Quem é Darren Beattie, assessor de Trump que teve visto revogado por Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta sexta-feira (13), a revogação do visto de Darren Beattie, assessor do presidente americano Donald Trump.

Beattie tinha visita marcada ao Brasil para a próxima semana e havia solicitado uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na Papudinha. A visita foi revogada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, nesta quinta-feira (12).

Quem é Darren Beattie, assessor de Trump?

Ex-professor visitante no departamento de ciência política da Duke University, Darren Beattie trabalhou como conselheiro político e redator de discursos de Trump durante o primeiro mandato do republicano.

Discurso em evento com supremacistas brancos e demissão da Casa Branca

Ele foi demitido em 2018 após o projeto KFile da CNN publicar uma reportagem revelando que Beattie participou de uma conferência com a presença de supremacistas brancos.

O repórter sênior de política da CNN Andrew Kaczynski mostrou que Beattie constava na lista de palestrantes da conferência do H.L. Mencken Club, em 2016.

O clube leva o nome do jornalista e satirista do século XX cujos diários, publicados depois de sua morte, revelaram visões racistas. O evento do Mencken Club é uma pequena conferência anual, que começou em 2008, e é frequentada regularmente por supremacistas brancos.

Além de Beattie, a edição de 2016 teve a participação do supremacista Peter Brimelow e de dois escritores, John Derbyshire e Robert Weissberg, ambos demitidos em 2012 da revista conservadora National Review por expressarem opiniões racistas.

Em agosto de 2018, a Casa Branca pediu à CNN que adiasse por vários dias a publicação da reportagem sobre a presença de Beattie na conferência. Após a divulgação, o governo confirmou a saída de Beattie do governo.

O Washington Post noticiou posteriormente que a demissão estava relacionada à reportagem da CNN.

Na época, Beattie confirmou à CNN que discursou na conferência de 2016, afirmando que seu discurso não era questionável. Dois dias após a publicação da reportagem, Beattie forneceu à CNN o que ele disse ser o texto completo de seu discurso na conferência.

“Em 2016, participei da conferência Mencken em questão e apresentei uma palestra acadêmica independente intitulada ‘A Intelectualidade e a Direita’. Não disse nada de questionável e mantenho minhas declarações integralmente”, disse ele ao KFile da CNN em um e-mail. “Foi a maior honra da minha vida servir no governo Trump. Amo o presidente Trump, que é um herói americano destemido, e continuo a apoiá-lo cem por cento. Não tenho mais nada a declarar.”

Fundação de site de direita e publicações preconceituosas

Após ser demitido da Casa Branca de Trump, Beattie fundou o site conservador de direita “Revolver News”.

O veículo ficou conhecido por amplificar teorias da conspiração falsas sobre a invasão do Capitólio em 6 de janeiro, incluindo alegações de que agências federais americanas orquestraram aspectos do ataque e controlaram grupos extremistas envolvidos.

Beattie também fez uma série de comentários carregados de cunho racial.

Em um tweet de 2024, ele escreveu: “Homens brancos competentes precisam estar no comando se vocês quiserem que as coisas funcionem. Infelizmente, toda a nossa ideologia nacional se baseia em mimar os sentimentos de mulheres e minorias e em desmoralizar homens brancos competentes.”

Ele também elogiou o biólogo James Watson, o fundador da genética moderna que fez comentários sugerindo que pessoas negras eram menos inteligentes que pessoas brancas, como o “maior cientista americano vivo”.

Beattie afirmou repetidamente que parlamentares negros, formuladores de políticas e grupos precisam “aprender” o seu lugar e “se curvar ao MAGA” (“Make America Great Again”, slogan trumpista).

A CNN analisou dezenas dos quase 40 mil tweets de Beattie.

O projeto KFile da CNN encontrou vários tweets apagados nos quais Beattie, durante a invasão do Capitólio, incentivava os manifestantes do 6 de janeiro.

Retorno ao governo Trump e tweets apagados sobre Rubio

Apesar de ter sido demitido no primeiro mandato, Beattie permaneceu um apoiador leal de Trump. No final de 2020, Trump nomeou Beattie para a Comissão dos EUA para a Preservação do Patrimônio Americano no Exterior.

A comissão tem a missão de proteger locais históricos, incluindo memoriais do Holocausto, e a nomeação gerou forte reação negativa de organizações como a Liga Antidifamação. No início de 2022, o então presidente Joe Biden demitiu Beattie da comissão, juntamente com vários outros nomeados da era Trump.

No início do segundo mandato de Trump, Beattie foi promovido a um alto cargo no Departamento de Estado – um dos braços mais prestigiados do governo americano.

Beattie foi nomeado para atuar como subsecretário interino de Diplomacia Pública e Assuntos Públicos, um cargo fundamental responsável por ajudar a moldar a mensagem dos EUA no exterior relacionada ao combate ao terrorismo e ao extremismo violento, de acordo com o site do Departamento de Estado.

