Netflix lança documentário sobre assassinato de Fernando Baez Sosa

O que era para ser uma viagem de férias entre amigos se transformou em um dos casos mais ruidosos da crônica policial argentina da última década. Em janeiro de 2020, o jovem Fernando Baez Sosa, de 18 anos, foi a uma casa noturna na cidade litorânea de Villa Gesell acompanhado de amigos. Após um mal-entendido com outros frequentadores, ele foi cercado na saída do local por um grupo que o espancou durante 50 segundos, um tempo curto, mas suficiente para levá-lo a óbito. Toda a selvageria foi registrada por celular, o que ajudou a identificar os criminosos, uma turma formada por dez jogadores de rúgbi com idades entre 18 e 20 anos.

Essa tragédia é revistada na série documental “50 Segundos: O Caso Fernando Baez Sosa”, que a Netflix lançou recentemente, mas passou despercebida pelo grande público. Além da crueldade e covardia, o assassinato chocou a Argentina pela frieza dos envolvidos, que saíram caminhando tranquilamente da cena do crime. Parte do grupo terminou a noite comendo sanduíches em uma famosa rede de fast food como se nada tivesse acontecido. Pareciam certos que sairiam impunes de tudo que fizeram. O que eles não esperavam era que vídeos da agressão viralizassem rapidamente nas redes sociais e disparassem uma investigação imediata que, desde o início, foi acompanhada pela opinião pública que demandava justiça imediata.

Em três episódios, a série permite que espectador tenha um panorama sobre preconceitos enraizados na Argentina. Ao detalhar o caso, a produção deixa claro que Fernando foi escolhido como alvo da fúria dos jogadores de rúgbi por questões raciais. Filho de imigrantes paraguaios e bolsista numa escola privada, o jovem era o único de sua turma de amigos que não tinha traços europeus e que era oriundo de uma classe social mais baixa. Ele era um alvo fácil para um grupo de jovens descontar sua agressividade e reafirmar a própria masculinidade através da violência. Espancar Fernando soa quase como uma resposta desse grupo de jogadores de rúgbi, formado por jovens brancos e com certa condição financeira, que não toleram dividir espaços com pessoas que não são como eles.

Fonte: UOL

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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