Combio atinge R$ 1 bi em receita com energia térmica com biomassa. E prevê triplicar

Bloomberg Línea — Fundada em 2008, a Combio levou cinco anos para tornar rentável seu modelo de fornecimento de energia térmica a partir de biomassa.

O principal obstáculo no início foi o ceticismo de indústrias em abandonar caldeiras movidas a carvão e a óleo combustível por alternativas como resíduo de madeira, bagaço de cana-de-açúcar e caroço de açaí.

A empresa contornou a resistência com uma proposta comercial considerada agressiva: assumiria todo o investimento inicial e os custos operacionais em troca de contratos de longo prazo. Para os clientes, a conta fechava, já que a biomassa reduzia em até 40% os gastos com energia térmica.

O modelo funcionou. Hoje a Combio atende clientes como Klabin, CBA, Unilever e Braskem e projeta encerrar 2025 com faturamento superior a R$ 1 bilhão.

A expectativa é que o número seja um ponto de partida para outro ciclo de aceleração do crescimento, impulsionado em grande parte pelo mercado regulado de carbono que está sendo implementado no Brasil – e que deve aumentar o valor dado às reduções de emissão de CO₂.

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“Nós sempre entregamos uma combinação entre redução de emissão e redução de custos. O aspecto da emissão, no entanto, não era tão percebida pelos clientes no início e hoje em dia é um atributo muito importante da nossa proposta de valor”, afirmou Paulo Skaf Filho, CEO da Combio, em entrevista à Bloomberg Línea.

A empresa estima que pode triplicar seu faturamento em cinco anos, acompanhando a demanda por novos contratos de energia térmica renovável.

“[O mercado de carbono] é algo que tem acelerado muito o nosso pipeline comercial e o crescimento da empresa. Prevemos um espaço muito grande para que a Combio prospere”, disse o executivo.

A empresa foi fundada por Skaf Filho ao lado de Marcos Brant e Fábio Brant, além de Roberto Lombardi como sócio investidor. Em 2023, as gestoras SPX e Lightrock investiram na empresa – e hoje detêm 31% do negócio.

Biomassa como aliada da indústria

A emissão de gases de efeito estufa por processos industriais é baixa quando se compara a grandes emissores como o agronegócio: representa apenas 5% das emissões brasileiras, segundo o último Inventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa do Brasil, apresentado ao secretariado da UNFCCC em 2022.

Não há estimativas precisas do impacto de caldeiras a carvão e óleo combustível nas emissões da indústria, mas a questão é encarada como um dos principais desafios de descarbonização do setor.

O principal negócio da Combio é intermediar esse processo com a adoção de caldeiras de biomassa no lugar dos combustíveis fósseis.

O primeiro projeto da empresa utilizava bagaço de cana-de-açúcar e resíduos de madeira.

A Combio, no entanto, ganhou maior destaque ao ser pioneira ao implementar em larga escala o uso do caroço de açaí como biomassa, uma iniciativa cuja operação já tem 11 anos.

Atualmente são 30 tipos de biomassa utilizados pela empresa, a depender da disponibilidade de insumo de cada região.

A Combio estima que sua operação evita a emissão de 700 mil toneladas de CO₂ da atmosfera por ano.

A expectativa é que o crescimento do faturamento seja acompanhado de um avanço nessa agenda. Até 2028, a Combio quer dobrar a quantidade de CO₂ reduzida com sua atuação em energia térmica renovável.

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Diversificação do modelo

A biomassa, no entanto, não é a única possibilidade para a descarbonização das caldeira, e concorre diretamente com os equipamentos abastecidos via eletricidade ou gás natural.

De olho nessas alternativas, a Combio decidiu diversificar seu modelo de negócio e anunciou, durante a COP30, em Belém, uma parceria com a Braskem para seu primeiro projeto de caldeira elétrica.

“No começo da empresa, focamos muito em biomassa porque é o combustível que faz essa transição de forma mais barata. Mas nosso propósito é ajudar a indústria a fazer essa transição da forma mais eficiente, mais competitiva. A Combio se propõe a levar a melhor solução para o cliente”, afirmou Skaf Filho.

A parceria foi estruturada em um contrato de 15 anos, com atuação unidade industrial da Braskem em Paulínia, no interior do estado de São Paulo. A caldeira elétrica irá permitir a redução de cerca de 65% das emissões de CO₂ – nos escopos 1 e 2 – da unidade de prolipropileno.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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