A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) projeta que o Carnaval de 2026 movimentará R$ 14,48 bilhões em receitas no setor turístico. O volume representa alta real de 3,8% em relação ao ano passado, já descontada a inflação, e deve gerar 39,2 mil vagas temporárias.
O segmento de bares e restaurantes deve liderar a receita, com R$ 5,77 bilhões. Em seguida aparecem transporte rodoviário e aéreo de passageiros (R$ 3,73 bilhões) e hospedagem em hotéis e pousadas (R$ 1,44 bilhão). Esses três grupos respondem por mais de 74% de toda a movimentação prevista para o período.
Segundo a CNC, o desempenho se soma à recuperação do setor após a crise sanitária de 2020, quando as atividades turísticas perderam dois terços da capacidade de geração de receitas. O faturamento real está hoje 13% acima do registrado em fevereiro daquele ano.
No turismo doméstico, a inflação mais baixa favoreceu a demanda. Entre janeiro e dezembro de 2025, o IPCA desacelerou de 4,9% para 4,26% na comparação anual. O transporte rodoviário também perdeu pressão.
O cenário reflete ainda o aumento no fluxo internacional. Dados da Embratur mostram que, entre janeiro e outubro de 2025, o país recebeu 9,3 milhões de turistas estrangeiros, alta de 37,1% ante 2024. Argentina (3,4 milhões), Chile (801,9 mil) e Estados Unidos (759,6 mil) responderam por 53% das chegadas.
A receita dos visitantes internacionais somou US$ 7,18 bilhões de janeiro a novembro do ano passado e deve superar o recorde de US$ 7,34 bilhões de 2024 quando dezembro for consolidado.
Para o Carnaval de 2026, a CNC projeta que o Brasil receba 1,42 milhão de turistas estrangeiros em fevereiro, avanço de 4% sobre os 1,36 milhão registrados no mesmo mês do ano passado.
A demanda da alta temporada deve resultar na oferta de 39,2 mil vagas temporárias. Bares e restaurantes devem abrir 27,9 mil postos, seguidos por transportes (4,3 mil) e hospedagem (4,1 mil). A maior oferta já registrada ocorreu em 2014, impulsionada pela proximidade com a Copa do Mundo.
A taxa de efetivação dos temporários, porém, tende a ser menor. Entre 2021 e 2022, o percentual ficou em 24%, impulsionado pela recomposição de equipes após a pandemia. Em 2023, caiu para 11%, e nos anos seguintes ficou em 9% e 16%. Para 2026, a previsão é de 11%.




