(Imagem: Shutterstock)
A curva de juros brasileira inclinou nesta segunda-feira (2), com as taxas curtas próximas da estabilidade e as longas em alta firme, refletindo certa apreensão no mercado com a possibilidade de o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, assumir uma diretoria do Banco Central.
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No exterior, os rendimentos dos Títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também subiram, dando suporte à curva brasileira.
No fim da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 12,72%, em leve alta de 2 pontos-base ante o ajuste de 12,697% da véspera. A taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,41%, com elevação de 11 pontos-base ante o ajuste de 13,305%.
O que movimentou os DIs hoje?
Na última sexta-feira (30), as taxas dos DIs fecharam com altas leves, interrompendo uma sequência de sete sessões de baixas, após a indicação do ex-diretor do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos Estados Unidos) Kevin Warsh para comandar o BC norte-americano e em meio às tensões envolvendo os EUA e o Irã.
Já nesta segunda-feira (2), a indicação de Warsh seguia impactando os rendimentos dos Treasuries no exterior, que subiam. Às 16h37 (horário de Brasília), o rendimento do Treasury de dois anos – que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo – tinha alta de 4 pontos-base, a 3,57%. O retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – subia 4 pontos-base, a 4,277%.
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Este movimento dava suporte à ponta longa da curva a termo brasileira, que também era impactada pelas especulações sobre o próximo diretor de Política Econômica do Banco Central, a ser indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Foram mal-recebidas pelo mercado, conforme dois profissionais ouvidos pela Reuters, as notícias de que o nome de Guilherme Mello teria sido sugerido a Lula pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para ocupar a diretoria do BC.
O perfil de Mello – um economista heterodoxo com graduação e mestrado pela PUC-SP e doutorado pela Unicamp – desagrada o mercado, que vê risco de uma guinada “dovish” (suave na política monetária) no BC. Este ano, a diretoria do BC terá pela primeira vez suas nove cadeiras ocupadas por nomes indicados por Lula.
Neste cenário, investidores incorporaram alguns prêmios de risco à curva brasileira.
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No Brasil, destaque ainda para o retorno dos trabalhos no Congresso e no Supremo Tribunal Federal (STF), após o período de recesso.
Para amanhã (3), os investidores aguardam a divulgação da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que na semana passada manteve a taxa básica Selic em 15% ao ano. Os agentes seguem precificando que o BC iniciará em março seu ciclo de cortes.
Na B3, as opções de Copom precificavam na última quinta-feira (29) – dado mais recente e já após a decisão de quarta-feira sobre a Selic – 55,75% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da taxa básica em março, 28,50% de chance de redução de 25 pontos e 7,35% de possibilidade de redução de 75 pontos-base.
No Boletim Focus divulgado hoje, a mediana das projeções dos economistas do mercado para a Selic no fim de 2026 seguiu em 12,25%, sendo que a perspectiva é de corte de 50 pontos-base em março.
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