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Desemprego ainda baixo e renda recorde desafiam Banco Central, avaliam economistas

O mercado de trabalho abriu 2026 com leve alta na desocupação, partindo de 5,1% para 5,4% no trimestre móvel encerrado em janeiro. Apesar da leve aceleração, esperada para o início do ano depois do encerramento dos contratos temporários, este é o menor patamar da série histórica no período. Ele também está bem abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando atingiu 6,5%. 

Ao mesmo tempo, o rendimento médio real habitual aumentou, chegando a R$ 3.652, o valor mais alto já registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mesmo período do ano passado, era de R$ 3.466.

Segundo economistas, os dados continuam mostrando a resiliência do emprego. Eles destacam que, ao longo de 2026, esse aquecimento poderá reforçar a escassez de mão de obra, pressionando salários e a inflação de serviços, o que deve ditar o ritmo de atuação do Banco Central (BC) nos próximos meses. A próxima reunião vai ocorrer nos dias 18 e 19 de março, quando é esperado o início do ciclo de cortes de juros.

Viva do lucro de grandes empresas

Indicador/Período Nov-dez-jan 2026 Ago-set-out 2025 Nov-dez-jan 2025
Taxa de desocupação 5,40% 5,40% 6,50%
Taxa de subutilização 13,80% 13,90% 15,50%
Rendimento real habitual R$ 3.652 R$ 3.553 R$ 3.466
Variação do rendimento habitual em relação a: 2,80% 5,40%
Fonte: IBGE

Falta de mão de obra pressiona salários e inflação

Para Alberto Ramos, diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina do banco Goldman Sachs, o mercado de trabalho permanece apertado, o que sustenta um alto crescimento dos salários reais e pressões de custo sobre a inflação, particularmente nos serviços intensivos em mão de obra. Isso porque, com mais dinheiro no bolso, as pessoas vão mais ao salão de beleza, comem fora, contratam mais reformas, por exemplo. Como é difícil automatizar esses serviços, a falta de mão de obra faz o preço final subir.

Essa dinâmica faz com que a taxa de juros alta, atualmente em 15%, não tenha muito impacto na redução da inflação de serviços. 

Na série com ajuste sazonal, o banco aponta que o desemprego permaneceu em 5,3%, um recorde de baixa e inferior à taxa neutra. Para Ramos, as transferências dos programas sociais podem estar por trás da fraca participação na força de trabalho, particularmente dos trabalhadores informais. 

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“De modo geral, as condições monetárias restritivas e a moderação do crescimento ainda não geraram um ponto de inflexão visível no mercado de trabalho, e isso reflete, em parte, o declínio da taxa de participação e da força de trabalho ativa”, afirma Ramos.

Leia também: Criação de emprego supera projeção no início do ano após quebra em dezembro; veja dados do Caged

Queda da inflação aumenta renda real

Além dessa dinâmica que impacta os serviços, a queda da inflação também impacta no aumento da demanda. Ela têm reflexo direto no aumento da renda real, de acordo com a equipe do Banco Bradesco. Como consequência, a equipe projeta que o consumo irá crescer em um ritmo mais acelerado em 2026 do que no ano passado. A expectativa é de aumento de 2,1% frente a 1,3% em 2025.

A resiliência das contratações é tracionada, sobretudo, pelas vagas formais. Rodolfo Margato, economista da XP, aponta para uma manutenção da avaliação de resiliência do emprego formal, contrapondo-se a uma fraqueza nas categorias informais.

Ele alerta, no entanto, para o efeito colateral do aumento da renda. Margato avalia que a trajetória de alta dos salários, por um lado, sustenta o consumo de curto prazo. Por outro lado, pode continuar exercendo pressão nas métricas de inflação de serviços subjacentes. 

Em função desse dinamismo, a XP projeta um crescimento do PIB de 2% em 2026.

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Maior renda poderá ditar ritmo do corte de juro

Esse dilema inflacionário tem impacto direto na condução da política monetária. Rafael Perez, economista da Suno Research, concorda que a combinação de baixo desemprego e crescimento real dos salários favorece a renda, mas dificulta a convergência da inflação. Segundo ele, diante desse cenário, o Banco Central deverá conduzir o ciclo de cortes de juros de forma “mais cautelosa e gradual” ao longo do ano.

Apesar das pressões, Matheus Pizzani, economista do PicPay, tem uma visão ligeiramente mais otimista sobre os juros. Ele avalia que o padrão de comportamento atual ajuda a entender a disparidade entre o crescimento da renda e a ausência de melhora em outras características dos empregos. 

Para ele, os dados recentes não são vistos “como um empecilho para o início e continuidade nos moldes como projetamos anteriormente do ciclo de corte de juros por parte do Banco Central”. O PicPay reforça a perspectiva de uma redução inicial de 0,50 ponto percentual, levando a taxa terminal a 12% ao final do ano. 

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Chegamos ao limite?

Olhando para o futuro, o consenso entre os analistas é de que o mercado de trabalho está muito próximo do seu limite e deve começar a arrefecer. 

Para André Valério, economista sênior do Inter, “não há espaço para uma melhora continuada do mercado de trabalho”. Ele destaca que os principais indicadores se encontram próximos do topo e já há sinais de perda de dinamismo na margem, com expectativa de que a desocupação encerre o ano em 5,5%. 

Leonardo Costa, do ASA, corrobora essa visão, esperando “estabilidade e moderação do mercado de trabalho nos próximos meses”.

Fonte: Info Money

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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