Wagner Moura no Globo de Ouro une aqueles que sabem o que é sentir

A casa está silenciosa, nem um miado de gato ao longe. O bairro também — a classe média paulistana parece estar indiferente a Wagner Moura. E então vem o anúncio de melhor ator. A comentarista dá gritinhos e tenta recuperar o fôlego. Wagner também, em uma longa caminhada desde sua cadeira, nos recônditos do Hemisfério Sul da plateia, até o palco. No caminho, cumprimentos de Noah Wyle, de “The Pitt” (seria Adam Sandler?), o olhar de admiração de Paul Mescal e um beijinho de Julia Roberts — é de fato para poucos.

A nossa vitória parece sempre justa? Aquela tomada de ar e a metralhadora de um discurso consciente do tamanho daquele momento. O que você diria se o mundo inteiro estivesse olhando para você? Wagner disse que o trauma passa por gerações. Mas os valores também. Se a gente fala sobre as feridas políticas com arte, isso se propaga onde nem imaginamos.

Na sala vazia, o silêncio da vizinhança ecoa. Eu tento acordar os amigos para que a felicidade se compartilhe. Vejo os stories dos remanescentes que ainda estão ligados na TV como eu, provavelmente sozinhos. Criamos uma tácita e invisível rede de celebração — ufa, mais gente que sente a mesma coisa que eu. A alegria transbordante pelo êxito de um homem a quem conhecemos superficialmente e que aproveita seu triunfo para falar com a gente, o Brasil, na nossa língua. Olha aí a perna arrepiando outra vez.

Penso em gritar na janela, mas é 1h da manhã, meu filho acabou de dormir e acho a reação eufórica demais para mim. Recuo. Wagner está de volta ao seu lugar, George Clooney está em uma esquete autodepreciativa engraçada e eu sinto que todos eles são amigos de Wagner e são meus amigos também.

“O Brasil vai comemorar”, diz a transmissão em inglês do evento, ciente de nosso potencial festeiro. Na solidão da madrugada de segunda, cada um dos arrepiados, como eu, celebra à sua maneira. Meu filho acorda, abraçado ao dragão de pelúcia, reclamando de um pesadelo. Eu digo: “Ganhamos quase tudo, filho, foi lindo”. Ele sorri e fecha os olhos, caindo no sono de novo. Celebramos desse jeitinho até amanhecer.

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Fonte: UOL

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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