Na Yara, primeiro veio o café de baixo carbono. Agora é a vez do cacau, diz o CEO

Bloomberg Línea — A primeira incursão da gigante global Yara no país, com os adubos de baixo carbono, se deu no café. Agora, a empresa mira o cacau como a próxima fronteira.

Segundo o presidente da Yara Brasil, Marcelo Altieri, a adoção de fertilizantes de baixo carbono pelos produtores será determinante para transformar a agricultura brasileira e atender às exigências globais de sustentabilidade.

“O custo maior é não fazer nada”, disse o executivo uruguaio em entrevista à Bloomberg Línea durante a sua primeira visita à Ilhéus para a Expo Cacau, evento que reúne grandes empresas do setor.

A empresa estima reduzir em até 90% a pegada de carbono com a utilização da linha Yara Climate Choice em comparação com fertilizantes convencionais. O produto estará disponível no portfólio da companhia a partir de 2026.

Como parte do plano estratégico da empresa para expandir a atuação entre cacauicultores, a Yara anunciou nesta quarta-feira (27) uma parceria com a Barry Callebaut, gigante suíça do chocolate, para ampliar o uso de fertilizantes de baixa emissão e de tecnologias de agricultura de precisão em lavouras na Bahia, no Pará, no Espírito Santo e em Rondônia.

A parceria consiste na comercialização da nova linha de produtos de baixa pegada de carbono pelas filiais da Barry Callebaut.

No café, a experiência da Yara no Brasil veio com a parceria com a Cooxupé, o que resultou em ganhos de produtividade e grãos com 40% menos emissões.

Desde então, a companhia firmou parcerias com empresas do agro em outras cadeias, como Minerva, Pepsico e Raízen.

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Altieri disse que estará na COP 30 em Belém em novembro deste ano e que o café de baixa pegada de carbono será um dos cases a ser apresentado.

“Começamos com o café, mas a intenção é expandir essa atuação. Vamos fazer para todas as culturas, basicamente”, afirmou Altieri.

“Na cana-de-açúcar temos uma oportunidade ainda maior, porque utilizamos o biometano, feito a partir dos resíduos da indústria sucroalcooleira, para produzir fertilizante nitrogenado.”

A empresa anunciou no fim do ano passado o início da produção de adubo com biometano, que ainda representa uma pequena parcela do portfólio. A meta é se tornar carbono neutra até 2050.

A parceria com a Barry começou a ser desenhada em março de 2024 e, desde então, gerou mais de 2.000 recomendações nutricionais para os produtores.

Os resultados incluem aumento médio de 17% na produtividade e até 200 quilos adicionais de amêndoas por hectare na Bahia, maior estado produtor do país.

O maior interesse sobre o cacau ocorre em um momento em que o Brasil ainda não é autossuficiente na produção da amêndoa, e, consequentemente, do chocolate.

Entre os fatores que limitam a competitividade estão o histórico de pragas, como a vassoura-de-bruxa que dizimou lavouras nos anos 80 e segue como um dos principais entraves da cadeia até hoje.

Além disso, a baixa fertilidade dos solos e a defasagem tecnológica também dificultam a maior produtividade do setor.

Atualmente, a produção nacional gira em torno de 190 mil toneladas por ano, segundo dados da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC).

A expectativa da Yara é que, com a adoção de adubos de baixo carbono, os produtores possam mais do que triplicar a oferta para 642 mil toneladas anuais, o que tornaria o país autossuficiente.

Chegada à Bahia

A escolha pela Bahia não é aleatória para a Yara.

Os cacauicultores de 43 lavouras consultadas que utilizaram os produtos da companhia relataram ganhos de cerca de 200 quilos por hectare, o que ajudaria, em tese, a reduzir a defasagem da produtividade local, que gira entre 200 e 300 kg/ha, contra uma média nacional de 380 kg/ha.

Atualmente, o Brasil ainda importa uma parcela de amêndoas da Costa do Marfim e de Gana, países africanos que são líderes globais na produção.

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A estratégia da Yara também envolve o uso da plataforma de agricultura de precisão Ayra, que identificou deficiências significativas de fósforo, potássio e micronutrientes como boro e manganês nas áreas avaliadas.

O VP de Marketing da Yara, Guilherme Schmitz, disse que vê “muito potencial” pelo tamanho que o cacau ainda pode representar em termos de adoção de soluções com melhor valor agregado para o agricultor.

“Ao usarmos uma fonte de nitrato, que não volatiliza, ao contrário da ureia, a aplicação pode ser feita por cima das folhas [do cacau], o que traz maior eficiência para o manejo e melhor aproveitamento do nutriente”, disse o executivo.

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Bloomberglinea

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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