BrasilAgro sente efeito da cana, mas vê recuperação à frente com grãos e gado, diz CFO

Bloomberg Línea — O desempenho aquém do esperado da cana-de-açúcar pressionou os resultados da BrasilAgro (AGRO3) no primeiro semestre do ano fiscal, apesar de as vendas de grãos e da pecuária terem contribuído para amortecer parte do impacto negativo.

No balanço referente ao segundo trimestre do ano fiscal, divulgado nesta quinta-feira (5), a companhia reportou Ebitda ajustado operacional de R$ 6,9 milhões, queda de 77% em comparação com o mesmo período do ano passado.

O lucro líquido para o trimestre reverteu o prejuízo de R$ 19 milhões registrado um ano antes e somou R$ 2,5 milhões.

Segundo Gustavo Javier López, diretor financeiro (CFO) e de Relações com Investidores da BrasilAgro, o impacto da cana já era esperado sobre os resultados e ficou concentrado no primeiro semestre do ano fiscal, em razão da sazonalidade da cultura e de eventos climáticos que afetaram a safra passada.

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“O balanço tira uma fotografia para trás. O jogo agora é todo para frente”, afirmou o executivo, em entrevista coletiva com jornalistas.

A leitura da companhia é que os próximos trimestres devem concentrar a maior parte da geração de resultado, com a entrada da safra atual de grãos e uma contribuição mais relevante da pecuária, que vem ganhando peso no mix operacional.

A receita líquida operacional cresceu 25% no trimestre, para R$ 191 milhões, puxada principalmente por grãos e pecuária.

No semestre, a receita avançou 3%, para R$ 494 milhões, mesmo sem ganhos com venda de fazendas.

A companhia também reportou que a alavancagem está sob controle e a relação dívida líquida ajustada/Ebitda estava em 1,18x ao fim de dezembro.

Cana pesa no resultado

O principal fator negativo do semestre para a companhia foi a cana-de-açúcar.

A BrasilAgro colheu cerca de 400 mil toneladas a menos do que o planejado na safra passada, o que reduziu a diluição de custos e antecipou o encerramento da colheita.

Eventos climáticos adversos — como geadas em São Paulo, déficit hídrico ao longo do ciclo e uma queimada em uma fazenda no Maranhão — afetaram a produtividade, especialmente em áreas com canavial mais antigo, que se mostrou mais sensível às condições climáticas extremas.

Como a cana tem peso relevante no segundo trimestre fiscal, a quebra teve efeito desproporcional sobre o Ebitda do período, segundo a administração.

Para a próxima safra, a expectativa é de recuperação da cana, apoiada na renovação do canavial e na normalização das condições produtivas, com produção estimada em cerca de 2,1 milhões de toneladas.

Ao desconsiderar o resultado da cana-de-açúcar, a receita líquida teria crescido 35% no semestre, impulsionada por milho, soja e algodão em pluma, segundo o balanço financeiro da companhia.

A quantidade total comercializada, excluindo cana, avançou 38% no período.

Grãos ganham protagonismo

Enquanto a cana pressionou o resultado, os grãos apresentaram desempenho operacional mais favorável e devem ganhar ainda mais peso nos próximos trimestres.

A companhia avalia que a safra atual foi plantada dentro das janelas consideradas ideais, o que sustenta a expectativa de maior volume colhido.

“É importante olhar o panorama das demais culturas, mas grãos, como soja e milho, e a cana concentram entre 80% e 90% do nosso resultado”, afirmou Ana Paula Zerbinati Ribeiro Gama, Head de Relações com Investidores da BrasilAgro.

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Diante de um cenário de oferta elevada e pressão baixista para a soja, a BrasilAgro adotou uma postura mais agressiva na venda antecipada.

Cerca de 60% da produção de soja já foi comercializada.

No caso do milho, a administração vê um ambiente estruturalmente mais favorável, com impulso da expansão das usinas de etanol no Brasil, que ampliou alternativas de comercialização e hedge e reduziu o peso da logística – e consequentemente do frete – sobre os preços.

Esse cenário levou a companhia a privilegiar o aumento da área de milho em detrimento do algodão na safra 2025/26.

Pecuária em crescimento

A companhia tem se beneficiado dos preços elevados da arroba, o que contribuiu para o crescimento da receita no trimestre e ajudou a compensar parte do impacto negativo da cana.

“Contamos com um estoque de cerca de 10.500 cabeças de gado, distribuídas em pastagens no Brasil e no Paraguai”, disse López.

Segundo ele, a expansão da operação paraguaia tem contribuído para capturar o bom momento da arroba e diluir riscos operacionais.

No mercado de terras, no qual a empresa é reconhecida por recuperar áreas e posteriormente vendê-las, os preços elevados da pecuária reduziram a pressão para arrendar ou vender propriedades, o que impacta diretamente a liquidez dos negócios.

Em áreas com potencial produtivo, como aquelas passíveis de irrigação na Bahia, a demanda continua sólida, segundo executivos da companhia.

Regiões mais marginais, como partes do Mato Grosso, apresentam queda de preços e menor liquidez, enquanto áreas com potencial de irrigação, como no oeste da Bahia, seguem com demanda firme.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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