Alyne Mundt e seu novo olhar para a confeitaria brasileira


 

DE INSTINTO À ESTRATÉGIA. Esse é o enredo da vida profissional de Alyne Mundt Bill, curitibana de 43 anos que é referência nacional no setor de chocolates profissionais.

 

Apesar de ser formada em Pedagogia e em Marketing, foi no ramo da Confeitaria que Alyne Mundt se encontrou e construiu uma trajetória marcada pela disseminação de um novo olhar para a confeitaria brasileira.

 

Criadora da Feito Chocolatedistribuidora independente sediada em Curitiba, no Paraná, especializada no fornecimento de chocolates gourmet e premium para confeiteiros e profissionais da gastronomia – e da 1ª Conferência Brasileira de Confeitaria – realizada em janeiro deste ano – a empreendedora curitibana conta como transformou informação em ponte e atendimento em posicionamento.

 

Alyne Mundt, em unidade da Feito Chocolate – Foto: Divulgação

 

“No começo, eu era movida muito mais por instinto. Existia vontade de fazer bem feito, mas ainda faltava clareza sobre o meu papel. Hoje, eu me vejo como alguém que entende o mercado, respeita processos e sabe onde quer chegar. Continuo inquieta e curiosa, mas com mais consciência do impacto das minhas decisões e do lugar que escolhi ocupar”, divide Alyne Mundt em entrevista exclusiva à Rede Food Service.

 

Atualmente, a empreendedora ressalta que a sua atuação e influência no mercado nacional de confeitaria é “resultado de mais de dez anos vivendo a confeitaria. A Feito Chocolate me colocou em contato direto com profissionais de diferentes realidades, o que me deu uma leitura mais clara do mercado. Com o tempo, eu passei também a atuar próxima das indústrias, fazendo a ponte entre produto e cliente final, ajudando a traduzir necessidades reais em processos mais ágeis. E a Conferência Brasileira de Confeitaria nasceu justamente desse olhar e dessa vivência”, explica.

 

O COMEÇO DE TUDO E O WHATSAPP COMO PONTO DE GUINADA NA SUA CARREIRA

 

Como muitas empresárias no ramo da Confeitaria, Alyne Mundt começou produzindo. Mas, rapidamente, ela percebeu que, nesse mercado, tinha uma dor maior do que a execução: faltava informação.

 

Conforme a empreendedora, ela começou “como quase todo mundo, acreditando que era ‘só um bolinho’. Mas, com o tempo, eu percebi que o mercado era extremamente carente de informações técnicas, até mesmo as mais básicas sobre os produtos. Assim, eu pesquisei muito, traduzi rótulos em uma época em que isso não era simples e passei a ajudar outras pessoas do segmento a entenderem melhor o que estavam usando”, destaca.

 

DE INSTINTO À ESTRATÉGIA: a trajetória de Alyne Mundt na construção de um novo olhar para a confeitaria brasileira
Alyne Mundt – Foto: Divulgação

 

 

Nesse processo, Alyne Mundt revela que o WhatsApp foi o ponto de guinada da sua carreira.  “Quando o WhatsApp chegou, eu fiz algo que ainda era pouco comum no setor: atender de forma prática, rápida e clara, com informações ajustadas à realidade de cada cliente. Foi aí que eu entendi que o meu lugar na Confeitaria não era na produção, mas no atendimento, na informação e na ponte entre produto e quem realmente usa”, esclarece.

 

Ou seja, essa percepção redefiniu a carreira da empreendedora, que deixou de ser apenas uma empresária que vendia insumos e passou a ocupar um espaço estratégico dentro da cadeia brasileira do chocolate. Além disso, a combinação entre inovação de produto, modelo de negócio pouco convencional e crescimento consistente fez com que a trajetória de empreendedora ganhasse espaço em veículos de grande alcance, como Pequenas Empresas & Grandes Negócios, Exame, UOL, além de emissoras de televisão e rádio.

 

Assim como, tal repercussão ultrapassou o mercado brasileiro e a história de Alyne Mundt chegou à Meta, que a convidou para apresentar o case internamente, o que tornou a Feito Chocolate um exemplo oficial do uso do WhatsApp como ferramenta de negócios. E, com isso, a empreendedora participou de eventos e encontros da empresa, quando teve a oportunidade de compartilhar a sua experiência com equipes e parceiros.

 

Posteriormente, tal aumento de visibilidade impulsionou ainda mais a expansão da operação da Feito Chocolate, que possui, atualmente, lojas em Curitiba e em Londrina.

 

PROFISSIONAL PONTE ENTRE DOIS MUNDOS

 

Com o crescimento da Feito Chocolate, Alyne Mundt passou a transitar cada vez mais entre indústria e confeiteiros, sendo, de um lado, empresas que dominam o desenvolvimento do produto e, do outro, profissionais que vivem a pressão do cliente final.

