Construção civil cresce com a força do emprego, mas juros e custos pressionam o setor

Mesmo com o mercado de trabalho em níveis historicamente favoráveis e a renda em alta, a construção civil atravessou 2025 sob forte pressão de juros elevados e custos crescentes de mão de obra e insumos. O diagnóstico foi apresentado nesta quarta-feira (11) pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que vê o setor mantendo resiliência, mas operando em um ambiente econômico desafiador. Ainda assim, a entidade projeta um 2026 mais positivo, com crescimento estimado em 2%, apoiado em crédito e investimentos em infraestrutura.

Um dos setores que mais impulsionam o PIB brasileiro, a construção civil cresceu 1,3% em 2025. Segundo a economista chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, a avaliação do cenário mostra que o PIB do país cresceu 2,4% até o terceiro trimestre, devendo manter o percentual para o ano.

Isso por conta da força do mercado de trabalho, que registrou a menor taxa de desemprego desde 2012, ficando em 5,1%, muito abaixo do pico de quase 15% observado no auge da pandemia.

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“O país fechou o ano com 103 milhões de pessoas ocupadas e rendimento médio mensal real de R$ 3,6 mil. Mesmo nesse cenário positivo, a construção avançou em ritmo mais moderado por causa dos juros e dos custos”, disse.

Paralelamente, houve uma queda na confiança dos empresários do setor, refletindo cautela nas decisões de investimento, como mostrou a Sondagem da Construção realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a CBIC.

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Custos em alta

Os custos foram o principal vetor de pressão no setor. O custo da construção subiu 5,9% em 2025, acima da inflação oficial de 4,26%. O maior impacto veio da mão de obra, que registrou alta de 8,98% e puxou todo o indicador do setor. Ainda assim, o número de trabalhadores com carteira assinada na construção cresceu 3,08%, alcançando 2,9 milhões de empregados formais, patamar semelhante ao de 2014, de acordo com a CBIC.

A pressão, porém, não veio apenas do trabalho. Os insumos também encareceram e ajudaram a apertar o orçamento das obras. Levantamento do Índice de Preços de Materiais de Construção (IPMC), feito pelo Ecossistema Sienge, mostra que o cimento e o fio de cobre foram os principais responsáveis pela alta de custos em 2025, com impacto desigual entre as regiões.

A região Sul liderou a elevação nacional, com o cimento subindo 8,4% e o fio de cobre avançando 19,5%, a maior variação registrada no país. No Nordeste, o cimento foi o principal foco de pressão, com aumento de 11,9%. Já o Sudeste apresentou alta moderada nesses insumos, parcialmente compensada pela queda de preços de ferro, tinta e argamassa.

Em contraste, Norte e Centro-Oeste tiveram cenário mais favorável. O Norte registrou queda de 4,46% no preço do cimento, enquanto o Centro-Oeste apresentou deflação de 8,77% no fio de cobre. O ferro acumulou recuo em todas as regiões, com destaque para o Norte, onde a retração chegou a 18,59%.

Segundo Gabriela Torres, gerente de inteligência estratégica do Sienge, 2025 foi marcado por acomodação inflacionária, mas com diferenças regionais relevantes. Para a CBIC, o comportamento dos preços fugiu da lógica histórica, com descolamento entre câmbio e insumos dolarizados como o cobre.

Emprego e renda

Apesar do encarecimento, o mercado de trabalho seguiu aquecido. Em alguns meses de 2025, o setor superou a marca de 3 milhões de trabalhadores formais, consolidando o sexto ano consecutivo de resultados positivos, de acordo com a CBIC. Ainda assim, a geração de vagas desacelerou, chegando a 87.878 novos empregos no ano, queda de 19,5% em relação a 2024. A construção foi o segundo segmento com maior salário médio de admissão no país, de R$ 2.294.

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Regionalmente, São Paulo liderou a criação de vagas, seguido por estados do Nordeste como Pernambuco, Bahia e Ceará. Foi a primeira vez desde 2020 que a região voltou a se destacar na geração de empregos na construção, conforme a entidade.

Os indicadores de consumo mostraram sinais mistos. As vendas no varejo de material de construção recuaram 0,2% no acumulado dos 11 primeiros meses do ano, enquanto o consumo de cimento cresceu 3,68%, totalizando 66,9 milhões de toneladas, de acordo com o levantamento. Em infraestrutura, os investimentos públicos e privados somaram R$ 280 bilhões em 2025, com predominância do capital privado, responsável por 84% do total.

Crédito imobiliário

No crédito imobiliário, houve reacomodação. O financiamento com recursos da poupança (SBPE) somou R$ 156 bilhões, queda de 13% ante 2024. Já as operações com recursos do FGTS atingiram R$ 138 bilhões, alta de 8,75%.

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Segundo o presidente executivo da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho, a combinação de juros elevados e carga tributária se transformou no principal gargalo do setor. “O peso da tributação impactou diretamente a operação das empresas, somados ao custo da mão de obra”, afirma.

Tendência para 2026

Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da CNI, afirma que o alto custo do trabalhador qualificado já é um problema estrutural da indústria como um todo e não é diferente para a construção. Para 2026, as preocupações do segmento permanecem concentradas em juros elevados, escassez de mão de obra especializada e no cenário fiscal do país.

Ainda assim, a expectativa é de melhora. A CBIC projeta crescimento de 2% para a construção em 2026, impulsionado pelo início do ciclo de queda da Selic, ampliação do crédito habitacional, novos contratos do Minha Casa, Minha Vida e investimentos em infraestrutura.

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A construção, segundo Ieda Vasconcelos, é fundamental para impulsionar o crescimento da economia como um todo. “Mesmo pressionado, o setor encerrou 2025 demonstrando resiliência. Se o crédito reagir e os juros recuarem de forma consistente, a construção pode voltar a exercer papel ainda mais relevante como motor do crescimento econômico brasileiro”, disse.

Fonte: Info Money

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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