amor à cozinha e coragem para inovar


 

Embaixadora da culinária pernambucana, cativante, querida e popular no mercado gastronômico do Estado onde escolheu viver, a Chef Lúcia Soares é um acontecimento. Calorosa, humana, criativa e, principalmente, talentosa, suas mãos carregam o dom do sabor. Seja na cozinha portuguesa, italiana, tropical ou ainda com quitutes e lanches, ela consegue fazer verdadeiras preciosidades entre panelas e caçarolas.

 

Longe de ter uma jornada linear ou convencional, Soares, aos 58 anos, reúne uma bagagem carregada de experiência, de trabalho intenso e de uma relação profunda e orgânica com a gastronomia. Ao longo do caminho, precisou se adaptar a diferentes realidades do setor, fez escolhas difíceis e avançou em um cenário, na época, ainda pouco aberto às mulheres. Mas, ela venceu.

 

Foi nesse percurso, feito de aprendizado e superação, que a Chef Lúcia Soares consolidou a sua carreira, que é marcada pela dedicação, competência e pelo cuidado com as pessoas. É amor ao ofício e uma capacidade infinita de seguir sempre em frente que fazem de Soares quem ela é hoje como mulher e profissional.

 

QUEM É A CHEF LÚCIA SOARES?

 

Festejada na cena pernambucana, de sorriso largo e olhar caloroso. Se tem uma coisa que a Chef Lúcia Soares se orgulha é de ser muito querida por todos a sua volta. Com uma longa história profissional, deixar um rastro de amor e de respeito por onde quer que passe é, para ela, uma grande realização. “Eu nasci e vim para esse mundo para ser e dar amor. Claro que já enfrentei muitas situações adversas, mas, mesmo nesses momentos, procuro enxergar os acontecimentos com olhos positivos. Considero que as dificuldades são fases. E as fases passam. Nunca perco minha fé”, conta ela, com um otimismo contagiante.

 

Chef Lúcia Soares: amor à cozinha e coragem para inovar – Foto: Divulgação

 

 

Para a Chef Lúcia Soares, manter o coração bondoso e espalhar amor é uma missão levada muito a sério. “Eu fiz uma promessa para Deus e para mim mesma que, um dia, iria gerar muitos empregos. Já gerei, gero e fico muito feliz em perceber que sempre fiz isso, mesmo antes de empreender, ao indicar pessoas para diferentes estabelecimentos. Gosto de servir como ponte para fazer o bem, gerando conexões, mudando vidas. Eu sou movida pelo amor. Amo e me dedico integralmente ao que faço”, afirma.

 

RELAÇÃO COM A GASTRONOMIA

 

A relação de Soares com a gastronomia é cheia de significado e memórias afetivas. Natural de Maceió, Alagoas, a Chef Lúcia Soares revela a Rede Food Service que a sua história com a culinária começou, de forma mais clara, por volta dos seus 11 anos de idade, quando sua mãe, uma dona de casa que fazia bolos e dividia os cuidados de uma mercearia com o marido, teve a oportunidade de fazer um curso simples e rápido de gastronomia. “Lembro que nessa época apareceu um projeto onde as donas de casa poderiam se inscrever para aprender a fazer diferentes pratos. Para não me deixar sozinha em casa, minha mãe me levava com ela”, relembra.

 

Soares conta que foi nesse momento que teve contato com pratos que, hoje, entende que são simples, mas que, à época lhe pareciam muito sofisticados e diferentes do habitual, como o estrogonofe, por exemplo. “É uma coisa simples, mas para as donas de casa que não sabiam nem o nome, não era um prato popular. Ali, eu fui pegando gosto pela gastronomia”, revela.

 

Chef Lúcia Soares: amor à cozinha e coragem para inovar
a Chef Lúcia Soares – Foto: Divulgação

 

Ela lembra ainda dos momentos em que acompanhava a mãe na produção de bolos. “Eu gostava de ajudá-la. Na verdade, a minha intenção era auxiliá-la para, no final, poder lamber a panela. Quem estivesse ajudando tinha o direito de ficar com a bacia com resquícios de massa. Mas, aí de mim se eu não dividisse com meus irmãos”, diverte-se.