 

DE INSTINTO À ESTRATÉGIA: a trajetória de Alyne Mundt na construção de um novo olhar para a confeitaria brasileira
Alyne Mundt – Foto: Divulgação

 

Dessa forma, como ponte entre esses dois mundos, a empreendedora construiu o seu legado de forma sólida e, hoje, “o que mais me caracteriza é a visão de conjunto. A indústria domina o produto, o profissional vive o cliente e eu transito entre esses dois mundos. E o que mais me inspira, acima de tudo, são mulheres com atitudes disruptivas. Pessoas que fazem acontecer, que são teimosas no melhor sentido da palavra, assim como eu. Muitas delas não são famosas ou conhecidas, mas estão criando, executando e abrindo caminhos todos os dias. São essas histórias reais que mais me inspiram e que, frequentemente, me fazem pensar: ‘por que eu não estou fazendo isso também?’”, alega.

 

Vale ressaltar que, a partir dessa posição de ponte entre dois mundos, que exige responsabilidade, escuta e leitura de cenário, Alyne Mundt, ao longo dos seus mais de dez anos de atuação no ramo da Confeitaria, participou de treinamentos, visitas técnicas e debates importantes para o setor. E, inclusive, em momentos delicados no segmento, como a recente crise global do cacau, chegou a assumir postura ativa de diálogo e orientação.

 

REFERÊNCIA NACIONAL NO SETOR DE CHOCOLATES PROFISSIONAIS

 

Como adiantado, Alyne Mundt, hoje em dia, é referência nacional no setor de chocolates profissionais. Inclusive, em 2019, quando a fabricante belga Barry Callebaut anunciou o lançamento mundial do Ruby, a primeira nova variedade de cacau descoberta em décadas, foi ela quem identificou, rapidamente, o potencial do movimento para o mercado brasileiro.

 

Em vez de tratar o produto apenas como novidade de portfólio na loja, ela decidiu criar um evento de lançamento em Curitiba, quando reuniu Chefs, confeiteiros e profissionais do setor para apresentar o chocolate, discutir aplicações e provocar o mercado. O encontro, realizado no Centro Europeu, se tornou um ponto de atenção para a confeitaria nacional e ajudou a posicionar o Brasil dentro de uma discussão global sobre inovação no chocolate.

 

Paralelamente à expansão do seu negócio Feito com Chocolate, a empreendedora construiu a sua autoridade por meio também de participação ativa em eventos técnicos, aulas abertas, encontros profissionais e iniciativas educacionais voltadas à Confeitaria e ao chocolate profissional. Assim, desde os primeiros anos da Feito Chocolate, ela esteve à frente da organização e curadoria de aulas presenciais, demonstrações técnicas e eventos em parceria com Chefs, marcas e instituições reconhecidas no setor. E, em diversas ocasiões, foi a responsável por traduzir conteúdos técnicos complexos, como códigos, especificações e diferenças entre chocolates profissionais, em linguagem acessível ao mercado, o que supriu uma lacuna histórica de informação no setor.

 

No relacionamento com a indústria, Alyne Mundt já participou de treinamentos estratégicos e visitas técnicas às unidades de produção da Barry Callebaut como parte integrante de grupos restritos de profissionais convidados pela marca, com acompanhamento de processos produtivos, contato direto com especialistas internacionais e atualização técnica contínua, bem como outras parcerias estratégicas.

 

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1ª CONFERÊNCIA BRASILEIRA DE CONFEITARIA: QUANDO A TRAJETÓRIA VIRA MOVIMENTO COLETIVO

 

Depois de anos vivendo o mercado nacional da Confeitaria como um todo, Alyne Mundt resolveu fazer da sua trajetória um movimento coletivo ao criar a 1ª Conferência Brasileira de Confeitaria.

 

De acordo com a empreendedora, essa ideia surgiu quando ela percebeu que a sua atuação já não era apenas sobre negócio e sim sobre estrutura, mentalidade e fortalecer um setor que cresce em criatividade, mas ainda carece de organização estratégica.

 

DE INSTINTO À ESTRATÉGIA: a trajetória de Alyne Mundt na construção de um novo olhar para a confeitaria brasileira
Alyne Mundt na 1ª Conferência Brasileira de Confeitaria – Foto: Divulgação

 

“A 1ª Conferência Brasileira de Confeitaria nasceu da minha percepção de que a confeitaria precisa ser vista com a importância que ela realmente tem dentro do setor econômico. Muitas vezes, o que falta não é talento ou técnica, mas uma mudança de mentalidade. Assim, ideia surgiu da vontade de tirar a confeitaria de uma informalidade que não é só operacional, mas também mental, trazendo mais visibilidade, reconhecimento e consciência de mercado. Dessa forma, a conferência foi pensada como um espaço para provocar esse despertar e mostrar que a confeitaria é, sim, um setor relevante e estruturado”, afirma.