Uma investigação do projeto KFile da CNN revelou que Beattie apagou uma série de publicações nas redes sociais nas quais ridicularizava o seu atual chefe, Marco Rubio, incluindo alguns que chamavam o secretário de Estado “de baixo QI” e repetiam um boato falso sobre sua sexualidade.

Beattie deletou tweets que sugeriam uma profunda hostilidade em relação a Rubio – particularmente depois que o então senador votou pela certificação dos resultados da eleição de 2020 e condenou o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Um tweet deletado também atacava Rubio por criticar possíveis ações russas na Ucrânia.

Em um tweet apagado, de 7 de janeiro de 2021, Beattie invocou teorias da conspiração sobre o passado de Rubio, fazendo referência ao “Wainwright Park” – uma violação do toque de recolher ocorrida na adolescência de Rubio que foi posteriormente distorcida em especulações infundadas de que Rubio seria gay – e à “espuma”, uma referência a alegações igualmente infundadas sobre Rubio frequentar festas da espuma em boates LGBTQIA+.

“Esqueçam o Wainwright Park, esqueçam a espuma, esqueçam a promoção da guerra e os neoconservadores que bancam os ricos, esqueçam o baixo QI, esqueçam as primárias de 2016, Rubio é DURO COM A CHINA (e bom para o complexo militar-industrial). Então sejam bons cidadãos e votem nele!!!”, escreveu Beattie.

“Será que Marco Rubio tem futuro na política?”, perguntou Beattie em outro tweet que foi apagado.

Beattie apagou outros três tweets de 23 de julho de 2020, nos quais classificava os esforços para reformular a imagem de Rubio como nacionalista como uma “farsa”, “absurdo” e “falsa”.

Em resposta a uma série de perguntas feitas na época pela CNN, Beattie respondeu: “O secretário Rubio é 100% ‘América Primeiro’ (“America First”) e é uma enorme honra trabalhar para ele no avanço da agenda histórica mundial do presidente Trump.”

Rubio se recusou a comentar sobre as declarações ofensivas anteriores de Beattie e afirmou que o papel de Beattie se concentraria na percepção de censura online. 

Relação com o Brasil e críticas a Moraes

Depois que o governo Trump sancionou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes com a Lei Magnitsky, Beattie repercutiu a medida nas redes sociais.

“As sanções contra o juiz Moraes hoje deixam claro que o presidente Trump leva a sério o complexo de censura e perseguição no Brasil, do qual Moraes foi o principal arquiteto”, comentou Beattie no X.

“Aqueles que foram cúmplices das violações de direitos humanos de Moraes devem tomar nota”, adicionou, sem especificar quem seriam essas pessoas.

Em outra publicação, ele classificou Moraes como “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição direcionado a Bolsonaro e seus apoiadores”.

Quando o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão pelo plano de golpe de Estado, Beattie publicou nas redes: “Esta decisão representa um novo marco fatídico no complexo de censura e perseguição do juiz Moraes, violador de direitos humanos sancionado, contra Bolsonaro e seus apoiadores.”

No início dese ano, Beattie foi nomeado pelo governo Trump para um cargo graduado de assessor encarregado de supervisionar assuntos relacionados ao Brasil, disseram três fontes familiarizadas com o assunto à Reuters.

A nomeação foi confirmada por um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA, que afirmou que Beattie “atua atualmente como assessor sênior para a Política do Brasil”.

A revogação do visto de Beattie pelo governo brasileiro

Fontes do governo relataram à CNN que a revogação do visto de Beattie se deu por omissão de informações relevantes à visita ao Brasil. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro disse que o visto foi revogado em razão de “omissão e e falseamento de informações” em relação a viagem.

“O Itamaraty confirma a revogação do visto, tendo em conta a omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington. Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional”, declarou o ministério.

Moraes tomou a decisão de revogação da visita de Darren Beattie a Bolsonaro após o chanceler Mauro Vieira alertar à Corte que o encontro de um funcionário do governo dos Estados Unidos com um ex-presidente brasileiro em ano eleitoral poderia configurar ingerência em assuntos internos do país.

“A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-Presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, afirmou Vieira.

Em evento no Rio de Janeiro nesta sexta-feira, Lula comentou o caso e pediu a liberação do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, aos Estados Unidos.

“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibo de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde que tá bloqueado”, disse Lula.

O Itamaraty confirmou à CNN que convocou o Encarregado de Negócios dos EUA, Gabriel Escobar, a prestar esclarecimentos sobre a visita do assessor de Trump, Darren Beattie, ao Brasil. Escobar foi recebido na última terça (11) pelo embaixador Roberto Abdalla.

Segundo apurou a CNN, o governo brasileiro não acredita que a revogação do visto de Beattie causará um possível tensionamento na relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos.

* Publicado por Léo Lopes, com informações de Andrew Kaczynski, Em Steck e Jennifer Hansler, da CNN, e Gram Slattery, Humeyra Pamuk e Lisandra Paraguassu, da Reuters



Fonte: CNN Brasil

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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