 

Essa época, inclusive, é recheada de memórias. A Chef Lúcia Soares recorda com carinho de ver a mãe cozinhando e cantando, feliz, músicas antigas. Um hábito, inclusive, que ela gosta de reproduzir até hoje. No seu repertório, músicas sertanejas e clássicos de Roberto Carlos e Reginaldo Rossi. “Minha mãe foi uma das primeiras pessoas que me encantou fazendo aquilo. E um conselho que ela sempre me deu foi que temos que fazer as coisas com amor. Se não houver amor, não adianta fazer só para mostrar que sabe.”

 

Outro exemplo que ajudou a construir a identidade profissional da Chef Lúcia Soares foi ver os pais juntos, tocando as vendas da mercearia. “Aquilo me encantava. E herdei o dom. Além de saber fazer, eu também sei vender. Amo conversar com os clientes”, revela.

 

Ela acrescenta que esse dom já notado por ela foi confirmado por um mapa astral. “Quando eu fiz, a primeira coisa que deu foi que eu nasci para trabalhar com pessoas, com o público, com redes sociais… E realmente tem tudo a ver. Eu amo lidar e falar com as pessoas.”

 

UMA LONGA TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

 

Como já dito, a carreira de Soares dentro da gastronomia não seguiu um percurso linear, muito menos convencional. Os desafios e as superações, sempre se fizeram igualmente presentes. Aos 14 anos, já casada, ela fazia comida para vender e sustentar a sua filha. Entre os quitutes produzidos, bolos, quibes e bolinhos de bacalhau.

 

Ainda bem jovem, ela teve uma oportunidade profissional em um restaurante de cozinha portuguesa em Alagoas, que segue em funcionamento até hoje, o Portugália. “Fui lá para ajudar uma pessoa e me destaquei bastante. Em menos de três meses, eu estava liderando até mesmo quem me indicou para a vaga. Isso porque com o meu jeito de falar e com amor no trato, eu tinha todas as pessoas dispostas a me ouvir e seguir”, conta ela, apontando que a cozinha do Portugália foi a sua maior experiência, com aprendizados que ela leva para a vida.

 

Chef Lúcia Soares: amor à cozinha e coragem para inovar
a Chef Lúcia Soares – Foto: Divulgação

 

Era temporário, virou fixo e com louros. A Chef Lúcia Soares relembra que trabalhava com tanto amor e zelo pelo negócio, como algo verdadeiramente seu, que o empenho foi notado pelo dono do estabelecimento. “Ele era um português desconfiado, porém, viu tanto amor e dedicação com o que era dele, mas que eu tratava como meu, que me trouxe para o Recife, em Pernambuco, para tomar conta de uma unidade da casa.”

 

Foi assim que durante dois anos, o Portugália, original de Maceió, existiu no Recife, no bairro de Boa Viagem. “Mas, infelizmente, a sociedade não deu certo. E é aí que começa a minha história como Chef em Pernambuco. Inclusive, hoje, me considero mais pernambucana do que alagoana, afinal tenho mais tempo de vida no Recife do que em Maceió.”

 

Quando a casa encerrou as atividades, Soares e o marido, que também é alagoano, decidiram não voltar para o Estado vizinho. “Meu marido é uma fonte de força para mim, estamos sempre juntos. Quando ele topou permanecer, isso me deu forças. Fui trabalhar em uma casa italiana, sem saber nada dessa cozinha, não sabia nem o que era canelone. Recordo que desenhava as massas no meu caderno de anotações para conseguir decorar os nomes. Meu marido me ajudava na tarefa. Ele perguntava, por exemplo: uma massa redonda, que molho pega? E eu ia respondendo. Assim, fui pegando gosto também pela gastronomia italiana”, diz ela. Dessa forma, com tanto empenho e amor pelo que faz, não demorou para que a Chef Soares assumisse a cozinha do estabelecimento.

 

De lá, ela só saiu para abrir as asas e se aventurar em um empreendimento próprio. “Fui ser sócia em uma casa portuguesa. Mas, por pouco, não dei muito mal. Eu não sabia, mas meu então sócio estava me usando como uma espécie de laranja, preparando um golpe financeiro. Foi minha ex-patroa da casa italiana, que também atuava como advogada, que me auxiliou e resolveu a situação.”

 

Com o imbróglio resolvido, Soares foi trabalhar em uma das melhores casas que existiam, à época, no Recife. “Estou falando do Restaurante Yolanda, com Ronald Menezes. Quando tentei a vaga, ele me disse que não trabalhava com mulheres porque as mulheres eram muito delicadas. Pedi a ele uma chance de mostrar que tenho a delicadeza de uma mulher, mas também a brutalidade de um homem, se necessário for. Consegui e essa relação mudou o cenário. Ele se tornou um amigo e, posteriormente, me ajudou no meu primeiro estabelecimento. Sou extremamente grata a ele”, recorda.

