A rotina de um Chef gastronômico vai muito além do ato de cozinhar. Entre o calor do fogão, a pressão do serviço e as decisões estratégicas que envolvem gestão, criação e liderança, esses profissionais constroem narrativas em forma de sabores, experiências e memórias à mesa. É um trabalho que demanda sensibilidade, disciplina e, sobretudo, uma relação profunda com os ingredientes e com as pessoas que fazem a engrenagem da cozinha girar diariamente.
É nesse contexto que se insere a trajetória do Chef Rafa Gomes. Com uma carreira construída passo a passo, dentro e fora do Brasil, ele reúne técnica, repertório internacional e uma forte conexão com as suas origens. E, em conversa exclusiva com a Rede Food Service, o Chef conta detalhes sobre o seu trabalho. Não vai perder, não é?!
QUEM É O CHEF RAFA GOMES
Natural de Niterói, no Rio de Janeiro, o Chef Rafa tem 42 anos e se considera uma pessoa que ama o mar, natureza, e tudo que envolve boa comida, boas bebidas e boas histórias.
Chef de Cozinha por escolha e vocação, ele afirma que “cozinhar sempre foi uma forma de me expressar, de conectar pessoas. Quando não estou cozinhando, estou viajando, descobrindo ingredientes novos, conhecendo produtores locais, esse tipo de coisa me inspira demais. Eu sempre gostei de comer bem, mas a decisão de virar Chef veio quando eu percebi que a cozinha podia ser um lugar de criação, arte e disciplina ao mesmo tempo”.
FORMAÇÃO E EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS DO CHEF RAFA GOMES
A trajetória do Chef Rafa na gastronomia foi iniciada com muito trabalho e disposição para aprender.
Formado em Gastronomia pelo Institute of Culinary Education, em Nova York, nos Estados Unidos, ele atua há mais de 18 anos no setor de food service, onde trilhou um caminho gradual, passando por diferentes funções até consolidar a sua carreira como Chef. “Comecei jovem, primeiro entregando pizza e lavando louça, depois, como Garçom e Bartender, Ajudante de Cozinha e fui subindo aos poucos”, recorda.

Essas experiências foram fundamentais para que ele entendesse a dinâmica completa de um restaurante. E, após se formar, o Chef teve a oportunidade de colocar o aprendizado em prática. “Trabalhei em casas importantes como o Gramercy Tavern e o Eleven Madison Park, em Nova Iorque, o Mirazur, na França, e cada uma me ensinou algo diferente sobre técnica, sobre respeito ao ingrediente e sobre liderança na cozinha”, ressalta o Chef.
De volta ao Brasil, a bagagem internacional encontrou terreno fértil para se transformar em projetos autorais. “Ao voltar para o Brasil, eu abri os meus próprios restaurantes, o que foi um divisor de águas. Cada cozinha que comandei tem um pedaço da minha história com muita ralação, mas também muita satisfação”, destaca
MOMENTOS MARCANTES NA CARREIRA
Entre os inúmeros capítulos de sua carreira, a criação do Itacoa ocupa um lugar especial. Inaugurado em Paris, em 2018, o restaurante nasceu do desejo do Chef Rafa de apresentar ao público europeu uma cozinha brasileira. “Eu queria levar um pouco da cozinha brasileira, que é leve, colorida, cheia de sabor. O nome do restaurante vem de Itacoatiara, uma praia de Niterói que eu amo e que me conecta com as minhas origens. Depois, trazer o Itacoa para o Rio foi quase natural, sabe? Era o momento de voltar pra casa”, explica Rafa.
Outro momento marcante foi a sua passagem pelo restaurante Tiara, localizado no Rio de Janeiro, um projeto mais autoral e sofisticado. “O Tiara veio como uma evolução, um projeto mais autoral e maduro. Um restaurante para expressar, de forma mais refinada, a minha visão da gastronomia, misturando técnica francesa com ingredientes brasileiros”, pontua.

