IPCA-15 reforça expectativas de corte de juros apenas em março, dizem economistas

Bloomberg Línea — O IPCA-15 de dezembro reforçou a leitura de que o início dos cortes de juros pelo Banco Central deve ficar apenas para março, segundo a avaliação de alguns economistas.

A prévia da inflação avançou 0,25% no mês, em linha com as expectativas de analistas consultados pela Bloomberg, e levou o acumulado de 12 meses a 4,41%, abaixo do teto da meta do Banco Central, mas ainda distante do centro de 3%.

O resultado confirmou um padrão observado ao longo de 2025: alívio em componentes de alimentos e bens industriais, convivendo com uma inflação de serviços resistente, que continua a limitar o espaço para uma flexibilização da política monetária.

Leia também: Dólar e eleições vão ditar o ritmo de cortes de juros, diz economista da G5 Partners

A leitura do IPCA-15 de dezembro foi marcada por fatores sazonais, como a alta de passagens aéreas e de serviços ligados a turismo e lazer, enquanto alimentos no domicílio e bens industriais voltaram a registrar deflação, ainda sob efeito residual dos descontos da Black Friday.

O problema, na avaliação de analistas, está menos no número cheio e mais na composição. Para o Daycoval, “os itens intensivos em trabalho, que são mais sensíveis aos ciclos, mostraram aceleração com relação ao mês anterior e ainda em patamar elevado”, disse o economista Antonio Ricciardi, em comentário a clientes. O comportamento reforça a necessidade de cautela por parte do Banco Central.

Na mesma linha, a XP destacou que “as métricas de serviços surpreenderam para cima, com reaceleração nos indicadores”, em um movimento consistente com a força do mercado de trabalho.

“A decomposição do IPCA-15 de dezembro veio levemente pior do que o esperado, reforçando nossa avaliação de que o Copom deve iniciar o ciclo de flexibilização apenas em março”, disse o economista Alexandre Maluf, em relatório.

O PicPay também manteve a leitura de que o corte de juros terá como início o mês de março, ressaltando “a ausência de elementos que forneçam uma perspectiva mais positiva para o desempenho do IPCA, especialmente no caso dos preços de serviços”, disse o banco em relatório assinado pelo economista Matheus Pizzani.

Por outro lado, a gestora Galapagos Capital manteve a expectativa de corte em janeiro, mas reforçou que ainda “será necessário a desaceleração da inflação de serviços” para que isso ocorra.

“Esse processo de desinflação com resiliência da inflação de serviços mantém o Bacen em posição desconfortável para iniciar corte de juros”, disse Tatiana Pinheiro, economista-chefe da gestora, em comentário a clientes.

Inflação resiliente

Ao longo de 2025, a inflação mostrou trajetória de desaceleração, conforme analisado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em sua carta de conjuntura mais recente, impulsionada principalmente pela melhora nos preços de alimentos e por um comportamento mais benigno dos bens industriais.

Esse processo, ajudado pela queda do dólar ao longo do ano, no entanto, foi incompleto. O instituto apontou que a persistência da inflação de serviços — especialmente os componentes mais ligados à renda e ao emprego — manteve o índice em patamar elevado ao longo do ano, criando um cenário de desinflação lenta e desigual entre os grupos.

O IPCA-15 de dezembro, ao encerrar o ano com inflação acima de 4%, reforçou essa leitura.

O Itaú vai na mesma direção. Embora o resultado do IPCA-15 tenha ficado abaixo da projeção do banco, a economista Luciana Rabelo observou que “apesar do headline mais baixo, o componente qualitativo veio pior do que o esperado, com pressões altistas disseminadas tanto em serviços subjacentes quanto em industriais subjacentes”.

O banco ressalta que, na média móvel trimestral dessazonalizada e anualizada, os serviços subjacentes aceleraram para 5,8%.

As expectativas captadas pelo Boletim Focus reforçam esse pano de fundo. A mediana das projeções para o IPCA de 2025 recuou para 4,33%, enquanto a estimativa para 2026 caiu para 4,06%, ambas ainda acima do centro da meta, segundo o relatório divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (22).

Nos horizontes mais longos, as expectativas seguem próximas de 3,8% para 2027 e 3,5% para 2028, indicando uma convergência apenas gradual.

Leia também

Inflação no Brasil deve diminuir gradualmente a partir de 2026, projeta OCDE

O que esperar para o dólar em 2026, segundo Bank of America, Citi e Itaú

BofA espera ano positivo em bolsa e M&A no Brasil em 2026, diz presidente para LatAm



Bloomberglinea

Obrigado por acompanhar nossas publicações. Nosso compromisso é trazer informação com seriedade, clareza e responsabilidade, mantendo você sempre bem informado sobre os principais acontecimentos que impactam nossa cidade, região e o Brasil. Continue nos acompanhando e participe deixando sua opinião — sua voz é essencial para construirmos juntos um jornalismo mais próximo do leitor.

Ismael Martins de Souza Costa Xavier

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur.

The most complete solution for web publishing

Fique sempre com a gente! Nosso jornal traz informação em tempo real, com credibilidade e proximidade. Acompanhe, compartilhe e faça parte dessa história.

Agradecemos a você, leitor, por nos acompanhar e confiar em nosso trabalho. É a sua presença que nos motiva a seguir levando informação com seriedade, clareza e compromisso. Seguiremos juntos, sempre em busca da verdade e da notícia que faz diferença no seu dia a dia.

Jornalista:

Compartilhe esta postagem:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *