Em um segmento em que as margens são cada dia mais apertadas e há altos custos operacionais como o de food service, a conta de luz deixou de ser apenas uma despesa fixa e passou a ocupar papel estratégico na gestão de bares, restaurantes, lanchonetes, padarias, cafeterias, cozinhas profissionais e afins.
Afinal, dependendo do porte e perfil do estabelecimento de alimentação fora do lar, o consumo de energia pode representar entre 4% e 10% do faturamento mensal, o que impacta diretamente os resultados do caixa e da imagem do negócio.
Nesse contexto, saber trabalhar a eficiência energética para reduzir custos, aumentar a rentabilidade e tornar os negócios food service mais sustentáveis é essencial. Até porque, “em muitos casos, a energia elétrica está entre os maiores custos da operação food service, ao lado de insumos e mão de obra”, assinala João Braga Filho, Engenheiro Eletricista e Gerente de Gestão de Consumidores da Tradener, a primeira comercializadora de energia livre do Brasil.
Rodrigo Jacinto do Vale, Engenheiro de Eficiência Energética da Minum, que oferece plano de energia por assinatura com o objetivo de reduzir a conta de luz dos consumidores, acrescenta que, “de acordo com o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), no seu Relatório de Auditorias Energéticas publicado em 2021, uma unidade de restaurante e preparação de alimentação utiliza cerca de 195 kWh/m²/ano. Sendo assim, um restaurante de 30 m², consume cerca de 5.850 kWh/ano”, exemplifica.
Sendo assim, que tal aprender sobre COMO REDUZIR CUSTOS, AUMENTAR A RENTABILIDADE E TORNAR O NEGÓCIO MAIS RENTÁVEL E SUSTENTÁVEL aqui na REDE FOOD SERVICE?
É só conferir abaixo:
- O QUE MAIS CONSOME ENERGIA ELÉTRICA EM UM NEGÓCIO FOOD SERVICE?
- TROCAR EQUIPAMENTOS OU ADAPTAR OS EXISTENTES?
- NOVAS ALTERNATIVAS PARA TRABALHAR A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM UM NEGÓCIO FOOD SERVICE
- BOAS PRÁTICAS PARA TRABALHAR A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM UM NEGÓCIO FOOD SERVICE
O QUE MAIS CONSOME ENERGIA ELÉTRICA EM UM NEGÓCIO FOOD SERVICE?
O primeiro passo para conseguir reduzir custos, aumentar a rentabilidade e tornar o negócio food service mais sustentável em relação à sua eficiência energética é identificar o que mais consome energia elétrica. No entanto, de acordo com os especialistas entrevistados, normalmente, os principais vilões da conta de luz em estabelecimentos de alimentação fora do lar são os equipamentos usados nos processos essenciais da operação, o que torna essa missão ainda mais complexa.
Conforme Filho, da Tradener, “normalmente, os equipamentos responsáveis por refrigeração (climatização, geladeiras, freezers, etc.), bem como os equipamentos para aquecimento, como fritadeiras, aquecedores de água, máquinas lava louças, entre outros, são os que mais consomem”, alerta.
Vale, da Minum, destaca que “todos os equipamentos que envolvam aquecimento e resfriamento na sua operação são os maiores consumidores de energia no food service, como chapas (fritadeiras), fogões elétricos, fornos elétricos e sistemas de refrigeração, como câmaras frias, geladeiras, acondicionados, máquinas de sorvete, máquinas de refrigerante, esteiras, entre outros”, aponta.
TROCAR EQUIPAMENTOS OU ADAPTAR OS EXISTENTES?
Outro passo importante para promover a eficiência energética no food service é a decisão entre substituir equipamentos ou adaptar os já existentes, o que depende de uma análise mais técnica.
No geral, os especialistas entrevistados orientam que os equipamentos com mais de 10 anos de uso tendem a ser menos eficientes e a sua substituição é recomendada. Já em outros casos, melhorias pontuais, como retrofit e ajustes de vedação e isolamento térmico, podem ser suficientes.
Nesse sentido, Vale, da Minum, assinala que “a troca de resistências por tecnologias mais eficientes, como fogões a indução, são exemplos de retrofit que podem trazer bons resultados. A grande questão é o impacto que esse tipo de troca pode causar na cocção dos alimentos, já que pode alterar também o sabor e a textura dependendo do alimento a ser trabalhado. Entretanto, toda e qualquer ação deve ser justificável técnica-economicamente para fazer sentido dentro do budget do negócio food service”, explica.
