Raízen vê avanço em reestruturação e sinaliza redução de investimento em 2026

Bloomberg Línea — A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, reportou seu resultado do segundo trimestre do ano-safra com informações de avanço de seu plano de reestruturação, ao mesmo tempo em que segue com desafios relevantes pela frente, tanto conjunturais como outros de natureza mais permanente.

A empresa reportou prejuízo de R$ 2,3 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26, ante perda de R$ 158,3 milhões no mesmo período do ano anterior.

O Ebitda ajustado (métrica de geração de caixa operacional) para o período somou R$ 3,3 bilhões, uma retração de 12,8% na comparação anual. O consenso de projeções pela Bloomberg esperava um resultado de R$ 3,92 bilhões.

Em teleconferência com analistas na noite desta sexta-feira (14), após a divulgação do balanço financeiro, os executivos da companhia buscaram destacar a melhora estrutural em algumas frentes, especialmente na distribuição de combustíveis no Brasil, nos cortes de custos e na disciplina de investimentos.

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Apesar do avanço na estratégia de médio prazo, os executivos reconheceram que a atual safra segue pressionada pela produtividade mais baixa, diante das queimadas no ciclo anterior, e pela alavancagem elevada, de 5,1x o Ebitda ajustado (vs 2,6x um ano antes). A dívida líquida somava R$ 53,44 bilhões.

“O período é sazonalmente mais pressionado pela formação de estoques de açúcar e etanol”, disse o diretor de RI, Felipe Casali. Segundo ele, esses estoques somaram cerca de R$ 7 bilhões e devem ser comercializados até o fim da safra.

Açúcar e etanol

No segmento de Etanol, Açúcar e Bioenergia (EAB), a Raízen informou que o clima favorável no trimestre ajudou a acelerar a moagem e a compensar o atraso inicial da safra.

O volume processado no semestre ficou em torno de 58,5 milhões de toneladas, em linha com o ano passado.

Apesar disso, a produtividade agrícola segue impactada pela seca e pelas queimadas da safra anterior: são fatores que “reduzem a diluição dos custos fixos e pressionam o custo caixa”, disse Casali.

A empresa tem privilegiado um mix com maior proporção de açúcar para capturar o benefício do hedge.

“Temos praticamente toda a safra fixada a cerca de 111 centavos de real por libra-peso”, afirmou o executivo. Para a safra 2026/27, “quase metade já está fixada a aproximadamente 114 centavos”, o que busca reduzir a exposição aos preços mais pressionados no curto prazo.

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No etanol, a relação entre estoques e consumo é considerada “bastante favorável” pela administração, o que sustenta preços acima dos registrados no ano passado. O preço médio de venda subiu 11% mesmo com menor volume produzido e comercializado.

No etanol de segunda geração (E2G), o volume mais que dobrou, impulsionado pelo ramp-up da planta de Bonfim e pela entrada em operação das unidades de Barra e Univalle.

Argentina pressionada

Segundo a empresa, o principal destaque positivo do trimestre foi a distribuição de combustíveis no Brasil, especialmente junto à rede Shell e aos clientes B2B. Houve crescimento de volume em todos os produtos, com destaque para diesel e lubrificantes.

O CEO da Raízen, Nelson Gomes, disse que o combate ao “mercado irregular” e às distorções do “carbono oculto” – depois de operação da Polícia Federal e da Receita Federal em conjunto com a Justiça no fim de agosto – “trouxe uma dinâmica mais séria e justa para o mercado”, o que tem permitido recuperar parte do volume tomado por práticas ilegais nos últimos anos.

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Ao mesmo tempo, ações internas têm contribuído para melhorar margens.

Segundo Gomes, a empresa tem reduzido custos logísticos e ampliado a penetração de produtos premium como Shell V-Power, além de registrar “surpresas positivas” no segmento de lubrificantes.

Na Argentina, porém, o cenário é mais desafiador, segundo os executivos. Embora a Raízen tenha aumentado a venda em volume e expandido a rede de postos, o desempenho comparado ao ano anterior foi afetado pela desvalorização do peso e pela inflação elevada, que dificultam o repasse de preços.

Caixa e alavancagem

No fluxo de caixa, os executivos disseram que a empresa vem substituindo linhas de capital de giro de curto prazo por instrumentos de dívida de longo prazo.

Segundo Casali, ao excluir movimentações atípicas de capital de giro, a companhia “teria gerado R$ 1,2 bilhão a mais de caixa operacional” no trimestre.

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O Capex (investimento) caiu 26% no semestre e 29% no trimestre, em linha com o plano divulgado em maio.

A mudança nessa frente pode ser explicada, segundo os executivos, pela priorização de projetos ligados a produtividade agroindustrial, segurança operacional e conclusão de plantas de E2G, além de eficiência energética na refinaria argentina.

Para o ano-safra, o intervalo de investimentos segue entre R$ 9 bilhões e R$ 9,8 bilhões, com tendência de queda em 2026.

Do lado da estrutura de capital, Gomes reforçou que a “desalavancagem continua sendo a nossa prioridade”.

A empresa encerrou o trimestre com cerca de R$ 18 bilhões em caixa e anunciou uma linha de crédito rotativa (RCF) de US$ 1 bilhão, com prazo de cinco anos.

O programa de desinvestimentos soma cerca de R$ 5 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão já foi recebido.

“Temos aproximadamente R$ 4 bilhões a receber até o fim desta safra, que serão dedicados exclusivamente à redução da alavancagem”, afirmou o CEO.

As ações da empresa caíram 59% no acumulado do ano de 2025. Nesta sexta, encerraram o pregão cotados a R$ 0,87.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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