Oncoclínicas negocia acordo com a Porto e troca CFO diante de pressão de vencimentos

Bloomberg Línea — A Oncoclínicas (ONCO3) tomou duas decisões que redesenham sua trajetória e expõem uma divisão no conselho de administração.

Na quinta-feira (13), o colegiado aprovou por maioria a assinatura da proposta não vinculante apresentada pela Porto Seguro — o primeiro passo formal de uma negociação que pode resultar em um aporte bilionário na rede oncológica.

No domingo (15), o conselho aceitou a renúncia de Camille Loyo Faria, que acumulava os cargos de vice-presidente executiva, diretora financeira e diretora de relações com investidores, e elegeu Marcel Cecchi Vieira para assumir as três funções.

Leia mais: Oncoclínicas: oncologista premiado é escolhido como CEO interino no lugar do fundador

A aprovação da proposta da Porto Seguro formaliza uma negociação que vinha sendo tratada nos bastidores. A Porto Saúde, vertical do Grupo Porto (PSSA3) liderado pelo CEO Paulo Kakinoff, é uma das maiores fontes pagadoras da rede oncológica.

Em maio de 2025, ao comentar o salto de 71% no lucro da vertical de saúde, Kakinoff havia sinalizado que fundos demonstravam interesse na área, mas que qualquer movimento dependeria de um plano estratégico que fizesse sentido.

A proposta aprovada pelo conselho é não vinculante (ou seja, não obriga nenhuma das partes) e precede a etapa de due diligence.

Procurada pela reportagem, a Oncoclínicas não respondeu a pedido de comentário sobre fatos mencionados.

As ações da Oncoclínicas dispararam até 12% na abertura do mercado nesta segunda (16), chegando a R$ 2,08, mas perderam impulso ao longo da sessão. Por volta das 13h, o papel era negociado a R$ 1,88, com alta de 1,62%.

Disputa no conselho

O novo CFO, Marcel Cecchi Vieira, é o CEO da Latache, gestora brasileira fundada por Renato Azevedo que detém 14,62% da Oncoclínicas e controla cinco dos sete assentos do conselho.

Ao assumir também a diretoria financeira e a área de relações com investidores, ele concentra na Latache o comando executivo e o relacionamento com o mercado num dos momentos mais delicados da história da companhia.

As duas deliberações (do acordo com a Porto e a troca de CFO) tiveram voto contrário do Goldman, o que aprofunda uma tensão que já havia se manifestado na composição do conselho eleito em janeiro.

Cinco assentos pertencem à chapa da Latache: Marcelo Gasparino da Silva, na presidência; Marcel Cecchi; Marcelo Curti; Eduardo Soares do Couto Filho; e o fundador Bruno Ferrari, vice-presidente.

Os dois restantes cabem ao Goldman, com Grodetzky e Rosenthal, que substituíram David Castelblanco, americano que presidia o colegiado desde o IPO.

Pelo menos três nomes dominam o capital do grupo: a Centaurus Capital, family office do americano John Arnold, com 18,32% por meio do fundo Josephina III; a Latache, gestora brasileira de Renato Azevedo, com 14,62%; e o MAK Capital Fund, fundo americano de Michael Kaufman, com 6,31%.

A Centaurus assumiu a posição após o Goldman Sachs, que chegou a deter 60% da empresa desde 2015, desinvestir sua participação em 2025.

A operação gerou uma disputa na Justiça federal de Nova York: acionistas minoritários questionaram se a transferência deveria ter obrigado a Centaurus a fazer uma oferta de compra para todos os acionistas (OPA).

A Oncoclínicas disse não identificar essa obrigação. O caso não tem desfecho.

Já Kaufman pode elevar sua fatia, pois detém 71,4 milhões de bônus de subscrição da Oncoclínicas, instrumento que dá direito de comprar ações a R$ 3,00 até novembro de 2027, com o BTG Pactual (BPAC11) como representante legal.

Há ainda uma fatia de 8,68% em disputa. O Banco Master, de Daniel Vorcaro, entrou na Oncoclínicas em 2024 com R$ 1 bilhão, chegando a 20% do capital, depois diluído com o aumento de capital de novembro.

