MBRF acelera sinergias para ampliar ‘market share’ no Brasil

Bloomberg Línea — Para a gigante de proteínas formada pela fusão entre Marfrig e BRF, a MBRF (MBRF3), o Natal brasileiro será o da “proteína”, o que funcionará como alavanca para impulsionar os resultados. E a empresa pretende aproveitar a força de suas marcas Sadia e Perdigão em aves na temporada de festas.

Essa visão foi compartilhada por Marcos Molina, principal acionista e presidente do conselho da companhia, em evento com jornalistas nesta terça-feira (25), na sede da empresa em São Paulo.

Embora “apenas” 25% da receita venha do Brasil, a MBRF tem desenhado uma estratégia para acelerar sua presença no mercado doméstico com alimentos processados e aves em datas comemorativas, como o chester e o peru que dominam as festas de fim de ano.

A diversificação geográfica segue responsável por grande parte da estratégia, responsável por 75% da receita.

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A divisão internacional, liderada pelo mercado halal e pelos Estados Unidos, onde opera a National Beef da Marfrig, responde sozinha por 45% desse total, segundo dados da empresa.

No mercado brasileiro, a MBRF detém 75% de market share no segmento de peru e 60% em aves especiais, enquanto busca ampliar a presença em um território tradicionalmente mais forte das marcas da Marfrig: o churrasco.

Para isso, a empresa reforçou a linha de cortes especiais da Perdigão, com a marca “Na Brasa”, voltada às celebrações de fim de ano, que “têm mais a cara do churrasco”, segundo Molina.

Segundo Alessandra Garrido, cofundora da Scoop, empresa de pesquisas de mercado, os consumidores de produtos da MBRF podem ser divididos em três perfis: o primeiro é o tradicional, aquele que evita mudar pratos e marcas; há ainda o inovador, que busca produtos diferentes.

E, por último, há os simplificadores, que buscam produtos mais simples para o cotidiano sem querer perder a qualidade.

“Algo interessante é que, desde a pandemia de covid-19, os tradicionais cresceram”, disse Garrido no evento da MBRF.

Sinergias pós-fusão

Segundo os executivos, a captura de sinergias em exportação, logística e na força comercial deve acelerar esse processo de avanço em processados.

A empresa pretende atingir 60% do R$ 1 bilhão estimado em sinergias até o fim de 2026, movimento sustentado pela integração operacional e pelo fortalecimento das marcas em mercados estratégicos.

“Grande parte de tudo isso já tinha sido mapeado ao longo dos últimos anos”, disse a Gerente Executiva de Relações com Investidores, Letícia Vaccaro, sobre os ganhos de sinergia da fusão entre as companhias, em entrevista à Bloomberg Línea.

“A prioridade agora é manter e capturar as sinergias”, afirmou.

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Esses ganhos de sinergia já têm dado frutos.

Segundo o Vice-Presidente de Mercados Brasil e Marketing, Manoel Martins, em 2022, a BRF recebia 100 pedidos e só conseguia entregar 68; no ano passado, esse patamar chegou a 78.

Para este ano, o executivo disse que está na casa de 93 e 94; e, para o ano que vem, a meta é chegar a 96.

“Se vocês forem ao mercado e não encontrarem produtos nossos, podem nos chamar. Garanto que no dia seguinte estaremos lá”, disse o executivo em tom de brincadeira aos presentes no evento.

O desenho que resultou na fusão das empresas, aprovada pelo Cade em setembro, começou em 2021, quando Marcos Molina iniciou a compra de ações da BRF e se tornou um acionista relevante. Em abril de 2022, ele elegeu sua chapa ao conselho e trouxe Miguel Gularte para a posição de CEO meses depois.

Desde então, as duas empresas passaram a trabalhar de forma cada vez mais integrada.

A fusão anunciada em maio deste ano foi o momento que selou essa relação construída ao longo dos anos e que busca criar uma empresa mais ágil, com uma plataforma de multi proteína em regiões estratégicas, disseram os executivos no evento.

Diversificação

Após o spinoff da operação halal, a companhia passa a avançar diretamente sobre as redes varejistas e de food service no Golfo com distribuição própria.

“Se eu puder dizer um lugar que estamos começando a acelerar, é toda essa parte”, disse Alisson Navarro, VP de Beef, em entrevista à Bloomberg Línea.

Nos EUA, a National Beef, adquirida em 2018 pela Marfrig, é considerada a quarta maior indústria frigorífica, com três plantas e operação focada em bovinos.

Evento de natal da MBRF

Do lado da oferta, o rebanho bovino nos EUA segue no nível mais baixo nos últimos 50 anos, o que tem contribuído para manter os preços em alta para o abate e, ainda que em um movimento mais lento, ao consumidor final.

A Ásia representa 17% da receita da gigante de proteínas, com potencial adicional destravado recentemente com o retorno da habilitação de exportação do frango brasileiro para a China.

No último balanço financeiro divulgado pela companhia, o lucro líquido para o terceiro trimestre somou R$ 94 milhões, queda de 62% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Ebitda consolidado, métrica de geração de caixa operacional, somou R$ 3,5 bilhões, alta de 15% frente ao trimestre anterior, mas recuo de 8,6% na base anual.

A alta nos custos dos insumos, como o milho, que subiu 17,4%, e o óleo de soja, com alta de 17,3% em um ano, contribuíram para pressionar o resultado.

A expectativa, porém, é a de aceleração nas receitas para os próximos trimestres com o retorno da China ao mercado de exportação.

“Essa abertura [do mercado chinês] permite um ramp-up dessa operação chinesa da MBRF em um ritmo mais acelerado até do que nós prevíamos inicialmente”, disse Miguel Gularte, CEO da empresa, há duas semanas em entrevista coletiva sobre o balanço financeiro da companhia no terceiro trimestre.

A China é considerada um mercado relevante para cortes que têm menos aceitação no mercado interno, como o meio da asa do frango e o pé.

Em um ano, os papéis da companhia acumulam alta de cerca de 10%, a R$ 20,12.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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