U2 LANÇA EP DE SURPRESA EM TOM DE PROTESTO

O U2 surpreendeu o público ao lançar, na Quarta-feira de Cinzas, o EP “Days Of Ash”, um projeto independente com seis faixas inéditas que marca o retorno da banda às composições autorais e antecipa um novo álbum previsto para o final de 2026.

Mas se a linha oficial fala em “resposta imediata aos acontecimentos atuais”, a realidade nua e crua é ainda mais direta: o U2 decidiu mirar, sem metáforas excessivas, em episódios recentes de violência política ao redor do mundo.

Quando o protesto deixa de ser abstrato

Para muitos críticos, “Days Of Ash” ultrapassa a categoria de EP e funciona, na prática, como um novo álbum temático. A maioria das faixas trata explicitamente de vidas interrompidas por forças opressoras.

A abertura, “American Obituary”, traz uma base percussiva vibrante que remete ao espírito de Achtung Baby. A letra, no entanto, abandona o jogo simbólico e cita o assassinato de Renee Good, mãe de três filhos, evocando uma América marcada por luto e violência.

“Song Of The Future” é dedicada à jovem iraniana Sarina Esmailzadeh, morta aos 16 anos durante protestos em 2022. O nome não aparece na canção, mas a referência é confirmada nos bastidores do projeto.

Em “One Life At A Time”, o foco recai sobre Awdah Hathaleen, ativista palestino assassinado na Cisjordânia após colaborar com o documentário vencedor do Oscar No Other Land. O U2 opta por retratar a dimensão humana do conflito, colocando nomes e histórias no centro da narrativa.

A faixa “Yours Eternally” surge como a mais acessível do ponto de vista radiofônico. Nela, o U2 divide vocais com Ed Sheeran e com Taras Topolia, vocalista da banda Antytila e atualmente soldado nas forças ucranianas.

A presença de Sheeran amplia o alcance comercial da música, enquanto Topolia adiciona um simbolismo inevitável em tempos de guerra.

“The Tears Of Things” é uma balada intensa conduzida pelos riffs característicos de The Edge, reforçando o DNA sonoro da banda.

Em meio às narrativas centradas em vítimas específicas, “Wildpeace” surge como o momento mais conceitual do EP. Estruturada como poema musicado, a faixa abandona nomes próprios e amplia o debate para a ideia de uma paz instável, quase indomável. Ao optar pelo formato de palavra falada, o U2 reforça o caráter manifesto do projeto e recupera uma dimensão espiritual que sempre atravessou sua discografia.

Propaganda volta às bancas

O lançamento foi acompanhado pelo relançamento da revista Propaganda, publicação criada pela banda em 1986 e que completa 40 anos desde sua primeira edição. A nova versão ganhou formato digital com 52 páginas, além de uma tiragem impressa limitada distribuída em lojas de discos independentes na Europa e na América do Norte — um movimento que combina memória, estratégia editorial e valorização do circuito físico.

O que diz a banda

Em declaração, Bono afirmou que as músicas do EP têm clima e temática diferentes do álbum completo que chegará ainda este ano. Segundo ele, as faixas “não podiam esperar” e carregam um espírito de desafio, consternação e lamento.

Bono também citou a filósofa Lea Ypi ao afirmar que “se você tem a chance de ter esperança, é um dever”, reforçando o tom reflexivo do projeto.

O baterista Larry Mullen Jr. foi ainda mais direto: a única justificativa para lançar novas músicas seria acreditar que elas merecem ser ouvidas — e, na visão dele, este material está entre os melhores da carreira do grupo.

Entre o risco e a coerência

Ao longo de mais de quatro décadas, o U2 construiu reputação misturando arena rock e posicionamento político. Em “Days Of Ash”, a banda parece menos preocupada com metáforas universais e mais interessada em nomes, datas e consequências concretas.

Num cenário global em que conflitos e polarizações ocupam o noticiário diariamente, o EP não busca neutralidade. É um registro de indignação — e, ao mesmo tempo, uma declaração de que o U2 ainda pretende participar do debate.

Se o álbum completo previsto para 2026 trará canções mais celebratórias, como sugere Bono, “Days Of Ash” já cumpre o papel de lembrar que o silêncio, para a banda irlandesa, nunca foi uma opção.

Fonte: Antena 1

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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