brasileiro eleito o melhor do mundo pela segunda vez


 

O azeite de oliva é um ingrediente culinário indispensável na cozinha de muitas pessoas, seja para temperar ou preparar os mais variados pratos. Dados do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) apontam que aproximadamente 100 milhões de litros de azeite são consumidos anualmente pelos brasileiros. Desse total, mais de 99% são importados. Mas, se engana quem acha que o Brasil não possui um mercado especializado na produção própria.

 

Um exemplo que vem se destacando por ter nascido em terras brasileiras é o Azeite Sabiá, marca criada em 2014 em uma fazenda em Santo Antônio do Pinhal, na Serra da Mantiqueira, interior de São Paulo. Fundada pelo casal Bia Pereira e Bob Costa, uma Jornalista e um ex-ministro do Governo de Fernando Henrique Cardoso, o Azeite Sabiá vem ganhando destaque internacional, com mais de 80 prêmios internacionais.

 

Inclusive, pelo segundo ano consecutivo, a marca conquistou o título de melhor azeite médio frutado do mundo na edição 2025 do guia Flos Olei, com o Koroneiki, que possui notas que lembram folha de tomate e maçã verde, além de aromas frescos de ervas e grama cortada. De acordo com a descrição do produto, ele vai bem com pratos mais temperados, como risotos, bacalhau, massas e carnes vermelhas.

 

Ficou curioso para conhecer mais sobre a Azeite Sabiá? Em entrevista exclusiva à Rede Food Service, Bia Pereira revela a história por trás da marca e conta os detalhes sobre o funcionamento da empresa, que, cada vez mais, ganha destaque mundial. Vem com a gente!

 

CRIAÇÃO E FUNCIONAMENTO

 

Bia Pereira e Bob Costa são os nomes por trás da Azeite Sabiá, um negócio que surgiu a partir da paixão do casal pela olivicultura. Formada em Jornalismo, Bia teve passagem por veículos de rádio, televisão, jornal e Internet. Seu marido, Bob, é ex-ministro do Governo de Fernando Henrique Cardoso e sócio fundador da agência de publicidade Novagência S.A. Juntos, eles fundaram e comandam a empresa. “Em 2014, decidimos plantar [a oliveira] em nossa fazenda em Santo Antônio do Pinhal, na íngreme Serra da Mantiqueira. As duas primeiras safras, extraídas em 2018 e 2019, foram distribuídas apenas para a família. Em 2018, decidimos ampliar a produção e vimos que o município de Encruzilhada do Sul, no Rio Grande do Sul, era muito propício à olivicultura e à viniviticultura. Compramos uma área no município e plantamos oliveiras.  Hoje, temos 17 hectares na Mantiqueira e 11 hectares de oliveiras no Sul”, relembra Bia.

 

A Jornalista e empresária Bia Pereira – Foto: Arquivo Pessoal

 

Para garantir que a Azeite Sabiá tenha qualidade em todo o seu processo, Bia reforça o compromisso da marca em ter os melhores profissionais a seu dispor. Além disso, segundo ela, o investimento em tecnologia, por meio da compra de equipamentos de ponta para extração do azeite, e a construção de uma fábrica que é hoje uma das mais modernas do mundo, com controle de temperatura, é fundamental para a produção de um bom azeite extravirgem, sendo um diferencial no trabalho da marca.

 

PORTFÓLIO DIFERENCIADO

 

O portfólio da Azeite Sabiá foi idealizado com a missão de levar aos brasileiros um azeite com frescor, aromas e sabor inédito. A marca dispõe de 5 tipos de azeites em seu site oficial: Arbequina e Arbosana, com variedades espanholas, que produzem um azeite suave; Koroneiki, grega, e Coratina, italiana, que produzem um azeite mais intenso; e Blend de Terroir, um blend elaborado com azeites da Mantiqueira e do Sul, com uma porcentagem de Arbequina, Koroneiki e Coratina. Os preços variam entre R$ 125,00 para a vidro com 250 ml de azeite, e R$ 204,00, para o vidro com 500 ml.

