Diluição monstro: Azul emite mais de 1 trilhão de ações para transformar credores em acionistas

Publicidade

A Azul conclui nesta terça-feira (6) um aumento de capital de R$ 7,44 bilhões, em mais uma passo para a saída de seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos. A companhia áerea emitiu mais de 1 trilhão de novas ações, em uma operação desenhada para converter credores em acionistas e reduzir seu endividamento.

Se por um lado, a operação aliviou a estrutura de capital, por outro acabou gerando uma diluição de 90% sobre os atuais investidores. Por conta disso, as ações da Azul desabaram 54% na B3 nesta quarta-feira (7), refletindo esse ajuste.

A Azul foi a terceira entre as grandes companhias aéreas brasileiras a recorrer ao Chapter 11, após enfrentar dificuldades financeiras agravadas no pós-pandemia. O pedido de proteção judicial foi apresentado no fim de maio do ano passado, com a empresa alegando ter uma dívida que ultrapassa os R$ 40 bilhões. A expectativa é concluir a RJ nos primeiros meses deste ano.

As novas ações começam a ser negociadas na B3 a partir desta quinta-feira (8). As ações ordinárias (com maior peso de voto em assembleias) serão negociadas sob o código AZUL53, enquanto as preferenciais (que recebem mais dividendos) passarão a ser negociadas como AZUL54, informou a companhia.

No aumento de capital, a Azul aprovou a emissão de 723.861.340.715 ações ordinárias e 723.861.340.715 ações preferenciais, a preços simbólicos de R$ 0,00013527 por ação ordinária e R$ 0,01014509 por ação preferencial.

A operação tem como objetivo converter o valor principal de títulos de dívida emitidos no exterior — as Senior Notes com vencimentos em 2028 (Notas 1L), 2029 e 2030 (Notas 2L). Com a capitalização, o capital social da Azul passa a ser de R$ 14,5 bilhões.

Diluição

Na prática, uma emissão desse tamanho redesenha completamente a base acionária da Azul.

Hoje, o fundador da companhia, David Neeleman, detém cerca de 2,8% do capital, concentrados majoritariamente em ações ordinárias — que representam 67% de sua posição. Os antigos acionistas da Trip têm 1,67%, sendo 33% em ações ordinárias, enquanto a United Airlines possui 2,02% do capital, composto exclusivamente por ações preferenciais — o equivalente a 2,08% desse tipo de papel.

Com a emissão de aproximadamente 1,45 trilhão de novas ações, a diluição dos acionistas existentes supera 90%, segundo estimativas de mercado. Além da perda relativa de participação, o mercado também monitora o risco de pressão vendedora com a estreia dos novos papéis, em um movimento típico de arbitragem entre o preço de subscrição — extremamente baixo — e o valor de negociação em bolsa.

Para Reydson Matos, estrategista de ações da NMS Research, embora a reestruturação fortaleça o caixa e alivie a estrutura de endividamento, o cenário segue “nebuloso” para o acionista minoritário. Ele aponta o risco de uma dinâmica semelhante à observada no caso da Gol, em que a forte queda dos preços após a capitalização frustrou parte dos investidores.

Pelo acordo de reestruturação, além da conversão da dívida em ações, United Airlines e American Airlines também se comprometeram a realizar investimentos de US$ 100 milhões cada. A depender da estrutura final dessas injeções de capital, as duas companhias americanas podem emergir do processo como acionistas relevantes da Azul.

Retorno à geração de caixa

O processo de reestruturação sob o Chapter 11 reduziu em mais de US$ 2,6 bilhões as dívidas financeiras e obrigações de leasing — contratos de aluguel de aeronaves — da Azul, segundo o CEO da companhia, John Rodgerson. Quando entrou com o pedido de proteção judicial nos Estados Unidos, em maio de 2025, a aérea carregava passivos totais da ordem de US$ 9,6 bilhões, o que ajuda a dimensionar a profundidade da crise enfrentada pela empresa.

Em entrevista à Bloomberg em dezembro de 2025, Rodgerson afirmou que o plano de reestruturação deve gerar uma economia anual de cerca de US$ 200 milhões em despesas com juros, abrindo espaço para que a companhia volte a gerar caixa já a partir de 2026.

“O fluxo de caixa da empresa melhorou significativamente”, disse Rodgerson. “Geraremos caixa em 2026. Geraremos caixa em 2027. Esse é o plano”.

John Rodgerson, CEO da Azul Linhas Aéreas
John Rodgerson, CEO da Azul Linhas Aéreas. Foto: Divulgação

Ainda de acordo com o executivo, o objetivo da companhia é concentrar seus esforços nas rotas domésticas, segmento em que a Azul tem participação relevante, mas tem sido afetada pela concorrência da Latam. A Azul anunciou no segundo semestre de 2025 o encerramento da rota Viracopos-Paris, que havia lançado poucos anos antes.

Na entrevista, no entanto, Rodgerson afirma que a companhia pretende explorar os voos para os Estados Unidos neste ano, por causa da Copa do Mundo de 2026, evento da Fifa que, além dos EUA, acontecerá no México e no Canadá.

Fonte: Invest News

Obrigado por acompanhar nossas publicações. Nosso compromisso é trazer informação com seriedade, clareza e responsabilidade, mantendo você sempre bem informado sobre os principais acontecimentos que impactam nossa cidade, região e o Brasil. Continue nos acompanhando e participe deixando sua opinião — sua voz é essencial para construirmos juntos um jornalismo mais próximo do leitor.

Ismael Martins de Souza Costa Xavier

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur.

The most complete solution for web publishing

Fique sempre com a gente! Nosso jornal traz informação em tempo real, com credibilidade e proximidade. Acompanhe, compartilhe e faça parte dessa história.

Agradecemos a você, leitor, por nos acompanhar e confiar em nosso trabalho. É a sua presença que nos motiva a seguir levando informação com seriedade, clareza e compromisso. Seguiremos juntos, sempre em busca da verdade e da notícia que faz diferença no seu dia a dia.

Jornalista:

Compartilhe esta postagem:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *