(Imagem: Rmcarvalho/iStock)
Como o esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao ano, no maior nível da taxa básica de juros desde meados de 2006, nesta quarta-feira (10). Essa foi a quarta manutenção consecutiva. A decisão do colegiado foi unânime.
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Na avaliação de Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, o Copom manteve o tom duro (hawkish) da decisão anterior, em novembro. “Não houve comunicação mais ‘dove‘, ou seja, leniente com a inflação, pelo contrário. Está tudo mantido”.
Durante o Giro Especial do Copom nesta quarta-feira (10), Spiess chamou a atenção para a menção da desaceleração da economia com o dado mais recente do Produto Interno Bruto (PIB), que mostrou o crescimento de 0,1% no terceiro trimestre (3T25) – uma queda frente ao avanço de 0,3% entre abril e junho e 1,5% nos três primeiros meses do ano.
“O dado mostrou que a atividade está convergindo para baixo como era de se esperar em um nível elevado de juros.”
Para ele, porém, os juros mais apertados têm sido menos eficaz para desacelerar a atividade [econômica], considerando as expectativas e os modelos do BC. “Isso, em parte, se deve às medidas anticíclicas do governo que tiraram a eficácia da política monetária”, afirmou Spiess.
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Os juros elevados seguem elevados por conta da “irresponsabilidade fiscal”, na visão do estrategista. “Há fundamentos para a Selic estar elevada. Temos um tripé [econômico] ‘manco’: uma das pernas não funciona, que é o fiscal. Ou seja, a política monetária tem que fazer um trabalho dobrado na falta de uma âncora fiscal.”
Corte de juros só em março?
Para o estrategista da Empiricus, a manutenção de um tom mais duro na decisão do Copom “empurra” a expectativa de início do ciclo de afrouxamento monetário para março de 2026.
Contudo, ele não descarta a possibilidade de mudança na postura do Comitê.
“A reunião [do Copom] é no final de janeiro, então teremos uma coletânea de dados a serem observados. Mas considerando que não mudou nada, significa que, para ele não ter o prejuízo de credibilidade, deveria ao menos antes de começar a cortar, mesmo que corte 50 pontos-base em março, dar alguma sinalização antes para não dar um “cavalo de pau”, afirmou Spiess.
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“Isso não é o mais adequado e não é o que ele [o Copom) vem trabalhando”, acrescentou.
Veja o Giro do Mercado Especial na íntegra:
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