Bloomberg Línea — Executivos da Petrobras (PETR3, PETR4) afirmaram que a companhia está preparada para qualquer cenário de preço do petróleo diante dos riscos do conflito no Golfo Pérsico.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, disse que a tendência da cotação do petróleo ainda não está traçada, principalmente porque a guerra entre Estados Unidos contra o Irã tem poucos dias, assim como a flutuação exacerbada dos preços.
“Olhando à frente, vemos analistas falando que o petróleo pode chegar a US$ 120 no ano que vem, e outros a US$ 53, esse é o tamanho da volatilidade. O importante é que a Petrobras esteja plenamente preparada para ser resiliente o suficiente para enfrentar qualquer um destes cenários”, disse a jornalistas na tarde desta sexta-feira (6).
Segundo o diretor executivo de logística, comercialização e mercados, Claudio Schlosser, a produção de lubrificantes da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, demanda um tipo de óleo específico conhecido como “árabe leve”, proveniente do Oriente Médio. A companhia importa cerca de dois navios do produto a cada três meses.
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Neste contexto, o executivo afirma que a Petrobras tem estoques de árabe leve já no Brasil e algumas embarcações a caminho. As outras encomendas têm três rotas para chegar ao país, o que elimina riscos de escassez do insumo, segundo ele.
“Não vemos risco no longo prazo de importação desse óleo, que sai preferencialmente pela rota do Mediterrâneo”, afirmou.
Ele acrescentou que os mercados que a estatal abastece estão fora da região do conflito. “Os nossos fluxos vão especialmente para Índia, China e Europa.”
Schlosser disse a investidores, mais cedo, que a questão do frete já começou a se ajustar no mercado global. “A foto que temos do momento é que na colocação dos nossos óleos, a situação atual tem favorecido a Petrobras, que tem registrado margens melhores.”
Volatilidade dos preços
Chambriard disse que, apesar da volatilidade do barril de petróleo, a política de preços da companhia vai continuar funcionando normalmente.
“Até agora não temos nenhum indício de que não tenha funcionado, a principal prova que está funcionando bem é o resultado que apresentamos no fechamento de 2025″, disse.
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No consolidado do ano passado, a estatal registrou um lucro líquido de R$ 110 bilhões, aumento de 200% sobre 2024, mesmo diante de uma queda de 14% do Brent no ano passado.
“A política de repasses ‘nervosos’ na variação de preço do petróleo, principalmente para cima, é uma coisa do passado. Gerou muita confusão, insegurança e só beneficiou alguns poucos importadores”, observou. “A sociedade como um todo perdeu, no nosso entendimento”, acrescentou a CEO.
Sobre a possibilidade de exploração de petróleo na Venezuela, Chambriard disse que a Petrobras só cogitaria o caso se o embargo fosse cancelado.
“As reservas [da Venezuela] são complicadas de explorar, em um país com embargo. Se eventualmente esse embargo for cancelado, poderíamos cogitar se a Venezuela é um negócio para nós. Nesse momento, não temos sequer autorização de ir para lá”, disse a executiva.
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