 

Chef Lúcia Soares: amor à cozinha e coragem para inovar
a Chef Lúcia Soares – Foto: Divulgação

 

A história teve um final feliz, mas, mesmo naquela época, fez Soares refletir sobre o machismo presente dentro das cozinhas. “Hoje, há mais igualdade. Porém, há 32 anos, isso não existia. Só havia homens na cozinha. Era um mercado a ser desbravado.”

 

De lá, ela passou por outros grandes restaurantes, que seguem em funcionamento até os dias de hoje. Fez consultorias gastronômicas, deu aulas-show, participou de eventos, recebeu prêmios, é detentora do título de embaixadora da gastronomia pernambucana ao lado de outros grandes nomes da cena local e se abasteceu de técnica.

 

Dia a dia, a Chef Lúcia Soares foi ganhando destaque e reconhecimento cada vez maiores. “Fui em busca de mais conhecimento. Fiz cursos, me preparei e me especializei”, conta, revelando ainda que, na época em que começou sua carreira gastronômica, a faculdade não era uma opção. “Eu não tinha horários definidos para trabalhar. Hoje, vemos horários de intervalo, de entrada e de saída. Mas, há décadas, isso não existia. Você tinha hora para pegar, mas não para largar. Muitas vezes, eu entrava às 9h da manhã e saía às 2h da madrugada.”

 

 

A DIFÍCIL ARTE DE COZINHAR E EMPREENDER 

 

Foi nesse rastro de casas, sucessos e aprendizados que surgiu a oportunidade de Soares abrir um negócio em sociedade com o seu cunhado. Ela, claro, abraçou o sonho. Foi assim que surgiu o Porto Mix, um restaurante localizado no badalado Litoral Sul de Pernambuco, mas especificamente em Ipojuca, na praia de Porto de Galinhas.

 

A casa funcionou durante sete anos e meio, porém precisou fechar as portas. “Ainda hoje, o público de Porto de Galinhas sente falta desse estabelecimento, que era só alegria. Para mim foi um baque ter que fechar as portas, porque estávamos num patamar de melhorar de situação. Quando você investe em algo, primeiro você gasta. Quando chegamos na fase de ganhar dinheiro, o dono do prédio solicitou nossa saída, alegando que já tinha negociado o ponto comercial. Foi assim que eu e mais 50 colaboradores ficamos desempregados”, diz.

 

Mas, ela não desistiu. A Chef Lúcia Soares reuniu todo o seu otimismo e determinação para correr atrás de um novo empreendimento. “Fiz um investimento e abri uma nova casa no Distrito de Nossa Senhora do Ó, também em Ipojuca, batizado de O Rancho Soares. Porém, meu marido adoeceu com a depressão e eu abri mão do negócio para estar ao lado dele. Passei a casa para a minha gerente, que sempre acreditou no negócio.”

 

Sempre confiando nos desígnios de Deus, Soares seguiu. Pouco tempo depois, a Chef Lúcia Soares precisou assumir a cozinha e o comando do Restaurante Alho e Óleo, onde permanece até hoje. “Eu sempre digo que tudo tem um propósito na vida. O restaurante funcionava como delivery, com minha filha à frente. Porém, ela engravidou e por meu neto ser autista, ela precisou se afastar do negócio. Então, eu vim fazer esse investimento, assumi o comando da casa e ampliei o atendimento”, aponta.

 

O Alho e Óleo está localizado no bairro de San Martin, no Recife, sendo um restaurante popular que oferece um ambiente aconchegante com pratos variados, como massas, pizzas, lanches, caldinhos e happy hour. O menu leva a assinatura da Chef Soares.

 

ESTILO CULINÁRIO E DIA A DIA PROFISSIONAL

 

Com um vasto repertório gastronômico, principalmente na cozinha portuguesa, italiana e de frutos do mar, a Chef Lúcia Soares aponta que sua culinária costuma ser mais requintada. Ela, inclusive, revela que ama fazer pratos com impacto visual.

 

Para a profissional, a principal qualidade de um Chef é a criatividade. “E também o olfato. Meu marido diz que estou sempre ‘farejando’ o ar e até em um ovo frito eu quero inventar”, diverte-se.

