora de Águas Claras, advogada com carreira consolidada no setor financeiro, ela se viu diante de um ponto de inflexão: a busca por propósito, qualidade de vida e um trabalho que representasse algo mais do que metas e prazos. Foi assim que nasceu a Cerrado Blue, empresa de turismo rural e cultivo de mirtilo localizada na zona rural de Sobradinho, a partir de um pedaço de terra herdado por Leandra.

Hoje, aos 44 anos, Leandra olha para trás com orgulho e gratidão. “Foi um recomeço completo. A gente saiu do zero, sem experiência no campo, mas com uma vontade imensa de fazer dar certo”, resume.

O projeto, que começou com 2 mil plantas, segue em plena expansão e é fruto de uma decisão tomada a três: ela, o marido, Evaldo Alvarenga da Silveira, bombeiro militar, e a irmã, Zuilene Lima Soares, servidora pública, resolveram unir forças, mudar-se para o campo e começar uma nova vida.

A propriedade rural onde a Cerrado Blue foi instalada pertencia aos pais de Leandra, mas até poucos anos atrás era apenas um pedaço de terra deixado de lado. “Eu nem lembrava onde ficava esse lugar. A gente veio aqui um mês antes de tudo mudar e foi uma surpresa. Eu era urbana, muito urbana. Adorava visitar o campo, mas viver nele? Jamais imaginei”, relembra.

Foto: Cláudio Reis

Foi a partir do desejo de transformar aquele espaço em algo produtivo que a família visitou, em 2022, a AgroBrasília, feira agropecuária que é uma vitrine de inovação para o setor. Foi no evento, realizado no PAD/DF, que conheceram de perto o cultivo do mirtilo — fruta de alto valor agregado e propriedades funcionais reconhecidas. A partir daquele momento, o trio decidiu apostar nesse tipo de cultivo, mesmo sem saber ao certo por onde começar.

Apesar de parecer improvável cultivar uma fruta típica de regiões frias em pleno Cerrado, Leandra e os sócios descobriram que existem variedades específicas de mirtilo adaptadas a climas menos rigorosos. “Tem as variedades que são de clima mais frio, que é o caso do sul do país. E tem as variedades que são para clima não tão frio. E foi quando a gente descobriu que existiam essas variedades e que a nossa região atendia esse tipo de variedade”, detalha Leandra.

Sem uma cartilha pronta ou orientações específicas para a região, o cultivo foi sendo ajustado com base em pesquisas, testes e muitas trocas com técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater/DF) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A escolha do mirtilo, além de inusitada para o clima do Cerrado, exigiu uma curva de aprendizado longa. “Quando começamos, não sabíamos vender, não sabíamos precificar, não tínhamos marca. Tudo era zero”, recorda Leandra.

A primeira venda foi numa feira livre em Sobradinho, onde grande parte dos visitantes sequer sabia o que era a fruta. “As pessoas achavam estranho, diziam que o gosto era muito diferente do que estavam acostumadas. Mas ali percebemos o potencial de mostrar um produto diferenciado”, completa.

Mais do que fruta, Leandra entendeu que vendia saúde. “Muita gente consome mirtilo pelas propriedades nutricionais. Só que o nosso é diferente — tem sabor, frescor e textura. As pessoas se surpreendem quando provam direto do pé. Muitos que diziam não gostar, passaram a consumir”, pontua.

A produção da Cerrado Blue é totalmente artesanal e, atualmente, o trio tem trabalhado para expandir o cultivo para mais de 6 mil plantas. A colheita é feita com a ajuda de profissionais contratados pontualmente.

Os três sócios seguem atuando diretamente em todas as frentes do negócio — da produção à gestão.

Foto: Cláudio Reis

Empreender com propósito

A virada de chave para a profissionalização da Cerrado Blue veio com o Seminário Empretec, solução criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que, no Brasil, é promovido pelo Sebrae, capacitando empreendedores com foco em comportamento e estratégia. “Foi participando dessa atividade que compreendi o que é ser empreendedora. Sempre fiz as coisas do jeito que dava, mas decidi que, a partir dali, queria fazer como tem que ser feito. Foi um aprendizado de vida”, resume.

Atualmente, a marca caminha para a consolidação de sua agroindústria. A produção artesanal de geleias, sucos e doces à base de mirtilo, que já é feita, ganhará agora um espaço regularizado para processamento, o que permitirá entrar de vez em mercados mais amplos. As vendas ainda são feitas diretamente pelo WhatsApp e Instagram, de forma personalizada.

Além da produção do mirtilo, a Cerrado Blue também se destaca por receber famílias para vivências no campo. A proposta de turismo rural da empresa não é só educativa, mas também sensorial. Ao visitar a Cerrado Blue, os clientes aprendem sobre o cultivo e conhecem de perto o cuidado por trás de cada fruto. “Tem gente que nunca viu uma fruta sendo colhida. Aqui, elas colhem, provam e percebem a diferença”, observa Leandra.

Foto: Cláudio Reis

A visita à feira internacional Fruit Attraction, na Espanha, também trouxe uma nova perspectiva. Leandra e os sócios perceberam que o mirtilo é uma fruta valorizada mundialmente, mas ainda pouco reconhecida na produção nacional. “A demanda é imensa, e a qualidade do que produzimos aqui no Cerrado é muito superior a de muitos países exportadores. Estamos em um ponto estratégico para crescer e por isso temos nos dedicado a estudar formas de plantio e colheita’’, assegura.

Para Leandra, empreender no campo é mais do que um negócio. É uma missão. E mesmo com os desafios — como o tempo, o investimento e a incerteza —, ela garante que a escolha valeu a pena. “Descobri que o tempo é um presente. Hoje eu respiro. Eu vivia no automático, e agora vivo com intenção. Trabalhar com a terra te ensina isso: plantar, esperar, colher. É um ciclo que te obriga a respeitar o tempo das coisas”.

A expectativa da empreendedora é fazer com que a Cerrado Blue siga crescendo, ampliando a produção e, principalmente, promovendo a valorização do mirtilo produzido no Cerrado brasileiro. “As pessoas ainda não conhecem o poder dessa fruta. Mas quando conhecem, se apaixonam”, conclui.

Serviço – Cerrado Blue

WhatsApp: 61 9 9143-7890

Redes Sociais: @cerradoblue, no Instagram



Fonte: SEBRAE

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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