Ou seja, também é fundamental avaliar o payback – indicador financeiro que mede o tempo necessário para um investimento se pagar – ao decidir pela troca ou adaptação dos equipamentos que consomem energia elétrica em um estabelecimento de alimentação fora do lar.
NOVAS ALTERNATIVAS PARA TRABALHAR A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM UM NEGÓCIO FOOD SERVICE
Até aqui, está claro que investir em eficiência energética é uma estratégia financeira no ramo food service, certo? Mas, mais do que isso, também é um investimento ambiental, já que a aposta em equipamentos mais eficientes e a promoção de uma operação food service bem planejada reduz o consumo de energia elétrica e suas fontes de origem para além do valor mensal da conta de luz.

Nessa conjuntura, alternativas como o mercado livre de energia e os modelos de energia compartilhada, ou por assinatura, são novas alternativas para os empresários do ramo de alimentação fora do lar. “No mercado livre, por exemplo, ao se escolher o próprio fornecedor de energia, é possível contratar fontes renováveis e mais sustentáveis, como solar, eólica e pequenas hidrelétricas. Esse tipo de aquisição pode gerar certificados de consumo de energia renovável em que o consumidor pode utilizar em campanhas e programas de sustentabilidade”, esclarece Filho, da Tradener.
Vale, da Minum, acrescenta que “a utilização de energia de forma eficiente implica em uma demanda menor do uso de energia do sistema de distribuição, cuja origem é predominantemente hídrica, mas também possui energia de origem fóssil fornecida pelas usinas termoelétricas a gás. Somado às ações de eficiência energética, a compra de energia compartilhada, ou energia por assinatura, a contratação de energia no mercado livre ou a geração de energia pelo próprio cliente (instalação de sistemas fotovoltaicos) são práticas sustentáveis devido ao fato dessas energias serem incentivadas e de baixo impacto ambiental”, enfatiza.
Também é válido realçar que a contratação de fontes renováveis de energia elétrica, como a solar e eólica, e a obtenção de certificados de energia limpa, como o I-REC (International Renewable Energy Certificate) – certificado digital global que comprova que uma quantidade específica de energia elétrica consumida veio de fontes renováveis -, reforçam o compromisso com práticas sustentáveis e a agenda ESG (Environmental, Social, and Governance) – conjunto de critérios que avalia o desempenho de uma empresa além do lucro, com foco em questões ambientais -, o que soma à imagem do negócio food service.
Além disso, segundo Vale, da Minum, hoje em dia, no Brasil, “existem linhas de créditos oferecidas pelo BNDES Finem (Meio Ambiente – Eficiência Energética) e FGEnergia (Fundo Garantidor para Crédito à Eficiência Energética) focados em empresas que desejam financiamento para implementar os Projetos de Eficiência Energética”, orienta.
Já em nível regional, o especialista ressalta que existem bancos de fomento para Eficiência Energética, “como o Banco do Nordeste (BNB) por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE); o Banco do Brasil (BB) por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO); Banco da Amazônia (Basa) por meio do produto Energia Verde; Sicredi, que oferece financiamento para Eficiência Energética para Pessoas Físicas; Banco Desenvolve SP por meio do Fundo de Aval para o Desenvolvimento da Eficiência Energética (FAEE); e a linha de crédito Economia Verde”, divulga.
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BOAS PRÁTICAS PARA TRABALHAR A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM UM NEGÓCIO FOOD SERVICE
Por fim, a pedido da nossa reportagem, os especialistas entrevistados deixam a seguinte lista de boas práticas para trabalhar a eficiência energética em um negócio food service:
- evite o uso intenso de equipamentos no horário de ponta, geralmente entre 18h e 21h nos dias úteis
- substitua equipamentos obsoletos (acima de 10 anos de uso)
- mantenha a manutenção em dia, seguindo sempre as orientações do fabricante
- evite ligar e desligar equipamentos de cocção repetidamente, o que aumenta o consumo
- reduza a abertura frequente de câmaras frias durante a operação
- invista em iluminação LED, que é mais eficiente e durável
- treine a equipe para o uso correto dos equipamentos
- invista em projetos de aproveitamento de calor de um processo para outro
- aposte na compra de energia no mercado livre, assinatura de energia compartilhada e na instalação de sistemas fotovoltaicos, que são ações que reduzem o consumo de energia elétrica e favorecem o meio ambiente
- instale os equipamentos em local adequado, com refrigeração adequada e protegido de intempéries climáticas
- não utilize produtos altamente corrosivos para a limpeza que possam comprometer a pintura, isolação e vedação dos equipamentos
- observe a classificação dos equipamentos no Selo PROCEL e escolha equipamentos com eficiência nível A (A+++, A++ ou A+)
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