Bloomberg Línea — A presidente da Petrobras (PETR3, PETR4), Magda Chambriard, voltou a defender a política de preços dos combustíveis da estatal após o anúncio de reajuste de diesel que está programado para vigorar a partir deste sábado (14).
“Nossa estratégia de preços está funcionando, tem bases absolutamente sólidas de retorno para a companhia. Os direitos dos acionistas de quererem o melhor retorno são respeitados, tanto do acionista governamental quanto do privado”, disse a executiva na tarde desta sexta-feira (13) em entrevista a jornalistas.
Ela destacou que a Petrobras vai continuar acompanhando as movimentações no cenário internacional e novas medidas “podem ser tomadas a qualquer momento”, a depender da evolução do mercado. “Estamos falando de aumento de diesel. Vamos deixar a gasolina com preço mantido.”
O governo federal editou uma Medida Provisória (MP) nesta quinta-feira (12) zerando o PIS e Cofins para o diesel. Nesta manhã, a estatal anunciou um reajuste de R$ 0,38 por litro do combustível para as distribuidoras.
Chambriard explicou que, quando a Petrobras emite uma nota fiscal para a distribuidora, acrescenta-se ao valor do litro o montante correspondente ao PIS e ao Cofins. No entanto, como esses tributos foram zerados, teoricamente a distribuidora deveria repassar o diesel com R$ 0,32 por litro a menos para os postos.
“A variação do preço para o consumidor final é de seis centavos, se os elos [da cadeia] não inflarem suas margens.”
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A executiva acrescentou ainda que em um determinando momento a sociedade brasileira “apoiou a desverticalização da Petrobras”, referindo-se à privatização da BR Distribuidora, hoje Vibra (VBBR3), em um processo concluído em 2021.
Chambriard disse que, à época, a estatal tinha de 26% a 27% do mercado de venda de combustível. “Com essa fatia, tínhamos capacidade de influenciar preço. Na hora em que deixamos de ter esse braço chegando ao consumidor, a Petrobras deixou de impactar preço.”
Em sua visão, é difícil para o consumidor dissociar um posto com logo da Petrobras com a petroleira. “Todos os postos que têm logo da Petrobras pertencem à Vibra e, muitas vezes, aumenta-se a margem”, diz. “Em um momento desse de alta volatilidade os agentes econômicos infelizmente se aproveitam para aumentar margem”, acrescentou.
A executiva disse ainda que a estatal não deixou de abastecer o mercado. “Podemos supor que não é falta de produto, é retenção para especular e aumentar margem. Isso é o que nós temos suposto, cabe às instituições de fiscalização e de controle checarem se isso está acontecendo e, se sim, tomar as medidas cabíveis.”
Executivos destacaram que a Petrobras entrega cerca de 70% do diesel nacional e importa mais um pouco. A companhia, segundo eles, está adiando manutenção de refinarias e elevando o fator de utilização para garantir mais produção.
Chambriard ponderou que todos os países estão tomando providências para mitigar os efeitos da guerra. “Quando olhamos à frente, na direção do final do ano, a perspectiva é de queda [do preço do barril]. Nossa preocupação é não repassar para a sociedade um nervosismo desnecessário.”
A executiva elogiou a atuação do governo federal acerca do PIS e Cofins. “Essa medida não é endereçada à Petrobras, mas sim a todos os agentes econômicos que colocam diesel no mercado brasileiro.”
Sobre a taxa de 12% sobre a exportação de petróleo, anunciada também nesta quinta-feira, Chambriard acredita que a medida é temporária. “Em um cenário de guerra, com aumento drástico [do preço do barril], esse imposto de exportação não deve impactar muito o que as companhias têm a receber.”
Por fim, ela acrescentou que os ministros do governo que se reuniram com a estatal reforçaram que a Petrobras é “livre para seguir a sua política de preços”.
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