Entre momentos de incerteza na economia – com a questão fiscal em foco e altas taxas de juros – destacam-se 54 executivos que traduzem a excelência de estratégia e gestão em números.
Os CEOs do Elite InfoMoney, levantamento que destaca as empresas brasileiras de capital aberto que crescem mais e com mais consistência, respondem por 83% das receitas das empresas listadas na B3. O levantamento considera dados de 2022 a 2024.
Esses negócios refletem o trabalho de líderes que direcionam suas companhias a superar limites para conquistar, ou reafirmar, presença na elite empresarial do Brasil.
A lista de profissionais em destaque pode ser conferida aqui.
“De maneira geral, listas como o Elite InfoMoney são importantes por apontarem empresas e executivos com boa reputação e modelos de negócios relevantes, que servem como exemplo positivo para o mercado e podem ser inspiradores para as pessoas”, diz Maria José Tonelli, professora titular no Departamento de Administração Geral e Recursos Humanos na FGV EAESP.
Resultados consistentes
O levantamento considera fundamentos das empresas no período de 2022 até 2024, momento que a taxa básica de juros avançou de 10,75% até 12,25%, e seguiu com consecutivas altas até alcançar o patamar atual de 15% ao ano. Para muitos setores, os juros altos se tornam um desafio para a gestão. Outro tema que tem adicionado incertezas ao mercado e ao setor produtivo é a questão fiscal.
“Na prática, esse ambiente dificulta a viabilização de projetos e os planos de negócios”, afirma David Kallás, presidente da Associação Nacional de Executivos (Anefac). “No entanto, essa é a vida dos executivos brasileiros, que nos últimos 30 anos mostraram capacidade de navegar em um mar turbulento”, complementa.
Mesmo em meio aos desafios, em 2024, o grupo de empresas que forma o Elite InfoMoney registrou crescimento de receita de 4,69%, avanço superior ao resultado de 4,63% observado no universo total da bolsa. “Trata-se de um sinal de resiliência e recuperação acima da média após um 2023 desafiador”, pontua Einar Rivero, fundador da Elos Ayta Consultoria.
Já os indicadores de rentabilidade reforçam essa vantagem estrutural. A margem líquida mediana das empresas do Elite InfoMoney superou de forma consistente o restante do mercado, com diferenças que variaram entre 2,15 e 4,59 pontos percentuais (p.p.). O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) também mostrou evolução favorável, passando de +0,56 p.p. em 2022 para +3,33 p.p. em 2024, evidenciando maior capacidade de transformar patrimônio em lucro.
Os dados apontam que o Elite InfoMoney não destaca apenas empresas que crescem rápido, mas sim aquelas que crescem de forma sustentável, com qualidade e consistência. “São companhias que aliam eficiência operacional, rentabilidade recorrente e valorização acima da média, consolidando liderança e transformando seus setores, exatamente como propõe a metodologia desenvolvida pela Elos Ayta”, afirma Riveiro.
Olhar setorial
A composição das 54 empresas da lista Elite InfoMoney 2025 revela um padrão consistente de elevada concentração setorial ao longo dos últimos três anos. Os cinco maiores setores respondem por cerca de 70% do faturamento total, enquanto os dez principais se mantêm acima dos 86%. “Os dados indicam um ecossistema dominado por poucas atividades econômicas de grande escala”, diz Riveiro.
O setor bancário, em especial, ampliou sua liderança, passando de 22,8% do total em 2022 para 28,34% em 2024, reflexo tanto da resiliência dos grandes bancos quanto da expansão de serviços financeiros em um ambiente de digitalização acelerada.
Em contrapartida, segmentos historicamente fortes, como a extração de petróleo e gás, perdem participação relativa, acompanhando a normalização dos preços de commodities.
Novos desafios para os CEOs
No horizonte de 2026, as eleições já apontam um período de incerteza. Soma-se a esse cenário os avanços da Inteligência Artificial (IA), que trazem aos CEOs a tarefa de implementar o ambiente propício para capturar valor com a transformação digital em curso.
Um dos principais pontos de preocupação é a qualificação dos colaboradores em meio ao avanço exponencial do segmento. Uma pesquisa da consultoria Gartner “CEO and Senior Business Executive Survey” revelou que 77% dos CEOs acreditam que a IA inaugura uma nova era de negócios, mas carecem de especialistas de tecnologia com conhecimento para apoiar, impulsionar ou acelerar os resultados de negócios nesse cenário em evolução.
“Os executivos também têm à frente a missão de avançar no entendimento sobre o potencial dessa tecnologia para promover diálogos mais pontuais com as equipes para entender como a IA pode se traduzir em oportunidades, novos negócios e serviços”, afirma Kallás.
Outra frente desafiadora para os líderes é a retenção de talentos em meio à gestão de até cinco gerações de colaboradores. Nesse ambiente, é preciso ponderar fatores como as expectativas dos profissionais, as transformações tecnológicas e o surgimento de novos modelos de trabalho.
Na avaliação de Maria José Tonelli, da FGV, que promoveu a pesquisa “Mitos e realidades da diversidade geracional nas empresas”, realizada em parceria com a PWC, este é o momento dos líderes lidarem de frente com os desafios e as oportunidades da diversidade geracional.
“Trata-se de um pilar capaz de gerar valor para as pessoas, para as empresas, ao governo e à sociedade civil como um todo. Compreender, incluir e valorizar as diferenças eleva a qualidade do diálogo, constrói pontes e nos permite a ampliação e até mesmo o surgimento de novas perspectivas”, afirma Maria.
A lista completa dos CEOs do Elite InfoMoney pode ser conferida aqui.
Fonte: Info Money




