créditos fiscais de até R$ 1,9 bi beneficiam a rede atacadista, dizem analistas

Bloomberg Línea — A possibilidade de o Assaí recuperar cerca de R$ 1,9 bilhão em créditos fiscais nos próximos dois anos tem chamado a atenção de analistas e investidores e favorecido os papéis da rede atacadista.

Nesta sexta-feira (20), o Itaú BBA elevou em 10% o preço-alvo da ação do Assaí (ASAI3), apontando um potencial de valorização de 16,2% sobre o fechamento de quinta-feira (19), de R$ 9,46, e citando a questão dos créditos fiscais do PIS/Cofins.

O banco passou o preço-alvo da ação de R$ 10 para R$ 11 e manteve a recomendação de compra. Nesta tarde (14h15), o papel era negociado a R$ 9,48, alta de 0,21% no dia, 30,2% no ano e 35,8% em 12 meses.

O tema ganhou relevância após a divulgação do resultado financeiro de 2025, em 11 de fevereiro. A rede, liderada pelo CEO Belmiro Gomes, identificou um estoque de créditos de PIS/Cofins (tributos federais cobrados sobre a receita das empresas) sobre bebidas frias. A categoria fiscal inclui refrigerantes, cervejas, águas e sucos industrializados.

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“A companhia identificou potencial de monetização de créditos tributários de aproximadamente R$ 1,5 bilhão, relacionados a PIS e Cofins no segmento de bebidas frias”, confirmou a equipe de relações com investidores do Assaí em resposta por e-mail à Bloomberg Línea.

O Itaú BBA estimou o total em R$ 1,9 bilhão: R$ 1,5 bilhão retroativos e R$ 380 milhões a serem gerados ao longo de 2026, segundo relatório dos analistas Rodrigo Gastim, Vinicius Pretto, Victor Rogatis e Kelvin Dechen.

A monetização chega em momento de pressão setorial sobre rentabilidade. Nos últimos anos, Assaí, Atacadão (do Carrefour Brasil, que fechou capital na B3 em 2025) e Grupo Mateus (GMAT3), as três maiores redes segundo o ranking da Abaas (associação nacional dos atacarejos), aceleraram a abertura de lojas, elevando a oferta de espaço e acirrando a disputa por consumidores, principalmente das classes B e C.

O Assaí projetou queda de 0,1% nas vendas das mesmas lojas em 2026. A proposta de reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais sem corte de salários, em discussão em Brasília, adiciona risco: sem mitigação, o impacto chegaria a 14% do lucro líquido de 2027, estima o Itaú BBA.

O Assaí tem 312 lojas e projeta 317 ao fim de 2026, com receita bruta de R$ 86,7 bilhões.

Origem dos créditos tributários

A origem da disputa remonta a 2015, quando o governo alterou a cobrança do PIS/Cofins sobre bebidas frias. Antes, o imposto era pago uma única vez pelo fabricante, o chamado “sistema monofásico”. Com a mudança para o modelo plurifásico, o tributo passou a aparecer discriminado na nota fiscal de compra.

O Assaí argumenta que, ao pagar esse imposto embutido no preço de cada caixa de refrigerante ou água, tem direito a resgatar esses valores. O fisco ainda não deu resposta definitiva. Por isso, o valor permanece fora do balanço até ser efetivamente recebido.

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Em janeiro, R$ 100 milhões já foram convertidos em caixa por meio de compensação com outros tributos federais, como imposto de renda e contribuições previdenciárias.

“A monetização ocorrerá de forma progressiva, com efeito positivo na redução do desembolso de caixa ao longo do período”, explicou a companhia à Bloomberg Línea.

A gestão projeta monetizar ao menos R$ 750 milhões adicionais até dezembro. O saldo restante rola para 2027.

Há um prazo crítico: os créditos precisam de homologação pela Receita Federal até 31 de dezembro de 2026. Sem esse aval, o direito caduca com a entrada em vigor da reforma tributária e a substituição do PIS/Cofins pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

O fato de uma parcela já ter sido aprovada e paga reduz, mas não elimina, o risco de rejeição do restante devido. A partir de 2027, o Itaú BBA projeta que a transição para a CBS pode gerar expansão de até 15 pontos-base na margem bruta consolidada, o equivalente a 6,5% do lucro líquido estimado para o ano, desde que os fornecedores não repassem as mudanças tributárias nos preços ao Assaí.

Vencimento de R$ 6,2 bi entre 2027 e 2028

A empresa tem R$ 6,2 bilhões a vencer em dívidas entre 2027 e 2028, o que dá dimensão à relevância dos créditos tributários em disputa com o fisco. Para reduzir a dívida, a rede atacadista cortou de 10 para 5 o número de inaugurações previstas em 2026.

O resultado do Assaí no quarto trimestre de 2025 reforçou a avaliação positiva entre os profissionais do sell-side. Em relatório divulgado também nesta sexta-feira, o BB Investimentos apontou ganho de participação de mercado e melhoria de margem.

“A companhia segue com uma operação sólida e boas perspectivas”, afirmaram os analistas Andréa Aznar, Viviane Silva, Melina Constantino e Fernando Cunha.

Eles observaram que a companhia avançou na redução do endividamento, e o cenário de juros elevados torna saudável a continuidade desse processo, mesmo com o início do ciclo de cortes esperado para os próximos meses.

A Sendas Distribuidora, razão social do Assaí e segunda maior rede de supermercados do Brasil em faturamento, também anunciou novas frentes de crescimento: parceria com o Mercado Livre, expansão do last-mile (entrega direta), abertura de 25 farmácias fora das lojas no segundo semestre e lançamento de produtos de marca própria.

Entre os maiores acionistas do Assaí estão a Orbis Invest, com 11,57% do capital, seguida por Dynamo, BlackRock, Conifer Management e Wishbone Management, cada uma com fatia entre 5% e 5,01%, segundo o BB Investimentos.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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