Somente duas mulheres mesmo poderiam ter a vivência e a coragem de enfrentar um mercado rodeado de tabus. Não só falar de menstruação, mas apostar e investir dinheiro em um negócio novo nesse segmento, em meados de 2010, parecia até loucura.
“O engraçado é que no momento que a gente fez o primeiro pedido para as fábricas, eles falaram ‘Gente, acho que vocês estão meio doidinhas, vocês não querem ajuda?’. Acharam nosso estoque muito grande e que a gente nunca ia conseguir vender tudo aquilo. Mas em 3 semanas realmente esgotou tudo”, relembram Emilly Ewell e Maria Eduarda Camargo, fundadoras da Pantys, em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo.
O desafio da Pantys não era apenas desenvolver tecnologia ou construir marca era também abrir espaço em um mercado cercado por silêncio e resistência cultural. Com capital próprio, quando ninguém acreditava, elas criaram uma nova categoria de consumo. Hoje, a Pantys produz, por mês, cerca de 80 mil peças e expande o portfólio para saúde, moda e bem-estar femininos.
“Era um mercado com muito tabu. Ou ia dar muito certo ou podia ser um desastre”, disse Maria Eduarda.
A percepção surgiu durante pesquisas iniciais com consumidoras. A dor era clara, mas pouco discutida. Questões como desconforto, vazamentos, alergias e impacto ambiental apareciam com frequência, ainda que sem soluções consolidadas.
“A gente fez muita pesquisa e viu que 90% das pessoas estavam insatisfeitas e abertas a testar algo novo”, afirmou uma das fundadoras em entrevista para o podcast Do Zero ao Topo, que conta histórias de empreendedores de sucesso.
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Educação de mercado como estratégia
A ideia ganhou força ao combinar dor pessoal com leitura de comportamento. E a proposta era simples e direta: criar um produto que substituísse o absorvente descartável e não apenas complementasse o consumo existente.
Parte relevante do trabalho foi construir diálogo e quebrar barreiras culturais.
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“Tivemos todo tipo de reação: gente que achou incrível e gente cheia de dúvidas, perguntando se era higiênico ou se funcionava. Até as reações negativas ajudaram a gente. Se tem pessoas com dúvidas como é que a gente usa isso pra lançar a nossa marca e realmente desmistificar um pouco esse mercado mostrando que existem novas opções, que elas vão ser até mais higiênicas, mais confortáveis e mais funcionais do que a gente possa imaginar”, diz Eduarda.
Com o produto validado e a comunicação amadurecida, a Pantys passou a estruturar um novo segmento dentro do consumo feminino. Do tabu, elas criaram uma nova categoria de consumo.
“Tudo isso só serviu pra fortalecer a gente de alguma forma. Como eu vim do mundo farmacêutico. Toda liderança é masculino. Até nas grandes indústrias de saúde. Você vê pouco mulher em cargos altos e isso faz total sentido pra mim do porquê as grandes marcas não tinham criado isso ainda”, conclui Emilly.
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Um diferencial da Pantys, de acordo com as fundadoras, é a marca ter nascido já no canal digital e sempre muito perto dos clientes. “Não é só lingerie. É saúde, conforto, sustentabilidade e bem-estar. A gente nasceu como startup, testando tudo. Se funcionava, a gente escalava. Essa mentalidade continua até hoje”, afirmam Emilly e Maria Eduarda.
Para saber mais detalhes da trajetória da Pantys, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.
Sobre o Do Zero ao Topo
O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.
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Fonte: Info Money




