Não é só petróleo: minerais críticos entram no cálculo dos EUA na queda de Maduro

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O petróleo não foi o único fator por trás da decisão do presidente Donald Trump de derrubar o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Os minerais críticos do país também não devem ser ignorados como possível motivação estratégica para a mudança de regime.

Embora o petróleo concentre a atenção, os EUA têm abundância do recurso — talvez até em excesso. O que o país não possui em quantidade suficiente são os minerais essenciais para sustentar a expansão da inteligência artificial.

Ao longo de 2025, o governo americano interveio diretamente em setores considerados estratégicos para garantir liderança em IA, segundo analistas do Bank of America. Em julho, o Pentágono concedeu US$ 900 milhões à produtora de terras raras MP Materials para financiar a construção de uma nova fábrica doméstica de ímãs e ampliar sua capacidade de mineração e processamento.

A corrida por minerais tornou-se ainda mais urgente depois que a China, responsável por cerca de 85% da capacidade global de processamento, restringiu as exportações de terras raras no ano passado.

Analistas afirmam que o interesse de Trump em aproximar a Groenlândia da esfera de controle americana também está ligado ao acesso a seus depósitos minerais — e esse cálculo provavelmente pesou na decisão sobre a incursão dos EUA na Venezuela.

“Você tem aço, tem minerais, todos os minerais críticos — eles têm uma grande tradição de mineração que acabou enferrujando”, disse o secretário de Comércio, Howard Lutnick, ao comentar a Venezuela no fim de semana passado.

As dificuldades

O problema é que a Venezuela não possui tantos minerais estratégicos quanto alguns de seus vizinhos. E extrair os que existem — como ouro, níquel, bauxita (usada na produção de alumínio) e coltan (empregado em dispositivos eletrônicos) — pode dar mais trabalho do que retorno, segundo Christopher Ecclestone, estrategista de mineração da Hallgarten & Company.

Com exceção do ouro, a maior parte desses minerais tem baixo valor relativo. Os preços da bauxita e do níquel ficam muito abaixo dos de cobre, lítio ou até estanho, amplamente explorados em países como Brasil e Chile.

Mesmo o ouro apresenta entraves. Grande parte das jazidas venezuelanas está concentrada no Arco Minero del Orinoco, uma região remota e coberta por floresta, dominada por redes ilícitas e grupos armados. Para empresas estrangeiras, o risco operacional é alto e não há garantia de retorno, segundo Ecclestone.

“Se você acha que vai encontrar um pote de ouro ou de terras raras no fim do arco-íris, pode acabar passando muito tempo vagando pela selva”, disse.

Vez da América do Sul

Apesar disso, a ação militar dos EUA na Venezuela evidencia que o apetite do governo americano por minerais críticos está longe de ser saciado. Reafirmar a esfera de influência dos EUA nas Américas — e afastar a China da região — sugere que Washington continuará priorizando o acesso a recursos estratégicos na América Latina.

“A América do Sul está repleta de materiais críticos, minerais e metais. Não há como um governo que defende a ideia de ‘controlar o comércio em nossa parte do mundo’ simplesmente ignorar o continente”, disse Jack Lifton, co-presidente do Critical Minerals Institute.

A região oferece vasto potencial. O Brasil é um dos maiores produtores globais de minério de ferro e possui grandes — ainda pouco exploradas — reservas de terras raras e manganês. Bolívia e Argentina concentram algumas das maiores reservas de lítio do mundo, enquanto Peru e Chile operam uma parcela significativa das minas globais de cobre.

A recente alta nos preços à vista de cobre e lítio impulsionou o setor de materiais no Chile, ajudando o mercado acionário local a superar seus pares na América Latina. As ações da Sociedad Química y Minera de Chile (SQM) subiram quase 90% em 12 meses. Mesmo assim, o papel negocia a pouco menos de 19 vezes o lucro projetado, levemente acima da média do ETF global de metais e mineração (15 vezes).

Segundo estrategistas do HSBC, os papéis chilenos ainda podem se beneficiar de novas altas no lítio e no cobre em 2026, mas com o índice local acima da média histórica de dez anos, há “melhor valor em outros mercados da América Latina”.

Empresas como Freeport-McMoRan e Hudbay Minerals, com grandes projetos de cobre no Peru e expansão no Chile, são citadas como oportunidades. Analistas estimam crescimento de lucro por ação de 54% e 67%, respectivamente, até o fim do ano fiscal de 2026. A Hudbay aparece como opção mais barata (P/L de 15, contra 22 da Freeport). O Bank of America recomenda compra para ambas.

Além da mineração

Segundo Lifton, o desafio de gerar lucro na própria mineração é elevado. Por isso, empresas mais próximas da etapa de refino e processamento podem oferecer melhores perspectivas. Muitas dessas companhias ainda são privadas, mas merecem atenção — como Gadolyn e Phoenix Tailings.

Fora da América do Sul, investidores também podem buscar empresas listadas focadas em minerais críticos, como MP Materials e USA Rare Earth. Com apoio do governo americano, a MP virou queridinha do mercado: suas ações mais que triplicaram em 12 meses, e todos os 16 analistas que acompanham o papel recomendam compra, segundo a FactSet.

Em resumo: embora a indústria mineral da Venezuela possa acabar sendo um “ouro de tolo”, o restante da América Latina pode muito bem ser a galinha dos ovos de ouro que investidores e governos estão procurando.

Fonte: Invest News

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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