Quando o Banco Central liquidou o Master, essas ações foram para o BRB, banco público do Distrito Federal, como pagamento de dívidas de Vorcaro. A Oncoclínicas obteve liminar neste mês impedindo o BRB de mexer nas ações.

O caso não tem ainda um desfecho. Há uma tensão adicional: se a fatia do BRB ultrapassar certo limite, a cláusula de poison pill seria acionada, obrigando o banco a fazer uma oferta de compra para todos os acionistas.

Há um quarto acionista relevante. Com 5,90% do capital da Oncoclínicas, está a Geribá Participações, veículo do Grupo Geribá, gestora brasileira especializada em special situations controlada pelo family office português Cardoso de Oliveira, de Nelson da Silva Cardoso de Oliveira.

Leia mais: Oncoclínicas busca ‘waiver’ de debenturistas para descumprir limite de alavancagem

O grupo ficou conhecido no mercado por comprar a usina sucroalcooleira Santa Vitória, em Minas Gerais, da Dow Chemical em 2020, fazer seu turnaround e vendê-la à Jalles Machado (JALL3) por R$ 704 milhões em 2022.

Essa mesma gestora assumiu recentemente o controle da Alliança Saúde (AALR3), antiga Alliar, rede de medicina diagnóstica, ao comprar de credores as ações que pertenciam ao empresário Nelson Tanure, alvo da Operação Compliance Zero que investiga o caso Master.

A rede de medicina diagnóstica, que chegou a ser disputada pelo Grupo Fleury (FLRY3) em 2022, teve a filha de Tanure, Isabella, como CEO e depois presidente do conselho.

Antecipação de recebíveis

Para reforçar o caixa no curtíssimo prazo, a Oncoclínicas recorreu à Sicoob Credicom, maior cooperativa financeira da área de saúde do Brasil, para antecipar pagamentos devidos pela Unimed BH e pela Unimed Recife.

O limite da linha é de R$ 70 milhões, a taxa é de CDI mais 0,6% ao mês, e até 10 de março a empresa havia usado cerca de R$ 23 milhões, um terço do disponível.

A operação foi aprovada pelo conselho em 27 de fevereiro, gerou questionamento da CVM sobre a ausência de divulgação como fato relevante, e teve a ata corrigida em 12 de março para incluir montante, taxa e prazo.

A dívida bruta da Oncoclínicas chegou a R$ 4,8 bilhões. A Fitch rebaixou o rating da empresa de grau de investimento para risco de inadimplência iminente em fevereiro.

A Fitch aponta ainda R$ 865 milhões em recebíveis em atraso da Unimed-Ferj, cooperativa carioca em crise que chegou a suspender pagamentos à Oncoclínicas e forçou o descredenciamento temporário de 12 mil pacientes, renegociados com desconto em até dez anos.

A Oncoclínicas já convocou credores de cinco emissões de debêntures para votar um waiver, pedido para não ser considerada inadimplente caso descumpra limites contratuais, nos próximos dias 24 e 25, antes de divulgar o resultado de 2025, previsto para 30 de março.

Leia também

Oncoclínicas enfrenta desafio de rolar R$ 1 bi em meio a troca de CEO e rebaixamentos



Bloomberglinea

Obrigado por acompanhar nossas publicações. Nosso compromisso é trazer informação com seriedade, clareza e responsabilidade, mantendo você sempre bem informado sobre os principais acontecimentos que impactam nossa cidade, região e o Brasil. Continue nos acompanhando e participe deixando sua opinião — sua voz é essencial para construirmos juntos um jornalismo mais próximo do leitor.

Ismael Martins de Souza Costa Xavier

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur.

The most complete solution for web publishing

Fique sempre com a gente! Nosso jornal traz informação em tempo real, com credibilidade e proximidade. Acompanhe, compartilhe e faça parte dessa história.

Agradecemos a você, leitor, por nos acompanhar e confiar em nosso trabalho. É a sua presença que nos motiva a seguir levando informação com seriedade, clareza e compromisso. Seguiremos juntos, sempre em busca da verdade e da notícia que faz diferença no seu dia a dia.

Jornalista:

Compartilhe esta postagem:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *