A “casita” de Bad Bunny, um centro de verão para celebridades, carrega um legado

A varanda de uma casa rosa e amarela, construída bem no meio de uma arena em San Juan, Porto Rico, tem sido o ponto de encontro mais badalado do verão.

Nessa varanda, que faz parte do palco da residência de 30 dias do Bad Bunny para a celebração esgotada de seu último álbum, “Debí Tirar Más Fotos”, o músico tem estendido sua hospitalidade recebendo estrelas como o ícone da NBA LeBron James e a atriz vencedora do Oscar Penélope Cruz. Todas as noites, celebridades e muitas outras pessoas dançam ali, em uma espécie de festa dentro do show, ou “party de marquesina”, como são conhecidas em Porto Rico.

A casa, chamada La Casita, não só oferece a melhor vista do show, como também representa um símbolo cultural presente em toda a paisagem urbana e rural do arquipélago — um estilo de construção muito reconhecido que surgiu da combinação das tradicionais casas de madeira do século XIX com as necessidades de uma sociedade moderna e pós-industrial.

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Para Héctor Berdecía-Hernández — conservador de patrimônio e professor adjunto da Universidade de Porto Rico, em Río Piedras — a casa merece ser preservada em um museu após o fim da residência, que acontece no domingo.

“O que está acontecendo é histórico”, afirmou. “Isso faz parte de uma representação, e é uma obra de arte porque foi feita por um artista. É um espaço que muita gente consideraria parte do legado cultural de Porto Rico.”

Berdecía-Hernández, que também é diretor executivo do CENCOR, um centro de conservação e pesquisa do patrimônio cultural em Porto Rico, explicou que a arquitetura e a cultura do arquipélago estão intrinsecamente ligadas, e a varanda, ou “balcón” em espanhol, é uma parte importante disso.

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Ele disse que a varanda funciona como o coração social da casa, onde chegam as parrandas no Natal (uma tradição que consiste em um grupo pequeno surpreendendo familiares e amigos) e onde acontece o ritual de cumprimentar os vizinhos, desempenhando até um papel importante no show do Bad Bunny.

“Dentro do show, onde você vê mais atividade é na varanda”, disse Berdecía-Hernández. “Isso faz parte da nossa cultura.”

Não está claro qual é o processo para conseguir um lugar na La Casita, além de ser uma celebridade, mas para Angel Otero, foi uma questão de sorte. Pintor e escultor porto-riquenho, Otero recebeu uma visita inesperada de um membro da equipe de produção da residência, que estava acompanhando um amigo que o visitava em seu estúdio em Carolina, Porto Rico.

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Depois de uma conversa, Otero foi convidado a ocupar um lugar na La Casita durante o show do dia 10 de agosto, ao lado do ator espanhol Javier Bardem; sua esposa, Penélope Cruz; e do renomado astro porto-riquenho do reggaeton, Residente, na varanda.

“Além do fato de que algumas pessoas podem pensar que isso é comparável a uma área VIP em uma boate, eu sinto que vai muito além disso”, disse Otero. “Faz uma declaração cultural muito forte porque é como uma ponte internacional, multicultural e multiartística com todas essas pessoas. Parece uma festa de Natal em uma casa.”

Ele acrescentou: “Foi algo muito unificador, com muitas pessoas entrelaçadas de forma muito informal, saindo para a varanda, cantando e dançando as músicas”.

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Mayna Magruder Ortiz, a designer da La Casita, trabalhou inicialmente no projeto da casa para um curta-metragem lançado pouco antes do álbum do Bad Bunny sair em janeiro e depois aplicou sua visão ao espaço do show. Ela contou ao jornal porto-riquenho El Nuevo Día que recriou a casa na arena com elementos que combinassem com sua nova função como um dos espaços de encontro mais comentados do mundo. Por exemplo, a cozinha manteve seu design original, mas foi transformada em um bar.

“Há obras de artistas porto-riquenhos como Lorenzo Homar e Alexis Díaz, cerâmicas de artistas locais e elementos que contam a história da casa”, disse.

E essa história vai além da decoração.

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Magruder Ortiz explicou que a casa real que aparece no curta do Bad Bunny fica em Humacao, na costa leste da ilha principal, e foi construída usando os planos originais de uma casa em Levittown, Toa Baja, onde foram desenvolvidas moradias planejadas para veteranos da Segunda Guerra Mundial. “Isso por si só dá à casa um tipo especial de magia”, contou ao El Nuevo Día.

Até o século XX, Porto Rico construía quase exclusivamente em madeira, explicou Berdecía-Hernández. Antes dos Estados Unidos substituírem o domínio espanhol e até a década de 1920, o tipo padrão de casa era a “casa criolla”, um modelo conhecido pela varanda em estilo alpendre, sala central e fundações elevadas. Hoje, essas casas continuam sendo um ícone da paisagem porto-riquenha, uma imagem nostálgica frequentemente pintada ao lado de árvores flamboyant e rios, e aparecem em obras vendidas em feiras de artesanato e galerias.

Mas Berdecía-Hernández disse que o modelo arquitetônico de Porto Rico começou a mudar quando a madeira foi substituída pelo concreto, que é resistente a furacões e cupins, e contou com o apoio da recém-chegada indústria americana do cimento. A construção emergente também era uma questão de status. As favelas, com milhares de estruturas de madeira, foram alvo de projetos de renovação urbana e retratadas como insalubres e inseguras, enquanto o concreto era vendido como símbolo de progresso e modernidade.

Após tempestades devastadoras, como San Ciriaco em 1899 e San Ciprián em 1932, e sob campanhas governamentais como a Operação Bootstrap, um plano econômico que transformou o arquipélago de uma sociedade agrícola em um polo industrial de destaque nos anos 1940, o concreto passou a moldar o que hoje é reconhecido como o estilo vernacular da casa, exatamente como a que foi colocada no palco do Bad Bunny.

Depois da Segunda Guerra Mundial, disse Berdecía-Hernández, os veteranos que retornaram e a economia em expansão impulsionaram a construção em larga escala da casita compacta de concreto, que imitava a distribuição espacial das tradicionais casas de madeira, mas com algumas alterações e otimizada para produção em massa. Planos pré-projetados transformaram a construção em um processo quase como montar um quebra-cabeça. Programas patrocinados pelo governo e construtores informais, muitos treinados por projetos federais de guerra, também espalharam a casita pelo interior.

Na década de 1950, varandas, telhados planos, colunas finas de concreto, janelas de alumínio no estilo Miami e pisos de terraço se tornaram o novo padrão do design doméstico porto-riquenho.

E agora, esse design comum foi elevado a um palco global.

“Essa celebração cultural alcançou algo tão impactante”, disse Otero. “Ela convida você a se orgulhar de quem você é.”

c.2025 The New York Times Company

Fonte: Info Money

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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