A GOL já havia anunciado Nova York e confirmou agora também Lisboa, Paris e Orlando como parte da expansão internacional a partir do Rio de Janeiro. O objetivo é transformar o aeroporto no principal eixo de conexão da companhia entre voos domésticos, regionais e intercontinentais, usando essa rede para alimentar a operação e aumentar a relevância do grupo no tráfego internacional.
Entre janeiro e dezembro de 2005, por exemplo, mais de 5,2 milhões de passageiros vieram para o Rio de Janeiro, sendo que a Gol trouxe 1 milhão de turistas estrangeiros por meio de seus parceiros, afirma Celso Ferrer, CEO da Gol. O executivo anunciou as novidades da companhia em um evento para imprensa e autoridades na capital fluminense.
“Estamos trazendo para o negócio a possibilidade de captar novas receitas, por meio de produtos e conectividade, agora, internacional.” Em 2025, cerca de 17% de toda a operação da GOL foi dedicada a rotas internacionais, com foco especialmente na América do Sul, países da América Central, além de México e Estados Unidos. A meta, agora com os anúncios, é chegar a 25% até 2029.
Melhor preparada… até para o combustível mais caro
Depois de um ano e meio com a prioridade de reorganizar a operação e retomar capacidade, a companhia vê a próxima fase menos centrada em volume e mais em rentabilidade, segundo o CEO. Ferrer diz que a GOL saiu do processo de recuperação judicial nos EUA mais eficiente e com uma operação consistente.
Nos últimos meses, a GOL voltou a ganhar participação no mercado doméstico, embora siga atrás da Latam. Ferrer atribui essa recuperação à retomada de aeronaves que ficaram paradas nos anos mais difíceis da pandemia e voltaram à operação após a saída do Chapter 11. Segundo o executivo, porém, essa fase de expansão mais acelerada tende a dar lugar agora a “um crescimento mais ponderado”, mais alinhado ao avanço do mercado do que a uma busca incessante por participação.
Segundo o CEO, a companhia está preparada para lidar com choques como a alta do petróleo, um ponto sensível para o setor aéreo pelo impacto direto sobre o preço do combustível. Nesta semana, o petróleo tipo Brent chegou a superar a casa de US$ 100 nas negociações do mercado. O executivo, porém, pondera que a estratégia de expansão de rotas internacionais não está ancorada apenas no curto prazo, mas num plano mais amplo de expansão e monetização da operação – e reconhece que deve haver repasse dos custos aos preços dos bilhetes.
Nova cara da frota
É justamente aí que entra uma das mudanças mais simbólicas dessa nova fase. Historicamente apoiada numa frota padronizada de Boeing 737, a GOL vai incorporar agora cinco Airbus A330 para sustentar a expansão internacional de longo curso. A mudança adiciona complexidade a uma operação que sempre tratou a simplicidade da frota única como parte central de sua eficiência, mas a companhia argumenta que esse movimento faz sentido dentro da lógica da Abra, e não apenas da GOL isoladamente.
Na visão da empresa, a escala do grupo ajuda a absorver essa transição. Ferrer afirma que “a gestão da frota, que é onde a gente tem as maiores e as mais claras sinergias. O hub de manutenção já opera de forma integrada entre Gol e Avianca, por exemplo. A empresa de origem colombiana também faz parte da Abra e opera os aviões Airbus.
Albert Perez, vice-presidente de operações da GOL, diz que a incorporação das aeronaves A330 vem sendo estruturada para aproveitar sinergias em manutenção, contratos e gestão operacional, dentro de uma plataforma mais ampla do grupo. O argumento da companhia é que a nova frota não está sendo tratada como um projeto paralelo, mas como parte do desenho de longo prazo da Abra para ampliar conectividade e presença internacional.
GOL mais premium
A nova etapa da companhia não passa apenas pela malha e pela frota. Ela também traz uma mudança de posicionamento comercial. Com os voos intercontinentais, a GOL passa a oferecer uma categoria executiva batizada de Insignia, numa tentativa de acessar um passageiro de maior renda e elevar a receita por cliente em rotas mais longas.
Ao mesmo tempo, a Smiles ganha uma nova categoria, a Magno, posicionada acima da Diamante, atualmente a mais alta do programa de fidelidade da GOL. A combinação entre cabine premium e fidelidade mais sofisticada reforça a estratégia de capturar valor adicional com produtos e serviços, num momento em que a companhia tenta entrar numa fase menos centrada em volume e mais focada em rentabilidade.
Fonte: Invest News




