AGCO vê Brasil como motor de crescimento apesar de cautela em 2026, diz diretor

Bloomberg Línea — A AGCO, empresa norte-americana que detém as marcas Massey Ferguson, Valtra e Fendt, vê o Brasil como um dos principais motores de crescimento global da companhia nos próximos anos, apesar de um cenário ainda cauteloso para 2026.

Para Rodrigo Junqueira, Managing Director da AGCO Corporation e Vice-Presidente da Massey Ferguson para a América do Sul, a retomada do setor ainda não será total no próximo ciclo agrícola.

“Entramos em 2026 com bastante cautela. Mas temos a expectativa de boas notícias e de boas vendas para o ano que vem”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.

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“O futuro da agricultura depende muito do Brasil”, afirmou, ao citar a capacidade produtiva, o perfil dos produtores e o avanço tecnológico no campo na região.

A avaliação do executivo vai ao encontro de projeções mais cautelosas no setor de máquinas como um todo. Recentemente, a gigante Deere, dona da marca de tratores John Deere, cortou sua previsão de lucro para 2026.

O CEO da Deere, John C. May, disse em um comunicado à imprensa que espera que o próximo ano seja “o ponto mais fraco” do ciclo agrícola global.

Entre os fatores apontados pelo executivo americano estão o enfraquecimento da demanda em mercados-chave da companhia, preços pressionados das safras de grãos que contribuem para diminuir o poder aquisitivo de produtores, tarifas comerciais nos Estados Unidos e custos elevados dos insumos: tudo isso tem levado agricultores a adiar ou reduzir a renovação da frota.

Para o executivo da AGCO, o mercado brasileiro, por sua vez, vive um momento particular: a combinação entre expansão de área, renovação da frota e adoção crescente de tecnologia que cria um ciclo distinto e promissor em comparação a outras regiões.

“As oportunidades de crescimento e de expansão aqui são muito maiores do que no todo”, afirmou. A empresa projeta crescimento de 4% a 5% no encerramento do ano de 2025, ritmo semelhante ao de um ano atrás.

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Para 2026, a expectativa da companhia é avançar em um patamar um pouco menor do que o observado neste ano nos tratores de baixa e média potência, mas com um crescimento maior na alta potência.

Essa avaliação dialoga com outro eixo importante da estratégia para o ano que vem: o lançamento de suas marcas com o intuito de consolidar a presença em diferentes nichos, de tratores mais compactos a máquinas acima de 400 cv.

A estratégia de lançamentos também se conecta ao plano Ambição 2030, iniciativa global da AGCO que estabelece metas de ganho de market share e de reequilíbrio do portfólio entre baixa, média e alta potência em toda a América do Sul.

Segundo Junqueira, o projeto envolve toda a organização e orienta decisões de portfólio e regionalização.

“Criamos um plano muito bem estruturado para 2030 que permitirá crescermos em toda a região da América do Sul e buscar índices melhores do que temos hoje também de rentabilidade”, disse.

A Massey Ferguson é a marca de maior volume e de portfólio mais amplo, “a mais conhecida, mais tradicional e a que tem o maior faturamento”, segundo Junqueira.

A Valtra, por sua vez, atua fortemente em segmentos como cana-de-açúcar, floresta e operações específicas.

Já a Fendt, marca premium e com presença mais recente no Brasil, tem foco em alta tecnologia e alta potência. “Não tem nenhuma que não cresça, e todas contribuem para esse crescimento da AGCO na América do Sul”, afirmou.

A Massey Ferguson fará em 2026 sua estreia no segmento de 35 cv a 85 cv por meio de uma parceria com a italiana SDF.

“Essa parceria nos ajuda a crescer tanto na alta potência para grãos como na baixa potência para pecuária, café, frutas e serviços diretos na fazenda”, disse Junqueira. Valtra e Fendt também vão ampliar o portfólio, segundo o executivo.

Esse movimento da AGCO ocorre em um momento em que outros fabricantes globais também intensificam a disputa pelo mercado de máquinas compactas no Brasil, impulsionados pelo aumento do profissionalismo e pela busca por equipamentos mais tecnológicos entre pequenos e médios produtores.

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A japonesa Yanmar é um exemplo desse movimento.

A empresa cresceu nos últimos anos mesmo em um cenário macro de incertezas ao focar justamente no segmento de baixa potência voltado para hortifrúti, café e pecuária, com um plano em que reforçou a oferta de tratores compactos e equipamentos adequados a propriedades diversificadas e de menor escala.

Tecnologia sob medida

Nos últimos anos, a AGCO redesenhou sua estratégia tecnológica a partir de movimentos de fusões e aquisições.

A compra da Precision Planting, concluída em 2017, marcou a entrada da companhia em uma nova fase de soluções de plantio de alta precisão.

Já a formação da PTx Trimble, em 2024, visou o maior aumento de soluções tecnológicas para a indústria ao reunir ativos da Trimble e ampliar a capacidade da AGCO em inteligência, automação e retrofit.

“A AGCO fez 35 anos de idade e ela é fruto de várias aquisições e de várias fusões. Isso vai estar sempre em cima da mesa”, disse Junqueira, ao destacar que a empresa segue aberta a novas oportunidades, assim como fez no passado.

Rodrigo Junqueira, gerente-geral da AGCO e vice-presidente da Massey Ferguson para a América do Sul

“Nós trabalhamos para a renovação da frota, mas também com a oportunidade de permitir ao cliente melhorar a máquina que ele tem, indiferentemente da marca que seja”, afirmou o general manager.

O Brasil, por sua vez, ocupa posição estratégica no processo de avanço tecnológico do portfólio da marca.

É no mercado doméstico brasileiro que a AGCO testa motores movidos a etanol e biometano, previstos para chegar ao mercado entre 2027 e 2028.

“Estamos desenvolvendo aqui para que depois chegue a outras regiões do mundo”, disse o executivo, destacando que a expansão das usinas de etanol de milho pode abrir novas frentes de uso e de negociação de combustíveis pelos produtores.

Desafios climáticos

Entre os desafios no horizonte da companhia, o executivo citou a questão climática – que pode afetar a produção e, novamente, o poder aquisitivo dos produtos. Em seguida, apontou o acesso ao crédito e as taxas de juros.

Para Junqueira, produtores e empresas devem estar preparados para os ciclos de baixa – característica do setor agrícola.

A companhia, segundo ele, reforçou a rede de concessionárias, treinou equipes e reduziu estoques para atravessar momentos de baixa. “O concessionário se prepara melhor dessa forma”, afirmou.

No último balanço financeiro divulgado, referente ao terceiro trimestre de 2025, o grupo reportou receita líquida de US$ 2,5 bilhões, queda de 4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar da retração nas vendas, o lucro líquido atingiu US$ 305,7 milhões, muito acima dos US$ 30 milhões apurados um ano antes.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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