 

Sobre a primeira edição da conferência, realizada no dia 26 de janeiro em Curitiba, Alyne Mundt partilha que “foi um projeto intenso, desafiador e extremamente gratificante! Os objetivos foram alcançados, especialmente no sentido de provocar reflexão e diálogo. O principal aprendizado foi confirmar que o mercado está pronto para conversas mais profundas, conscientes e estruturadas”, realça.

 

SEGREDO DO SUCESSO E PLANOS PARA O FUTURO

 

Ao ser questionada sobre qual é o segredo para alcançar sucesso no atual mercado food service de Confeitaria, Alyne Mundt alega que, na verdade, tudo começa por definir o que é sucesso. “Se estivermos falando de resultados financeiros, não existe segredo: gestão, posicionamento, leitura de mercado e adaptação constante. Mas, sucesso também pode ser buscar um filho na escola às cinco da tarde ou fazer compras no supermercado sem precisar pesquisar preço. Por mais clichê que soe, é ter consciência da própria atuação e saber, de verdade, o que se quer para si. Quando isso está claro, as escolhas ficam mais coerentes”, garante.

 

Em relação aos seus planos para o futuro após a realização da 1ª Conferência Brasileira de Confeitaria, a empreendedora elenca que são “continuar fortalecendo a Feito Chocolate, consolidar a Conferência Brasileira de Confeitaria como um projeto de referência nacional e desenvolver iniciativas que deixem um impacto real e duradouro no setor. Ah… e ganhar na Mega Sena também não seria nada mal”, brinca.

 

RECONHECIMENTO E INDICADA DE MERCADO

 

Mais do que uma autoridade no ramo nacional do chocolate profissional ao antecipar tendências, formar mercado e criar espaços de troca para um setor carente de lideranças, Alyne Mundt é referência e indicada de mercado, como Heloiza Flores, Chef Técnica da Barry Callebaut, empresa parceira da Feito Chocolate, confirma.

 

Flores trabalha com chocolate profissionalmente ao resolver problemas reais de confeiteiros e é cliente da Feito Chocolate há muitos anos. “No meio do caminho, a relação com a Mundt profissional virou amizade, porque quando o trabalho é sério, a confiança vem junto Eu sou cliente da Feito Chocolate desde 2015 e a minha primeira compra com a Alyne foi ali e, desde então, a relação só evoluiu em tempo, em troca e em maturidade profissional”, compartilha.

 

Segundo a Chef Técnica da Barry Callebaut, Alyne Mundt nunca foi “só” dona de empresa Feito Chocolate. “O diferencial dela sempre foi vender o que o cliente precisa, não o que dá mais margem. Ela não empurra produto, não faz teatro comercial e não romantiza negócio. Excelência no atendimento sempre veio antes do preço, fosse ele o mais caro ou o mais barato. Assim, eu a indico porque é sinônimo de visão, garra e execução. Com ela, ideia boa não fica no papel. Ela é direta, prática, determinada e não finge que não vê problema, ela vê e resolve. É intensa, cobra alto e, definitivamente, não é do tipo que passa a mão na cabeça. Então, trabalhar com ela não é pra qualquer um. Mas, para quem demonstra interesse e competência, ela abre portas, investe em crescimento e puxa junto. Quem quer evolução real, e não colo, cresce com a Mundt”, indica.

 

DICAS PARA QUEM ATUA NO RAMO BRASILEIRO DE CONFEITARIA

 

Para Alyne Mundt, investir no mercado brasileiro de Confeitaria é e não um bom investimento para empresários food service. “Se entendermos o negócio como um conjunto de fluxos, a Confeitaria é um setor dinâmico, que se adapta às mudanças constantes, tendências e datas comemorativas. É um mercado de movimento e atitude. Por outro lado, se a paixão estiver restrita apenas à criação e à produção, aquele olhar mais romântico do bolo confeitado, talvez, não seja o momento. A confeitaria tem, sim, um lado afetivo muito forte, mas ela não se sustenta apenas nisso. É preciso ir além”, alerta.

 

Nesse contexto, a empreendedora deixa a seguinte dica para os que ainda estão começando no mercado food service de Confeitaria: “se aproxime de pessoas que pensem parecido com você. Esqueça o que te disseram sobre concorrência e segredo de receita. Ter um negócio exige dedicação e troca e não vale a pena gastar energia com quem não entende o que você está construindo”, recomenda.

 

Além disso, ela deixa a indicação de que é preciso aprender a fazer planilhas e as parcerias certas. “É chato, é um saco, mas organizar informações te permite saber para onde está indo e corrigir a rota quando for preciso. E é humanamente impossível construir qualquer coisa sozinha. Ninguém consegue saber ou aprender tudo. Eu, por exemplo, tenho um sócio e parceiros que são muito melhores do que eu no que fazem e isso me dá liberdade para focar no que realmente eu preciso fazer. Entender isso foi fundamental para estruturar os negócios de forma saudável”, aconselha.

 

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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