Tenda prevê ganho ‘expressivo’ com reajuste do Minha Casa Minha Vida, diz CFO

Bloomberg Línea — Os executivos da Tenda estão otimistas com as perspectivas da empresa para 2026. A construtora, especializada no segmento de baixa renda, é um dos principais players nas faixas de entrada do Minha Casa Minha Vida (MCMV) — e pode ser beneficiada por um reajuste no programa.

No início de março, o Ministério das Cidades propôs aumentar o limite de renda familiar em todas as faixas do MCMV, além de elevar o teto das faixas 3 e 4, as mais altas do programa habitacional. As mudanças atendem a uma demanda da classe média e têm peso político relevante em ano eleitoral.

Para a Tenda, o ponto central da proposta é o reajuste na faixa 1, que concentra metade da base de clientes da construtora. Por essa proposta, o limite de renda da faixa poderia subir de R$ 2.850 para R$ 3.200, caso aprovada pelo conselho curador do FGTS.

“A renda mediana do nosso cliente é de R$ 3.000, então estimamos que poderemos capturar os benefícios desse movimento de forma expressiva”, afirmou Luiz Garcia, CFO da Tenda, em entrevista à Bloomberg Línea.

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A empresa tem surfado o bom momento do MCMV, programa que ganhou força no terceiro mandato do presidente Lula.

A expectativa para 2026 é de manutenção da tendência: a Tenda anunciou na última quinta-feira (5) que atingiu R$ 1 bilhão em vendas brutas nos dois primeiros meses de 2026, crescimento de 27% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

“O resultado não responde a nenhum fator sazonal, e é algo que mostra a força tanto do do bom momento da companhia, quanto do cenário macroeconômico com o MCMV”, afirmou.

Para o ano, a incorporadora projeta lucro líquido consolidado entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões, excluindo o resultado de swap de dívida, o que representaria um crescimento de 35% a 62% no indicador.

A projeção foi divulgada junto com o balanço do quarto trimestre de 2025, que veio em linha com as expectativas do mercado. No período, a Tenda registrou lucro de R$ 104,6 milhões, salto de 390,9% na comparação anual.

O desempenho foi puxado pela divisão de incorporação vertical, enquanto a Alea, braço de casas pré-fabricadas da companhia, seguiu no vermelho. A subsidiária registrou prejuízo líquido de R$ 50,2 milhões no trimestre e R$ 130,4 milhões no acumulado de 2025.

O breakeven da Alea, que estava previsto para o ano passado, precisou ser adiado depois que a companhia “acelerou antes da hora” e foi obrigada a recalibrar sua estratégia. A nova meta é atingir o breakeven em 2027. Para este ano, a projeção é de queima de caixa entre R$ 60 milhões e R$ 80 milhões — bem abaixo dos R$ 154,2 milhões consumidos em 2025.

“Apesar do prejuízo de Alea, entregamos um bom resultado consolidado graças à força da Tenda. Então o foco este ano é seguir crescendo nesse segmento, que está em um momento muito positivo”, disse.

As ações da Tenda (TEND3) subiram 7,5% no pregão seguinte à apresentação do balanço. Os papéis acumulam ganhos de 30% no ano e de 115% em 12 meses até a quarta-feira (11).

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Diversificação e mão de obra

A faixa 1 ainda responde por metade dos negócios da Tenda no MCMV, mas a empresa tem ampliado progressivamente sua presença nos demais segmentos de renda. Hoje, o mix inclui 34% das unidades voltadas à faixa 2 e 15% à faixa 3.

Segundo Garcia, a expectativa é que, até o fim de 2025, a distribuição esteja mais equilibrada, com a faixa 3 chegando a uma fatia entre 20% e 25% do portfólio.

A atuação na faixa 4, porém, não está nos planos. A avaliação da companhia é que o segmento mais alto do programa é incompatível com o modelo de construção industrializado adotado pela Tenda.

“A faixa 4 frequentemente exige projetos arquitetônicos mais elaborados e uma engenharia mais flexível, o que demanda mais mão de obra. Não queremos seguir esse caminho”, afirmou o executivo.

O tema da mão de obra, aliás, está no centro das preocupações do setor. A inflação de custos trabalhistas avança de forma contínua desde 2023, e o Congresso deve discutir ainda este ano o fim da escala 6×1, regime amplamente utilizado na construção civil.

Para o CFO da Tenda, se a eventual mudança mantiver o limite de 40 horas semanais, o impacto sobre a empresa deve ser limitado, já que essa é a média atual de produtividade dos seus trabalhadores. O modelo industrializado também ajuda, por demandar um número menor de pessoas no canteiro.

“Já estamos bem posicionados para enfrentar esse cenário. O componente de mão de obra da Tenda está cerca de 10 pontos percentuais abaixo da média do segmento econômico”, concluiu.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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