Um médico da Califórnia foi condenado a dois anos e meio de prisão nesta quarta-feira (3) por fornecer ilegalmente cetamina ao ator Matthew Perry, estrela da série “Friends”, poderoso sedativo que causou a morte do ator por overdose em 2023.
O profissional Salvador Plasencia, 44 anos, que administrava uma clínica de atendimento de urgência nos arredores de Los Angeles, declarou-se culpado em um tribunal federal em julho por quatro acusações de crime grave relacionadas à distribuição ilegal do anestésico de prescrição. Ele poderia ter enfrentado até 40 anos de prisão pelo crime.
Perry foi encontrado por seu assistente residente boiando de bruços e sem vida na jacuzzi de sua casa em Los Angeles em 28 de outubro de 2023. Ele tinha 54 anos. Um relatório de autópsia concluiu que o ator morreu pelos “efeitos agudos da cetamina”, que, combinados a outros fatores, fizeram com que ele perdesse a consciência e se afogasse.
A cetamina é um anestésico de ação curta com propriedades alucinógenas, às vezes prescrito para tratar depressão e outros transtornos psiquiátricos. Ela também tem sido amplamente usada de forma abusiva como droga recreativa.
Plasencia, que renunciou à sua licença médica em setembro, admitiu como parte de seu acordo judicial que, nas semanas que antecederam a morte de Perry, ele havia aplicado injeções de cetamina no ator em várias ocasiões na casa dele e, uma vez, no banco de trás de um carro estacionado.
Perry havia reconhecido publicamente décadas de abuso de substâncias, incluindo durante os anos em que estrelou como Chandler Bing na famosa série da NBC dos anos 1990, “Friends”.
De acordo com autoridades federais, Perry estava recebendo infusões de cetamina para tratar depressão e ansiedade em uma clínica onde acabou se viciando na droga.
Quando os médicos da clínica se recusaram a aumentar sua dosagem, ele “recorreu a prestadores de serviços inescrupulosos dispostos a explorar sua dependência como forma de ganhar dinheiro rápido”, disseram as autoridades.
Plasencia, que exercia a medicina no subúrbio de Los Angeles, Calabasas, disse que foi apresentado a Perry por um paciente que conhecia o ator e obteve a cetamina com outro médico, o co-réu Mark Chavez, de San Diego. Segundo documentos judiciais, Plasencia chegou a mandar uma mensagem para Chavez sobre Perry, escrevendo: “Fico pensando quanto esse idiota vai pagar.”
Em poucas semanas, Perry estava morto por uma overdose de cetamina fornecida por outra ré — uma traficante conhecida como “Rainha da Cetamina” — e aplicada pelo assistente pessoal do ator, Kenneth Iwamasa.
“Você e outros ajudaram Perry a permanecer no caminho que levou a esse desfecho, continuando a alimentar seu vício”, disse a juíza distrital Sherilyn Peace Garnett antes de condenar Plasencia a 30 meses de prisão e a uma multa de US$ 5.600 cerca de R$ 29,7 mil na cotação atual.
Ao se dirigir ao tribunal antes da sentença ser imposta nesta quarta-feira, em meio aos soluços audíveis de sua mãe e dos familiares de Perry, Plasencia expressou remorso e disse assumir total responsabilidade por suas ações.
“Eu falhei com Perry, falhei com sua família e falhei com a comunidade”, declarou no tribunal, antes de se virar diretamente para os familiares de Perry sentados na sala e acrescentar: “Sinto muito”.
Em uma declaração de impacto da vítima apresentada anteriormente no processo, a mãe de Perry, Suzanne Morrison, afirmou: “Existe um juramento que os médicos fazem, e acho que isso foi completamente esquecido”. “Quero que você veja que esta é a mãe”, respondeu Plasencia olhando diretamente para a Suzanne e acrescentou que foi “muito errado ter feito isso”.
Outros quatro réus — Chavez, 55; Iwamasa, 60; Jasveen Sangha, 42, também conhecida como “Rainha da Cetamina”; e o intermediário Erik Fleming, 56 — declararam-se culpados em conexão com a morte de Perry e devem ser sentenciados nas próximas semanas.