 

Em seu processo de criação, a Chef Lúcia Soares conta que possui o hábito de, depois de um dia de trabalho, deitar-se no chão da sua sala, pegar uma louça branca e desenhar com hidrocor o que deseja que faça parte da receita. Por vezes, pede ao marido, que é maître, para vender o prato a um cliente imaginário. “Se ele achar fácil, a receita deve emplacar. Se for complicado, apago e recomeço.”

 

Entre as suas excentricidades na cozinha, Soares destaca que adora comer arroz queimado. Por isso, propositalmente, costuma deixar o arroz, de consumo próprio, pegar um pouco no fundo da panela.

 

Hoje, à frente do Alho e Óleo, a Chef Lúcia Soares explica que precisou adaptar o seu estilo culinário para se encaixar no perfil de consumo da região onde o restaurante está localizado. Para isso, ouviu os clientes e criou um menu em cima das preferências e buscas. “Assim, atualmente, oferecemos pizzas, beirutes, pratos executivos maravilhosos… Todos com preços acessíveis e de qualidade”, diz ela, que diariamente, se faz presente tanto para os funcionários, quanto para os clientes.

 

CLIENTES QUE VIRAM AMIGOS E FÃS DA CHEF LÚCIA SOARES

 

Fabiana Langone, que atua como Gerente Administrativa em uma clínica médica, conta que conheceu o trabalho de Soares em 2015. E, de lá para cá, juntamente com sua família, nunca mais abriu mão do tempero da Chef Lúcia Soares. “Frequento a cozinha de Lúcia desde sua atuação no restaurante Peixe na Telha. Foi lá que experimentamos pela primeira vez o sabor da sua comida. Com o Porto Mix, viramos fregueses assíduos. Por conta da qualidade e do tempero especial que só ela tem, claro, mas também pelo jeito e personalidade da Chef, que é cativante. Uma excelente pessoa e profissional. Ela cativa o paladar e as pessoas”, diz a cliente de longa data.

 

Chef Lúcia Soares: amor à cozinha e coragem para inovar
A amiga Fabiana Langone – Foto: Arquivo Pessoal

 

Langone aponta ainda que Soares consegue colocar em seus pratos exatamente o sabor que tem o litoral do Nordeste. “É algo realmente admirável. Ela traz essa nordestinidade com um refinamento único. O tempero dela é exatamente o que o paladar da gente busca. Então, comer a comida da Chef gera satisfação, porque há excelência em tudo. É algo surreal. E olhe que já provamos do peixe e camarão ao sarapatel e dobradinha. É tudo sem igual.”.

 

PLANOS E PROJETOS PARA 2026

 

A Chef revela à reportagem que ainda guarda esperanças e o desejo de retornar para Porto de Galinhas, com um novo empreendimento. Inclusive, esse não é um sonho só dela. “Muitas agências de turismo continuam pedindo para que eu volte. Estou deixando o destino decidir. Quando minha decisão for tomada, quero que ela esteja alinhada com a vontade de Deus”, diz.

 

Soares também divide planos futuros que não são necessariamente profissionais, mas sonhos alimentados pela mulher, mãe e avó que moram dentro dela. “Desejo ver meu neto crescer, ser um homem de bem. Tenho um neto de 25 anos e outro de 4, além de um bisneto de 3 anos. Quando olho para eles, penso que perdi muito tempo, pois comecei a trabalhar e me casei muito nova. Tive minha primeira filha antes dos 15 anos. Minha vida foi trabalhar. Eu abri mão de viver. Então, em 2026, meu principal projeto é ter tempo de viver, viajar… quero conhecer novos países, como Portugal, por exemplo. Pois, já deixei de realizar sonhos por conta dos negócios.”

 

CONSELHO PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO

 

Por fim, Soares aponta que sempre fala aos mais jovens que estão querendo fazer carreira na gastronomia que tenham amor pelo ofício. Para ela, exercer a função com dedicação e amor pelo que se faz é algo essencial para que os resultados e o reconhecimento cheguem. “Mesmo depois de tanto tempo de estrada, sigo com o pé no chão. Nunca deixei de ter amor e respeito pelo que faço e pelos outros. Quando você está blindado e firme no propósito, as coisas boas lhe alcançam”, dá o recado.

 


Anna Katia Cavalcanti1



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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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