 

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Azeite Sabiá – Foto: Divulgação

 

Segundo Bia, todos os produtos da marca são reconhecidos internacionalmente e receberam prêmios máximos em concursos importantes. Ela comenta alguns cuidados que garantem a qualidade dos produtos. “O tempo entre a colheita e o processamento do fruto são intrínsecos à qualidade do azeite. Na Sabiá, as azeitonas, colhidas manualmente, são levadas ao lagar, coração da fazenda, em caminhões refrigerados, a fim de evitar a oxidação dos frutos. Ali, elas são armazenadas em temperatura controlada por, no máximo, 3 horas, antes de serem encaminhadas para a Mori-Tem, máquina de última geração que extrai um azeite extravirgem super premium. O papel do mestre lagareiro também é fundamental para a extração de um bom azeite, já que esse profissional acompanha todas as etapas do processamento, da colheita ao envase. Quem cumpre esse papel no Sabiá é o agrônomo Emanuel de Costa, Diretor de Produção e Transformação, sócio da marca e um dos mestres lagareiros mais qualificados do país”, explica.

 

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Azeite Sabiá – Foto: Divulgação

 

Ainda de acordo com a Jornalista e empresária, para garantir que o azeite oferecido seja de alta qualidade, é preciso mais do que confiar no rótulo. “Além da análise química, que identifica, entre outros índices, o nível de acidez do azeite – porcentagem que mede a quantidade de ácido graxo livre (cadeias de carbono rompidas) a cada 100 ml de azeite e não perceptível no paladar -, fazemos também a análise sensorial, realizada em painéis por especialistas da olivicultura – os chamados sommeliers de azeite. É ele quem avalia, por meio de degustações detalhadas, características com base em parâmetros de qualidade. Nos painéis, a presença de sabores frutados, o amargor e a picância do azeite são atributos que, em um produto extra virgem premium, são perceptíveis nos olfatos e paladares especializados e apontam o frescor do azeite”, detalha.

 

DESAFIOS E PLANOS FUTUROS

 

Apesar do aumento no consumo e do interesse por consumir um azeite de qualidade, o ato de empreender nesse segmento ainda envolve obstáculos na base da cadeia: o cultivo das oliveiras. Conforme Bia, as mudanças climáticas impactam diretamente a produção de azeites, especialmente em regiões onde a prática da olivicultura ainda está em fase de consolidação. “Outro desafio é fazer o público consumidor reconhecer o valor de um azeite brasileiro, quando estamos acostumados a ouvir que os melhores azeites são os italianos, portugueses, gregos e espanhóis. Na verdade, o melhor azeite é o azeite fresco, feito perto de você, que não fica dias em um container com altas temperaturas até chegar no Brasil. O azeite é um produto delicado, não pode ficar exposto ao oxigênio, à luz e ao calor”, aponta Bia.

 

Mesmo com esses percalços, os idealizadores da Azeite Sabiá já traçam os seus próximos passos. “Começamos a produzir na fazenda do Sul um espumante que será lançado até o final do ano. O Cave Sabiá é feito com uvas Chardonnay e Pinot Noir e está sendo elaborado pelo método tradicional ou champenoise. Nosso enólogo é o italiano Massimo Azzolini, um dos mais renomados da região de Franciacorta, onde se faz espumante pelo método tradicional”, revela Bia.

 

VISITAÇÃO NAS FAZENDAS

 

Ficou interessado em aprender sobre o universo da olivicultura e desvendar como é o funcionamento da produção da Azeite Sabiá?

 

Se sim, tenho uma ótima notícia para você. É que, além do trabalho com o azeite, as fazendas do casal também recebem visitas de quem deseja vivenciar de perto os processos de planta, colheita e extração do azeite. “Temos uma equipe de 40 pessoas trabalhando nas duas fazendas, na fábrica e no turismo. A nossa fazenda em Santo Antônio do Pinhal abre às quintas, sextas, sábados, domingos e segunda para o turismo. Nossa equipe que conduz a visita e a degustação é formada como Master em Azeites. Também temos uma loja na fazenda e um pequeno bistrô. Esse trabalho na fazenda é fundamental para mostrar para o consumidor a diferença entre um azeite de qualidade, o azeite Sabiá, e um azeite comum, chamado de “clássico”, que não tem o aroma, amargor e picância que um bom extravirgem tem”, destaca Bia.

 

As fazendas abrem todas quintas, sextas, sábados, domingos, segundas e feriados, das 9:30 às 16h30. No site da empresa, é possível agendar a visitação guiada, que acontece às 10h, 11h30, 14h30 e 16h. As opções de passeio são ‘Visita Guiada pelo Mundo dos Azeites’, no valor de R$ 75,00 (menores de 10 e acima de 80 anos não pagam) e a ‘Experiência Gastronômica Exclusiva’, exclusivamente aos sábados e domingos, às 16h, com uma harmonização gastronômica ao custo de R$ 175,00 (menores de 10 e acima de 80 anos pagam R$ 100,00).

 


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