Ex-COO da ‘Shopify chinesa’ capta US$ 15 mi e mira PMEs brasileiras

Bloomberg Línea — O Brasil convive com uma entrada expressiva de companhias chinesas nos últimos anos. Em geral, são negócios já estabelecidos no país asiático. Não é o caso da Dealism, uma startup recém-criada, com sede em Singapura. A empresa agora captou US$ 15 milhões – o equivalente a R$ 80 milhões – e pretende fazer do Brasil um dos seus principais mercados.

Fundada por Leo Huan, ex-COO da Youzan — conhecida como a “Shopify da China” e primeira empresa de SaaS listada em bolsa no país asiático —, o negócio aposta em inteligência artificial aplicada a vendas em canais de conversa, principalmente WhatsApp e Instagram. A rodada foi liderada pela GL Ventures, com participação da HSG e Linear Capital.

O diferencial da startup está no conceito de “vibe selling”, que se propõe a fazer a análise de intenção, emoção e contexto nas mensagens para automatizar negociações com clientes.

“A diferença fundamental entre vibe selling e chatbots tradicionais é que, primeiro, é muito fácil de configurar — leva de cinco a dez minutos para usar sozinho. E, segundo, ele fala como você, fala como humano”, afirma Huan, que deixou a Youzan no começo de 2025 para empreender.

O executivo chinês explica que a conversa entre vendedor e comprador é mais complexa do que parece. “É mais como um modelo de ataque e defesa. Não é apenas responder perguntas. Os vendedores sempre tentam atacar o modo defensivo dos clientes e ganhar confiança. É mais como um diálogo psicológico com vários padrões”, diz.

A plataforma incorpora centenas de estratégias de vendas baseadas nas melhores experiências de vendedores, segundo o fundador, que liderou equipes com mais de 3.000 vendedores na época da Youzan.

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“Quando os compradores têm medo do custo, eles tendem a adiar o negócio. Eles acham que o produto é caro e sempre querem desistir do acordo. Existem vários padrões assim. Estamos tentando incorporar essas estratégias de vendas em nossos agentes”, afirma Huan, que também atuou como vice-presidente da Hillhouse Capital e investiu em empresas como o Zoom.

Brasil como mercado prioritário

A escolha das Américas como o principal mercado para a Dealism acompanha um raciocínio de que a região passa por um processo semelhante ao vivido pela China com o WeChat, o superapp da gigante Tencent que domina as relações sociais e comerciais digitais no país asiático.

Por aqui, isso acontece com o WhatsApp e o Instagram, dadas as devidas proporções. Maior economia da América Latina e um dos países com mais rápida adoção tecnológica no mundo, o Brasil é visto como um dos mercados prioritários para o sucesso da startup, logo atrás dos Estados Unidos.

“O Brasil tem uma das maiores taxas de adoção de WhatsApp globalmente. As pessoas não o utilizam apenas como uma ferramenta social, mas como um sistema de operação de negócios”, afirma. “E tem uma comunidade ampla de vendedores independentes, criadores e proprietários de pequenos negócios dispostos a abraçar novas tecnologias.”

Nos últimos meses, após um soft launch em julho e a abertura em dezembro, a startup superou a marca de 10 mil usuários registrados na plataforma – em torno de 70% são brasileiros. O foco inicial está em provedores de serviços locais — escolas, instituições de saúde, agências de marketing e empresas de software e IA.

Huan reconhece as diferenças entre o ecossistema do WeChat na China e o WhatsApp no Brasil, especialmente em integrações de pagamento. “Não estamos servindo apenas comerciantes de e-commerce. Nossos principais clientes-alvo são provedores de serviços locais que já usam WhatsApp como ferramenta de comunicação com clientes potenciais”, diz.

As limitações, segundo o fundador, devem ser superadas ao longo do tempo com o uso de ferramentas como o Pix e mesmo a evolução de produtos como criptomoedas e stablecoins.

Dos US$ 15 milhões recebidos na rodada de investimento, cerca da metade deve ser direcionado para a América Latina, nesse processo de expansão. Além do Brasil, a startup aposta no México, Colômbia e Argentina.

A operação roda a partir de Singapura e a startup pretende manter uma equipe enxuta, priorizando o uso de agentes de AI em diversas funções, como vendas e suporte aos clientes. Sem escritório no Brasil, o fundador pretende vir ao país nos próximos meses e diz que deve ter novos profissionais no país.

Os recursos captados, além do uso para refinar a base tecnológica da startup, também podem ser usados para acelerar o crescimento a partir de aquisições, um caminho no radar de Huan.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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