Por que o BC resiste a cortar os juros quando o mundo inteiro já fez isso?

A maioria dos Bancos Centrais do mundo está em pleno processo de corte de juros…mas o Brasil, não. Nesta quarta-feira ( 10), o Comitê de Política Monetária (Copom) reafirmou a Selic em 15% ao ano – e não se comprometeu com nenhuma data para começar a reduzir a taxa. Enquanto isso, o Federal Reserve cortou pela terceira vez o juro por lá em 0,25 ponto. E não é só ele: países como México, Colômbia, Peru e Turquia também vêm reduzindo suas taxas de juros.

O que explica esse descompasso? É que, aqui, a inflação continua preocupando. E as previsões para a inflação em 2026 estão acima do teto da meta, de 3%, desde o começo do ano. Até cederam um pouco, é verdade, mas não a ponto de deixar o BC tranquilo. E o que agrava essa preocupação é o fato de que, mesmo com o juro tão alto há tantos meses, a atividade econômica ainda está forte. O emprego e a renda ainda não esfriaram como se esperava. E, diante disso, o risco da inflação reacender é muito grande.

Já nos Estados Unidos, por exemplo, o cenário é diferente. O emprego vem se deteriorando: o desemprego por lá subiu de 4,3% para 4,4% em setembro (os dados estão defasados por causa da paralisação dos serviços públicos provocada pelo shutdown), ao mesmo tempo em que as contratações do setor privado estão em queda. Tanto é que já tem gente dentro do BC americano defendendo um corte ainda mais forte, de 0,5 ponto percentual.

No Brasil, o desemprego continua perto das mínimas históricas. E a renda aquecida. Essa “resiliência do mercado de trabalho” foi, inclusive, citada pelo Banco Central no comunicado da sua decisão como uma fonte de “incerteza”.

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Ainda assim, tem muita gente no mercado – economistas, analistas, gestores, investidores – que acredita que há espaço para a Selic cair já no começo do ano que vem. E o principal argumento para essa expectativa é que já começa a haver algum sinal de alívio da inflação corrente, aquela que é calculada mês a mês.

“Começamos a ver uma estabilidade na inflação de serviços. O patamar ainda é elevada e incompativel com a meta, mas parece ter se estabilizado e vai iniciar um ciclo de queda daqui para frente”, disse Leonardo Porto, economista-chefe do Citi Brasil, em evento realizado pela instituição. A inflação de serviços acumula uma alta de 6,2% no período de 12 meses encerrado em novembro.

O segundo ponto é o dólar enfraquecido perante diversas divisas do mundo. São vários os motivos para isso, mas o mais relevante é a guerra comercial sem precedentes travada pelo presidente americano, Donald Trump, contra inúmeros países. Um dólar mais fraco, vale explicar, faz com que os insumos e produtos importados, como trigo e combustíveis, fiquem mais baratos, aliviando o preço final para os consumidores no Brasil.

Tudo isso é verdade, mas o BC preferiu evitar qualquer compromissos e manter uma certa dose de ceticismo: no comunicado, ele fez questão de ressaltar que as expectativas para a inflação seguem desancoradas – um termo para explicar que as projeções do mercado estão acima da meta – e que a atividade está forte. Para fazer essa convergência da inflação acontecer, o BC repete no comunicado de hoje o que já disse antes: a política monetária tem que ficar em patamar “significativamente contracionista por período bastante prolongado”. É um recado claro.

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O Banco Central também tem que operar de olho em outro elemento: a agenda de “bondades” fiscais do governo. É o caso da isenção de Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil, um projeto importante para rendas mais baixas, mas que tem força para impulsionar o consumo e, consequentemente, a inflação.

Fonte: Invest News

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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