Em seu currículo, Rafa também conta com a participação e vitória no programa MasterChef Profissionais em 2018, além de outras conquistas nas telinhas. “Foi um marco na minha vida. Ganhar o programa abriu muitas portas e, principalmente, me aproximou do público brasileiro. Já o Iron Chef Brasil foi uma experiência completamente diferente, muito intensa, técnica e com um nível altíssimo. Esses programas são desafiadores, mas te tiram da zona de conforto e mostram o quanto a gastronomia é, de verdade, um trabalho de pressão, criatividade e amor”, afirma.
Em 2023, ele ainda recebeu o título de Chef do Ano pelo prêmio Comer & Beber da Veja Rio. “Tive a alegria de ser eleito Chef do Ano e de ver o Itacoa Paris e o Tiara entrarem no Guia Michelin. Esses reconhecimentos são importantes, porque validam o trabalho do time, não só do Chef. Eles me motivam a continuar evoluindo e, ao mesmo tempo, a manter os pés no chão porque a gastronomia é feita de constância e entrega, todos os dias”, salienta o Chef.

Além disso, Rafa também acumula experiências como a de Chef convidado do evento NANNAI Harmonniza, projeto do hotel NANNAI, na praia de Muro Alto, no Litoral Sul de Pernambuco, que leva grandes nomes da gastronomia para jantares com menus especiais, tendo o Chef Executivo Fernando Pavan como anfitrião. “Foi uma experiência linda! O NANNAI é um lugar com uma energia única, e cozinhar ali, ao lado de Chefs que admiro, foi muito especial. Levei comigo sabores da minha terra, ingredientes que contam histórias, e a troca com o público foi incrível. Esses eventos são momentos de celebração da gastronomia brasileira, e eu adoro participar desse tipo de iniciativa”, destaca.
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ROTINA COMO CHEF
Atualmente, o Chef Rafa está em um momento mais conectado com a natureza à frente do Tahí, localizado no Maré Hotel, em São Miguel dos Milagres, no litoral de Alagoas. “Eu vivo uma fase diferente, mais leve, conectada com a natureza, trabalhando com ingredientes locais, pescadores, horta própria. É uma cozinha solar, fresca, que traduz o lugar”, diz.
Ele revela também que está focado em novos projetos ligados à consultoria e experiências gastronômicas pelo Brasil. “Tenho me envolvido cada vez mais com projetos sustentáveis, ligados à origem dos produtos e à valorização dos produtores locais. E vem coisa nova por aí, sim… não posso dar spoiler ainda, mas posso dizer que tem um novo restaurante sendo desenhado, com alma, sabor e muita verdade”, divulga.
VISÃO DE MERCADO E DICA DO CHEF
Para o Chef Rafa, o mercado brasileiro de food service vive um momento de amadurecimento. Ele observa que o público está mais atento, exigente e interessado em experiências autênticas, que valorizem ingredientes locais, práticas sustentáveis e conceitos bem definidos. “Ser Chef não é só cozinhar bem, é saber gerir pessoas, controlar custos, criar conceito, e se reinventar sempre. a quem está começando, a minha dica é: trabalhe muito, estude, viaje, observe e, principalmente, tenha humildade. A cozinha é um lugar de aprendizado constante”, aconselha.
Por fim, ele recomenda ainda que a presença de Chefs gastronômicos nas redes sociais para mostrar os seus respectivos trabalhos hoje em dia é essencial. “Hoje, o público quer saber quem está por trás do prato, de onde vem o ingrediente, como é o bastidor, qual é a história por trás de cada receita. As redes sociais são uma vitrine, mas também uma ferramenta de conexão. Eu tento mostrar um pouco do meu dia a dia, das viagens, dos bastidores da cozinha… de um jeito real, sem muito filtro. É uma forma de inspirar e, ao mesmo tempo, mostrar o lado humano da gastronomia”, conclui.
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