CEO da Embraer diz que crise de supply chain ‘acabou’, mas mantém projeção cautelosa

Bloomberg Línea — Executivos da Embraer (EMBJ3) demonstraram otimismo em relação ao fim da crise na cadeia de fornecedores do setor, entretanto, mantiveram projeção conservadora de receita para o ano, em meio ao volume expressivo de entregas à frente.

“O risco de supply chain em 2025 acabou. Temos todas as peças e partes que precisamos para entregar os aviões. Agora depende de nós para montar as aeronaves”, disse o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, em teleconferência com investidores nesta terça-feira (4).

O executivo ressaltou, porém, que há uma grande concentração de entregas nos próximos dois meses, o que levou a companhia a manter a projeção (guidance) de receita para o consolidado de 2025.

“Decidimos manter o guidance como está. Não há risco na cadeia [de suprimentos] neste momento, mas estamos trabalhando para garantir que teremos um 2026 melhor em termos de estabilidade da produção”, afirmou.

O guidance de receita para o ano, excluindo resultado da Eve (EVEX), é de um intervalo entre US$ 7 bilhões e US$ 7,5 bilhões.

“Presumindo que vamos poder entregar todas as aeronaves, miramos atingir mais próximo do teto do que do piso [do guidance]. Calculamos todos os nossos riscos e, se tudo correr bem, não há nada que possa jogar contra nossa previsão de entregas. Mas, ainda assim, são muitas aeronaves para entregar até o final do ano”, disse o CFO da Embraer, Antonio Garcia.

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Em relatório do Citi (C) desta terça-feira, analistas afirmaram que a Embraer está “no caminho certo para atingir a projeção de receita para o ano”, já que o indicador precisaria avançar 11% no quarto trimestre para alcançar o guidance traçado. “Enquanto isso, a companhia vem apresentando um ritmo de crescimento de 20% na receita no acumulado até setembro de 2025”, ressaltaram os analistas.

No terceiro trimestre, a receita líquida da fabricante atingiu R$ 10,9 bilhões, aumento de 16% na comparação anual, segundo balanço divulgado nesta terça-feira.

O lucro líquido ajustado foi de R$ 289,4 milhões no período, ante R$1,2 bilhão um ano antes, resultado que exclui itens extraordinários, como R$ 160,6 milhões em impostos diferidos e R$ 172,6 milhões referentes aos resultados da sua controlada de EVTOLs, a Eve.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ R$ 1,27 bilhão de julho a setembro, queda de 35% sobre igual intervalo do ano passado, em razão de um item não recorrente significativo (no valor de US$ 150 milhões do acordo com a Boeing) no terceiro trimestre de 2024, o que impactou o resultado deste ano.

A receita da aviação comercial alcançou R$ 3,3 bilhões no terceiro trimestre, alta de 28% em relação a igual período do ano passado, sustentada por um melhor mix de produtos, maiores volumes e preços, informou a companhia brasileira.

Já em Defesa & Segurança, a receita atingiu R$ 1,5 bilhão no período, avanço de 24% sobre um ano antes, devido a maiores volumes do KC-390 e um ajuste positivo pontual relacionado a um contrato.

A aviação executiva, que historicamente apresenta avanços expressivos, teve um crescimento tímido de 1% da receita no trimestre, para R$ 3,2 bilhões.

Segundo balanço da companhia, as margens foram afetadas por mix de produtos, custos mais elevados e impactos da guerra comercial da administração de Donald Trump (no valor de US$ 15 milhões). Executivos disseram ainda que a inflação no segmento deve continuar à frente.

Negociações para alíquota zero

Gomes reforçou que a negociação entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil continuam para o retorno da chamada “alíquota zero” para importações americanas em casos de exceções específicas no setor aeronáutico.

“Estamos otimistas [com as negociações]. Uma vez ocorrendo o acordo, a chance de voltar à alíquota zero é boa, como temos visto em outros acordos bilaterais no mundo”, disse o executivo. Hoje, a tarifa dos Estados Unidos para partes da Embraer é de 10%.

Ele acrescentou que a política tarifária atual é prejudicial para os dois países, uma vez que as peças que a Embraer envia para o mercado norte-americano têm incidência adicional de custos, o que impacta as despesas da companhia e acaba deixando o produto mais caro.

“No caso das aeronaves comerciais, o produto fica mais caro e isso pode desestimular as companhias aéreas a receber os aviões que compraram no futuro ou até [desestimular] novas compras”, disse Gomes.

O executivo afirmou, contudo, que a companhia tem um portfólio moderno e competitivo, com uma carteira (backlog) robusta, que atingiu US$ 31 bilhões no trimestre — chegando a quase US$ 50 bilhões, se consideradas as opções de compras.

“Com esse backlog, esperamos um crescimento importante da companhia nos próximos cinco anos. Estamos investindo em novas tecnologias para a Embraer estar preparada para um novo ciclo de expansão em novos produtos, que pode ser na aviação executiva, comercial e de defesa. Essa é a nossa visão de curto e longo prazo.”

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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