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A independência de Powell no Fed está morta ou é mais um truque de Trump?

A única coisa surpreendente no fato de o presidente Trump ter acionado investigadores federais para preparar uma possível denúncia criminal contra o altamente respeitado presidente do Federal Reserve, Jay Powell — ele próprio indicado por Trump — é alguém ainda se surpreender com essa notícia.

As ondas sequenciais e dramáticas de processos contra autoridades como seu ex-assessor de Segurança Nacional John Bolton, os ex-chefes do FBI James Comey e Christopher Wray, a procuradora-geral de Nova York Letitia James, o ex-chefe da CIA John Brennan, a diretora do Federal Reserve Lisa Cook, o ex-funcionário do Departamento de Segurança Interna Miles Taylor, o senador Adam Schiff, o chefe de cibersegurança Christopher Krebs e o ex-procurador especial Jack Smith, entre outros, são alarmantes.

Como mostram suas mensagens na Truth Social, Trump dirigiu pessoalmente tais processos, revelando a instrumentalização do Judiciário contra inimigos políticos percebidos.

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Alguns críticos veem isso como acessos impulsivos e emocionais da enlouquecida Rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas, gritando “cortem-lhe a cabeça” para qualquer um que a desagrade. O que essa leitura deixa passar é que essas ações são muito mais deliberadas, parte de um grande padrão tático.

As acusações contra Powell de que ele mentiu ao Congresso por causa de estouros de custos na reforma de prédios são ridículas e certamente serão rejeitadas nos tribunais.

Os alegados 40% de estouro podem até ser verdadeiros, mas não são criminosos, muito menos temerários. As reformas do Fed estão custando US$ 2,5 bilhões, 40% acima do orçamento por causa da inflação de custos, enquanto Trump admitiu no mês passado que sua própria demolição e construção de um novo salão de baile na Ala Leste da Casa Branca disparou para 200% acima do orçamento.

Isso é realmente impressionante, já que o projeto começou há apenas seis meses e Trump, como construtor, deveria saber estimar custos com precisão.

Os custos da reforma do Fed não estão fora do padrão, considerando que esta é a primeira reforma abrangente em cerca de 90 anos desde que o edifício Marriner Eccles foi construído, em 1937.

Em contraste, os prédios administrativos do Senado Hart, Russell e Dirksen e o prédio administrativo da Câmara Cannon passaram continuamente por grandes reformas ao longo das décadas.

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Além disso, independentemente da natureza desses estouros de custos comuns, nem um centavo disso vem de recursos dos contribuintes dos EUA.

O Fed está financiando essas reformas com seu próprio orçamento, já que é totalmente autossuficiente do ponto de vista operacional, financiado principalmente por sua própria renda de investimentos em títulos do Tesouro dos EUA que possui — não por verbas orçamentárias aprovadas pelo Congresso.

Emboscada que deu errado

Trump tentou emboscar Powell na TV nacional neste verão, durante uma visita ao canteiro de obras, mas a tentativa saiu pela culatra: Trump se constrangeu e Powell o corrigiu — a alegação de Trump de que as reformas haviam disparado para US$ 3,1 bilhões foi rapidamente desmentida pelo presidente do Fed, que apontou que esse valor incluía uma reforma separada, já concluída, de outro prédio.

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À primeira vista, Trump está irritado porque o Federal Reserve não está cortando os juros com mais rapidez e profundidade, e foi assim que o presidente explicou por que está sendo alvo: “Essa nova ameaça não tem a ver com meu depoimento em junho passado nem com a reforma dos prédios do Federal Reserve… Esses são pretextos. A ameaça de acusações criminais é consequência de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente”.

O endosso bipartidário à avaliação de Powell inclui comentários do senador Thom Tillis, republicano da Carolina do Norte e membro do Comitê Bancário, que concluiu: “Se ainda restava alguma dúvida de que assessores dentro da administração Trump estão ativamente pressionando para acabar com a independência do Federal Reserve, agora não deveria haver nenhuma. O que está em questão não é a independência do Departamento de Justiça”.

Nada menos que 71% dos 200 CEOs presentes no recente Yale CEO Summit reclamaram que Trump já havia corroído a independência do Federal Reserve por meio de ações tomadas por sua administração, e 81% afirmaram preferir o diretor Chris Waller como sucessor prospectivo de Powell quando o mandato do presidente terminar, presumindo que ele reforçará a independência do Fed.

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Então, se esse ataque pelo sistema jurídico não é um chilique impulsivo, qual é a lógica estratégica?

Assim como a falsa alegação de Trump neste mês de que o ataque à Venezuela foi motivado pelo interesse antecipado de produtores de petróleo dos EUA — o que eles negaram enfaticamente, chamando a Venezuela de “não investível” —, trata-se de uma manobra diversionista de Trump.

Em um novo livro a ser lançado, Trump’s Ten Commandments (Simon & Schuster), chamamos isso de tática do “muro de som” de Trump para mudar a narrativa pública de suas pesquisas em queda, com o levantamento nacional de fim de ano da Gallup registrando apenas 36% de aprovação de seu desempenho e as pesquisas Economist/YouGov mostrando 57% de desaprovação — com mais da metade até mesmo dos eleitores MAGA/Trump não o apoiando na condução dos arquivos Epstein e em temas como custo de vida, saúde e táticas do ICE/imigração, que despencaram para 30% em pesquisas recentes.

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E Trump conseguiu sua missão de fazer com que todos os veículos de mídia abandonassem o martelar 24 horas por dia sobre suas fragilidades em políticas domésticas relevantes.

Além disso, ele aciona três outras alavancas nessa manobra diversionista envolvendo Fed/Powell — invoca seu modelo de liderança altamente centralizado, no qual não há agências independentes de controle; esmaga adversários com retaliação seletiva; e manipula com destreza a clássica ferramenta de propaganda da comunicação de massa conhecida como “efeito adormecido”, em que uma mensagem falsa é repetida de forma implacável e determinada até, eventualmente, ganhar tração.

Tudo isso está no kit de ferramentas de Trump que chamamos de seus “Dez Mandamentos”. Ele está longe de ser surdo ao tom ou tolo. Ele é esperto como uma raposa.

As opiniões expressas nos textos de comentário do Fortune.com são exclusivamente de seus autores e não refletem necessariamente as opiniões e crenças da Fortune.

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Fonte: Info Money

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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